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Sabe aquela mania gostosa que atravessa gerações? Perto da Copa do Mundo, muita gente está experimentando essa sensação e voltou a ser criança. Na casa do primeiro-sargento do Corpo de Bombeiros Ednaldo Nunes da Silva Júnior, 37 anos, morador do P Norte, em Ceilândia, a onda é colecionar álbuns de figurinhas de futebol. Um hábito antigo que ele curtiu com o pai e, agora, compartilha com os filhos, Andrey, 8, e Andrielly, 15.

“Eu e meu pai sempre gostamos muito de esporte, principalmente de futebol. Ele colecionava figurinhas quando era mais jovem e me contava as histórias. Foi assim que me interessei e, com 8, 9 anos, embarquei nesse mundo”, conta.

O primeiro álbum que Ednaldo conseguiu completar foi o do Campeonato Brasileiro de 1991. Uma missão difícil, ele relembra. “Além da questão financeira, eram poucas as bancas que vendiam figurinhas. Hoje, com as redes sociais, ficou tudo mais fácil. Quando meu pai não tinha dinheiro, eu me virava. Vendia dindim, salgados, jornais, laranjas. Gastava boa parte do que ganhava nessa brincadeira”, afirma.

Para ele, além de unir a família, quem incentiva os filhos a colecionar álbuns de figurinhas consegue tirar, mesmo que por pouco tempo, a meninada de frente do computador, do videogame e do WhatsApp. “É um entretenimento que gera um vínculo muito grande. Mobiliza e aproxima toda a família”, acredita. Ao todo, Ednaldo tem 13 álbuns, nove deles completinhos.

Para quem quer mergulhar nesse universo, que pode ser bem divertido, o colecionador dá uma dica importante: seja persistente. É preciso ter um pouco de dinheiro disponível. O militar diz não ter noção do quanto já gastou comprando figurinhas com a cara dos jogadores. “Mas só o prazer de correr atrás, trocar as figurinhas e poder passar esse tempo com minha família já vale todo o gasto”, garante.

Após a Copa de 1998, quando o Brasil foi derrotado pela França por 3×0 na grande final, o bombeiro afirma que se decepcionou e foi se afastando um pouco do futebol e também do hobby das figurinhas. Porém, retomou a tradição por causa dos filhos.

Voltei para despertar esse interesse neles. É algo saudável e que podemos fazer juntos. Nós gostamos muito de futebol. Aqui em casa, todo mundo é Fluminense"
Ednaldo Júnior, bombeiro militar

Andrey está montando o seu primeiro álbum, da Copa do Mundo de 2018 na Rússia. “Acho legal correr atrás de figurinhas e trocar com meus amigos”, diz o menino. Segundo ele, as cartas que valem mais são as dos escudos, pois mais difíceis de se encontrar. “Meu objetivo é completar o álbum. Gostei muito e, daqui em diante, pretendo continuar colecionando”, acrescenta.

 

 

Andrielly entrou na brincadeira. “Já colecionei outros álbuns, mas de futebol é o primeiro. Eu participo porque acho legal. É algo diferente, que foge um pouco da realidade que nós vivemos. Meu irmão é quem toma a frente e vai atrás das figurinhas, mas estou sempre por perto para incentivar e ajudar”, conta a estudante.

O “culpado” de tudo é seu Ednaldo, 63 anos, comerciante, pai do militar e avô de Andrey e Andrielly. “Comecei a colecionar em 1970, quando o Brasil foi tricampeão do mundo. Aquele time de Pelé, Tostão, Rivellino e Jairzinho. Dali para frente, peguei gosto e continuei. Os filhos cresceram e passei isso para eles”, afirma.

Ele lembra que, quando colecionava figurinhas, as coisas eram bem diferentes. “A gente usava aquele bastãozinho de cola nos álbuns. Vendia picolé, pipoca, gastava tudo na banquinha. Depois que casei, os filhos continuaram”, garante.

Mesmo cansado do trabalho, ele conta que se divertia ao chegar em casa. “É uma lembrança boa para mostrar e contar aos netos. Sempre gostei de futebol. Perdendo ou ganhando, sou Fluminense. Fiquei decepcionado com o Brasil, pois tomar de sete [da Alemanha, na Copa de 2014] é complicado. Não acreditei e achava que estava sonhando”, lembra o comerciante.

Onde trocar?
A mania não se restringe à casa dos Nunes da Silva: espalha-se por toda a capital e atrai centenas de pessoas em pontos tradicionais de venda e troca de figurinhas, como a Banca do Brito, na 106 Norte. Por dia, cerca de 300 colecionadores vão ao local, aberto de segunda a domingo, das 7h30 às 21h, e em feriados, até as 20h.

Os adultos também se divertem. O bancário Luiz Carlos Costa Júnior, 51 anos, está a dois cromos de concluir a missão de completar seu álbum da Copa de 2018. A tarefa foi concluída nos campeonatos mundiais de 2010 e 2014. “Estou terminando meu álbum e o da minha sobrinha. É relaxante. A gente volta a ser criança”, diz.

Se você está nesse time, além das banquinhas, também vale ficar ligado no Facebook, pois lá estão disponíveis vários grupos de troca de figurinhas no Distrito Federal. Aproveite!

 

 

 

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