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A prisão de Marcelo Bauer, na Alemanha, deixou surpreso o delegado responsável por colocar o assassino de Thaís Muniz Mendonça na cadeia pela primeira vez, em 2000. À época, Celso Ferro comandava o antigo Departamento de Atividades Especiais (Depate), da Polícia Civil, e montou uma grandiosa operação para identificá-lo e detê-lo, na Dinamarca.

Com memória excelente do caso, o investigador aposentado relembrou detalhes da caça ao homicida que fugiu para o país Europeu com auxílio do pai, Rudi Ernesto Bauer, coronel da Polícia Militar do DF que atuava no Serviço de Inteligência da corporação.

“Com autorização judicial, conseguimos interceptar os telefones do pai e da mãe dele e descobrimos que ele estava na Dinamarca. Com uma projeção de envelhecimento facial que havíamos produzido, conseguimos confirmar a identidade dele”, relembra.

Celso Ferro e sua equipe pediram auxílio ao Ministério das Relações Exteriores para que fizesse a mediação com a Justiça dinamarquesa. Após tradução do inquérito policial, a Interpol efetuou sua prisão. “Infelizmente, a defesa dele conseguiu um recurso e ele foi posto em liberdade. Como tem cidadania alemã, atravessou a fronteira e fugiu para a Alemanha”.

A notícia da prisão de Bauer, agora, deu uma sensação de alívio ao delegado. “Em 2002 fizemos um esforço conjunto com diversos órgãos federais e internacionais para prendê-lo. Plantamos uma semente há mais de dez anos para que essa prisão recente se concretizasse. É gratificante saber que, enfim, a justiça foi feita”, comemora.

Relembre o caso
Marcelo Bauer foi condenado à revelia pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), em abril de 2012, a 18 anos de prisão pelo sequestro, asfixia por substância tóxica e assassinato – com 19 facadas e um tiro na cabeça – da estudante, que tinha 19 anos. Após o julgamento de apelação criminal, a pena foi reduzida para 14 anos de reclusão.