DF: diplomata assume ter dado tapa em mulher durante briga de trânsito

Em mensagem enviada a colegas, Leonardo Lott Rodrigues chama motorista de "mal-educada" e pede desculpas

Agência BrasilAgência Brasil

atualizado 08/03/2019 17:37

Conselheiro do Itamaraty, o diplomata brasileiro Leonardo Lott Rodrigues, 56 anos, enviou um e-mail à Associação e Sindicato de Diplomatas Brasileiros (ADB),  a colegas de profissão e ao Ministério das Relações Exteriores pedindo desculpas e explicando o motivo pelo qual deu o tapa no rosto em Uiara Ferreira Saraiva Cerqueira, 35, durante uma briga de trânsito, ocorrida na noite dessa terça-feira (5/3), perto da Galeria dos Estados.

Na mensagem, Leonardo se apresenta como “um homem gentil, correto e equilibrado”. Imagem, segundo ele, cultivada no Brasil e no exterior “com afinco ao longo de 25 anos de trabalho”. O diplomata explica que a agressão ocorreu em “um segundo de descontrole”.

Contrariando meu temperamento e meu comportamento habitual, eu infelizmente dei-lhe um tapa no rosto, mas não com a violência alegada, pois nunca fui violento e não sei agir com violência

Leonardo Lott Rodrigues, conselheiro do Itamaraty

O conselheiro diz que, após o acidente, a “pessoa que conduzia o outro carro mostrou-se muito agressiva e já se aproximou me agredindo verbalmente, me acusando pelo ocorrido, me tratando de maneira muito imprópria dada a situação, até porque a polícia estava nas proximidades”.

No e-mail, ele ainda acrescenta que “não foi um ato premeditado, nem com intenção de ferir”. “Foi um erro, que eu deveria ter evitado, chamando a polícia logo no início do incidente, até mesmo para eles testemunharem a agressividade e arrogância a mim dirigida”.

Ele acrescenta ainda: “Estarei alerta para nunca mais permitir que a agressividade e arrogância de uma pessoa mal-educada provoque em mim qualquer reação que volte a macular minha imagem e minha reputação”.

Por fim, ele pede desculpas aos colegas de profissão pelo ocorrido. “Sei que não estou no meu direito e que cometi um erro grave, do qual me arrependo e pelo qual me desculpo. Sou responsável pelos meus atos e responderei pelo meu erro perante a Justiça”.

Caso de polícia
De acordo com a ocorrência registrada na 5ª Delegacia de Polícia (área central), “dois motoristas se desentenderam, após leve colisão de trânsito e discussão, e um deles acabou agredindo o outro com um tapa”. O acusado pela violência física é diplomata, conselheiro do Itamaraty. O cargo fica abaixo apenas do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo.

A Polícia Civil do DF informou que ambos os envolvidos foram ouvidos e assinaram o Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO). Depois, acabaram liberados. A mulher foi submetida à exame de corpo de delito no Instituto de Medicina Legal (IML).

Policiais militares que estavam no local presenciaram a agressão, assim como a irmã da motorista. A testemunha também trabalha no Itamaraty. Os PMs levaram o diplomata, a mulher e a irmã para a delegacia. O caso foi tratado na PCDF como acidente de trânsito sem vítima, seguido de vias de fato e injúria e será encaminhado à Justiça.

Outro lado
Em nota, o Ministério das Relações Exteriores disse ter tomado conhecimento do caso pela mídia. “O servidor será prontamente chamado a esclarecer o incidente, para que o Itamaraty possa avaliar as medidas administrativas a serem eventualmente adotadas”, acrescentou.

Também por meio de nota, a presidente da Associação e Sindicato dos Diplomatas Brasileiros (ADB Sindical), embaixadora Maria Celina de Azevedo Rodrigues, defendeu a imediata apuração dos fatos e disse ainda que “repudia veementemente quaisquer atos de violência, em especial contra mulheres”.

A entidade, criada há 30 anos e que representa cerca de 1.600 associados, prometeu acompanhar o caso “para que as providências cabíveis sejam tomadas em acordo com a lei, preservando os envolvidos quanto à ampla defesa e ao contraditório”.

Procurado pela reportagem, o diplomata afirmou que não iria se pronunciar sobre a acusação. A motorista que o acusa de agressão também não quis se manifestar na quinta (7). Ela não foi localizada nesta sexta (8).

 

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