“Patologias graves”, diz engenheiro sobre prédio que ameaça cair

Defesa Civil estipulou prazo de cinco dias para que responsáveis apresentem laudos atestando segurança no edifício da QNN 11

atualizado 11/02/2020 15:09

Hugo Barreto/Metrópoles

Moradores do prédio residencial que precisou ser evacuado nessa segunda-feira (10/02/2020), na QNN 11, em Ceilândia, esperam conseguir retornar às suas residências em breve, mas ainda não há previsão para isso. O local foi interditado pela Defesa Civil após apresentar indícios de que poderia desabar.

O engenheiro Eduardo Júnior, responsável técnico pelas obras exigidas no local, explicou que está sendo realizado o escoramento dos pilares. “Há patologias graves, que precisam de recuperação. Verificando os pilares, constatamos erros de execução”, destacou o profissional chamado pelo condomínio.

A Secretaria da Segurança e Paz Social (SSP) informou, por meio de nota, que a Defesa Civil monitora a execução das medidas de segurança exigidas pelo órgão para a recuperação da estrutura do residencial. “Cabe destacar que o prédio continua com interdição total até a apresentação dos laudos exigidos para análise, em prazo estipulado de cinco dias, a contar da data de notificação”, assinalou a SSP.

Além da interdição, a Defesa Civil pediu laudo com projeto de recuperação e reforço no escoramento de toda a estrutura. Dependendo do resultado da nova avaliação, poderá ser solicitada outra reforma no local.

A técnica em enfermagem Mônica Marques, 39 anos, vive no residencial há 17 anos. Depois de passar a noite dessa segunda-feira em um hotel com o marido e o filho, ela ainda não sabe onde dormirá nesta terça (11/02/2020).

“Pagamos uma diária só para ontem [segunda]. Hoje [terça], nem sei o que faremos. Buscamos respostas para o que vamos fazer ainda, quando vamos poder pegar nossas coisas. Porque ainda está tudo lá em cima, a gente tirou só o básico”, comentou.

 

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De acordo com a síndica do prédio, Joselita Gomes da Silva, 65, está sendo organizada uma assembleia nos próximos dias entre os moradores para que sejam tomadas decisões. “Vamos discutir o que pode ser feito a partir de agora. Se vai ser cobrada outra taxa extra, como vamos juntar dinheiro para a reforma. Porque o que queremos é voltar para casa. A última coisa que queremos é vender nossos imóveis”, disse ao Metrópoles.

A dona de casa Maria Lídia Moreira, 53, passou a manhã em frente ao prédio esperando saber se poderia subir para pegar roupas e outros pertences. Depois de 15 anos vivendo no apartamento com a família, ela agora procura outra residência onde possa sentir-se mais segura.

“Estou na casa da minha sogra, mas não sei ainda se vou continuar por lá, porque ficar incomodando as outras pessoas não é fácil. É muito ruim, mas acredito que Deus está no controle das coisas”, comentou.

A edificação já vinha sendo monitorada pela Defesa Civil desde 14 de dezembro de 2019. Na ocasião, também foi exigido o escoramento do prédio e a contratação de empresa ou profissional habilitado para elaborar laudo de recuperação.

Albergue

De acordo com a Defesa Civil, a Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes) ofereceu albergue aos moradores que não conseguiram se instalar na casa de familiares ou amigos.

O residencial de seis andares tem 72 apartamentos, divididos em três blocos. Do total, 48 estão habitados. Construído há pelo menos 25 anos, o edifício abriga cerca de 300 pessoas.

 

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O edifício não tem Habite-se, ou seja, é considerado irregular. A síndica Joselita da Silva mora desde 2017 no prédio e é responsável por administrar o condomínio há nove meses. Segundo afirma, assim que soube dos problemas na estrutura, ela fez uma assembleia para informar aos moradores. “Recebi um prédio que já vem sofrendo desde 2012. Em 27 anos, nunca foi feita uma reforma”, pontuou.

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