De faxineira a diretora de escola: conheça a história de Oneide Santos

Aos 21 anos, ela começou a trabalhar como merendeira na Secretaria de Educação. Hoje, comanda o Caic de Santa Paulina, no Paranoá

atualizado 19/04/2021 12:31

Oneide Santos conta sua históriaArquivo pessoal

Oneide de Souza Ribeiro dos Santos começou a trabalhar na Secretaria de Educação do Distrito Federal aos 21 anos, em 1990. Seu primeiro cargo foi de merendeira. Depois, passou a integrar a equipe de faxina; e, hoje, é diretora do Centro de Assistência Integral à Criança (Caic) de Santa Paulina, no Paranoá.

“Nasci em Formoso, Goiás, em uma família muito pobre. Fui criada por minha avó. Vivíamos em uma casinha de paredes de adobe e coberta por palhas, sem energia ou água encanada. Minha única diversão era a escola, onde eu adorava ir. Meu maior sonho era um dia ser professora, era apaixonada por minha querida professora Cristina. Eu não tinha nada, mas era uma criança muito estudiosa”, conta.

Sonho

“Correr atrás dos sonhos era a única saída que eu tinha. Meus pais, muito amados e queridos, viviam numa fazenda, trabalhavam muito, mas, com seis filhos e sem estudos, só conseguiam manter a casa. Meu pai nunca tinha férias, ele trabalhava em três empregos. Minha mãezinha trabalhava o tempo todo também, nunca podia ir para nossas reuniões de pais — eu morava na cidade, com minha avó. Mas sempre nos incentivavam a estudar, eu fazia todos os cursos gratuitos que apareciam”, acrescenta.

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A chegada em Brasília foi cheia de expectativas. O sonho de ser professora levou Oneide até a Secretaria de Educação antes mesmo de ser pedagoga. O caminho para a conquista foi difícil: ela fala do seu 1,47 metro de altura como o primeiro desafio do trabalho como merendeira.

“Não sabia cozinhar para muita gente e, de repente, tinha que manipular panelas maiores que eu e cozinhar para 300 estudantes em cada turno de trabalho. Não deu muito certo, eu mal conseguia pegar as panelas”, lembra.

Ao pedir a transferência para trabalhar na faxina da escola, os preconceitos foram outros. Oneide sempre gostou de estudar, de se vestir de um jeito formal e de lutar pelos direitos, mas as humilhações que passou a deixavam indignada, foram motivos de choro. Grávida de oito meses, não gostava do tratamento que recebia da então diretora da escola.

Em 1995, fez um curso para alfabetizar os colegas de trabalho que não sabiam ler: “Isso me deixava muito orgulhosa, limpava minhas salas, trocava de roupa e ia fazer algo que me deixava muito feliz, nas mesmas salas eu os ensinava e aprendia com eles”, conta.

Filho orgulhoso

Assim, a paixão por educar só aumentou. Já casada, fez a complementação pedagógica para o magistério e concretizou a carreira como professora. Hoje, ela é motivo de admiração para toda a família.

Mãe e avó, ela escuta constantemente como é inspiradora. Quando concorreu ao cargo de diretora, o filho mais velho, Gabriel Lucas, 30 anos, disse: “Mãe, ganha essa eleição, a senhora nasceu pra isso”.

Depois do resultado, o filho comemorou: “Linda trajetória a sua, de faxineira a diretora da escola, a senhora me orgulha!’”.

Oneide conta que a paixão por lecionar continua forte na família. “Coincidência ou não, acho sim, meus dois filhos são professores em suas áreas de trabalho e excelentes profissionais”, acrescenta.

Com informações da Secretaria de Educação

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