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O ano de 2016 vai entrar para a história do Distrito Federal. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) registrou uma queda significativa no número de registros de nascimentos na capital do país. Foram 54.755 nascidos no ano passado contra 57.691 em 2015. Isso significa que 2.936 bebês deixaram de nascer. Oito a menos por dia.

A crise política e econômica que desestabilizou o país e o zika vírus são, segundo os especialistas, os principais motivos que fizeram os brasilienses adiarem os planos de terem filhos.

A bancária Ana Alice Fragoso, 30 anos, faz parte dessa estatística. Casada há sete anos, tinha planos de chegar em 2017 com pelo menos um filho. Mas, em 2015, desistiu. “Ficamos com medo de aumentar a família num momento delicado. Não sabíamos o que ia ocorrer com a economia”, justifica ela, que trabalha em uma empresa privada, assim como o marido. “Não temos estabilidade”, completa.

A chefe do Registro Civil do IBGE, Klivia Brayner, explica que a redução no número de nascidos é uma realidade nacional. “Em 2016, foram 151 mil registros a menos em todo o país”, constata. Ela confirma que a crise política, o desemprego e a epidemia da zika, com a possibilidade de os bebês nascerem com microcefalia, levaram muitos casais a adiarem a chegada dos filhos. “É uma decisão que demonstra maturidade, responsabilidade”, destaca ela.

Questionada se a queda nos nascimentos seria resultado do fato de os pais deixarem de registrar os filhos, a coordenadora do IBGE afirmou não acreditar na hipótese. “Registrar uma criança está cada vez mais fácil. Em muitos hospitais já é possível sair com o documento na mão”, explica.

Outro fator, segundo a socióloga Janete Gomes, tem influenciado a quantidade de nascimentos. “As mulheres estão menos pressionadas a ter filhos. Até pouco tempo atrás, era uma obrigação. Hoje, é uma opção para a maioria delas”, defende. A esteticista Alma Mendonça, 42 anos, se encaixa nesse perfil. Mesmo casada há 12 anos, conta que a maternidade não combina com ela. “Não nasci para ser mãe. E administro isso muito bem, sem qualquer culpa”, garante.

Casamentos e divórcios
Mas se o DF acompanhou a onda nacional na questão dos nascimentos, o mesmo não ocorreu no número de casamentos. Enquanto houve queda nas uniões registradas em 2016 em todo o país, na capital federal os enlaces tiveram alta, foram 20.457 contra 19.899, em 2015. De acordo com o IBGE, foram 20.312 uniões entre homens e mulheres, 72 entre homens e 73 entre mulheres.

A taxa de divórcios também aumentou: 5.834 registros em 2016 contra 5.226 no ano anterior. “A gente costuma dizer que no DF as pessoas se divorciam para casar de novo”, brinca Klivia.

Foi o que aconteceu com o servidor Antônio Sampaio Filho, 51 anos. Depois de um casamento de 23 anos, divorciou-se para assumir um novo relacionamento: “Já estava separado da minha primeira mulher, mas não no papel. Quando me apaixonei novamente, corri com a papelada”.

 

 

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