DF: laudo aponta risco iminente de pilares se romperem em prédio

Defesa Civil recebeu o documento dos responsáveis por obra de escoramento e manteve prédio interditado na QNN 11 de Ceilândia

Hugo Barreto/Metrópoles

atualizado 17/02/2020 14:22

A Defesa Civil informou que o prédio que ameaça cair na QNN 11 de Ceilândia continuará interditado por tempo indeterminado. De acordo com o órgão, os responsáveis pela obra de escoramento das vigas encaminharam laudo na sexta-feira (14/02/2020), o qual  aponta “risco iminente de rompimento dos pilares”.

“Por isso, o prédio continuará com interdição total até que seja concluído o trabalho de recuperação da estrutura e reforço no escoramento de todo o edifício”, destacou a Subsecretaria de Defesa Civil, órgão vinculado à Secretaria de Segurança Pública do DF (SSP-DF).

A estrutura está sendo monitorada há um ano pela Defesa Civil. “Em fevereiro do ano passado, também foram exigidos o escoramento do prédio e a contratação de empresa ou profissional habilitado para elaborar laudo de recuperação”, assinalou o órgão, por meio de nota. Agora, depois da interdição, os moradores precisarão pagar pelo menos R$ 400 mil pela recuperação da estrutura do edifício.

Conforme o engenheiro Eduardo Júnior, responsável técnico pela obra, no sábado (15/02/2020), teve início um novo processo de escoramento dos pilares. “Solicitei após um estalo que ouvimos novamente em uma das vigas”, disse. O reforço deve ficar pronto até o final desta semana.

Ainda de acordo com o engenheiro, moradores só poderão retornar ao prédio quando estiver completa a recuperação da estrutura do local. “O laudo que entregamos à Defesa Civil na sexta-feira (14/02/2020) mostra que eles ainda não podem voltar. Fizemos todos os estudos, todos os cálculos e vimos que ainda há perigo iminente”, ressaltou.

“Eles vão precisar de R$ 500 mil a R$ 800 mil para uma reforma completa. Só para voltarem, seria R$ 400 mil”, avaliou.

Em reunião nesse domingo (17/02/2020), as famílias que tiveram de deixar seus apartamentos discutiram formas para pagar pela reforma necessária no edifício.

“Vai ser preciso um valor muito alto para a obra. Então, vamos atrás de outras três construtoras para ver qual delas têm o preço melhor, porque os moradores não têm dinheiro para pagar um valor desses”, assinalou a síndica Joselita Gomes da Silva, 65 anos.

Para conseguirem custear a reforma completa, segundo a síndica, as famílias, então, desejam fazer um apelo ao governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB). “Tanto o prédio como o lote não têm documento [Habite-se]. Estamos devendo ação do IPTU, da Terracap e de outra ação trabalhista. Então, vamos tentar chegar até o governador para que possamos tirar pelo menos o IPTU, que está muito alto para conseguirmos pagar”, afirmou.

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O residencial de seis andares tem 72 apartamentos, divididos em três blocos. Do total, 48 estão habitados. Construído há 27 anos, o edifício abriga cerca de 300 pessoas.

A moradora Mônica Marques, 39 anos, vivia no residencial há 17 anos. Sua mãe havia comprado um apartamento no 6º andar há menos de seis meses. Agora, com as despesas após ter que sair às pressas do residencial, a família da técnica em enfermagem ainda não sabe como conseguirá pagar pela reforma no prédio.

“Os moradores não têm um poder aquisitivo alto. Por isso, ainda é discutida uma redução na taxa de condomínio e a suspensão das taxas extras, porque o pessoal quer dar continuidade à vida por lá”, destacou Mônica.

“Fica apertado demais para todo mundo. Eu mesma estava dormindo em hotel, tomando banho em academia. O pessoal já gastou o que não tinha e ainda tem mais essas despesas. É muito difícil para todos”, lamentou.

No próximo domingo (23/02/2020), os moradores devem fazer outra reunião para avaliar novos preços para a reforma. “Queremos pagar pela obra em, no máximo, dois anos. Não queremos penhorar o lote, porque muitas pessoas dependem disso”, finalizou Joselita.

A interdição do prédio que ameaçava desabar reacendeu a discussão sobre a qualidade das construções espalhadas pelo Distrito Federal. Em 2019, a cada três dias, pelo menos uma edificação foi lacrada pela Defesa Civil por apresentar risco estrutural. As 125 ocorrências registradas no ano passado representam acréscimo de 86% em relação ao apurado em 2018 (67).

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