Coronavírus: 2 infectados e 9 isolados dividem a mesma casa no DF

Depois de o casal descobrir que está com a doença, todos no imóvel entraram juntos na quarentena

atualizado 05/04/2020 21:51

Avó, avô, mãe, pai, casal de filhos pequenos e sobrinha. Com casos confirmados e suspeitos do novo coronavírus, sete pessoas da família da neuropediatra Suzete Silva Leme Vilela, de 67 anos, vivem em quarentena na mesma casa desde 19 de março de 2020.

Passam também pelo isolamento social obrigatório a babá e a empregada doméstica da família. Ou seja, debaixo do mesmo teto, nove pessoas enfrentam, juntas, a Covid-19 no Distrito Federal.  Buscam a cura com amor, fé e seguindo as recomendações médicas.

Suzete e o marido, o engenheiro civil Nilo Sérgio Vilela, de 68 anos, foram diagnosticados com o novo coronavírus. As demais não fizeram testes, mas são consideradas casos suspeitos pela convivência com o casal.

“Aqui em casa também estão dois netinhos. O menino de 6 anos e a menininha de 4. Minha filha, de 41, e meu genro, de 40. Uma sobrinha minha, de 18, também. Ainda temos duas pessoas que ajudam no serviço de casa”, contou Suzete.

A pedido da família, os nomes deles serão mantidos em sigilo. Por questão de segurança, o endereço da casa também não será divulgado.

Aniversário

Suzete e o marido levaram os netos e a sobrinha para uma festa de aniversário, no começo de março. Os pais das crianças estavam em viagem internacional. No dia 17 de março, a médica começou a sentir sintomas de uma gripe.

“Estávamos de carro indo para a fazenda. Comecei a sentir muitas dores muscular e de cabeça, além de mialgia e coriza”, contou. Os pais das crianças voltaram para o Brasil e souberam que um amigo presente na festa de aniversário estava com Covid-19.

A família entrou em isolamento. A médica e o marido fizeram o exame. “A minha tomografia deu muito típica para o coronavírus. É uma imagem de vidro fosco difusa no pulmão, pegando as áreas periféricas”, lembrou. As imagens de Nilo indicavam pneumonia.

Juntos na recuperação

Os testes de Covid-19 confirmaram a infecção. Durante o isolamento, as crianças brincam no quintal do imóvel, que tem piscina e parquinho. Como a residência é espaçosa, as nove pessoas não ficam amontoadas.

Em alguns momentos, Suzete ainda tem tosse seca, mas o mal-estar passou. Nilo, porém, não está livre dos sintomas, mas vem apresentando melhora. Uma das funcionárias da casa ficou sem paladar por um tempo. “Foi um sintoma transitório”, disse.

“Meu netinho, de seis anos, teve amidalite com febre muito alta, que durou dois dias. Depois, melhorou. A menininha não teve absolutamente nada”.

Coração apertado

Apesar do quadro clínico positivo, em alguns momentos, o coração de Suzete fica apertado com a situação. “Não é uma coisa simples”, frisou. A doença também abalou o espírito de Nilo.

“Para as pessoas mais velhas, a doença tem essa conotação de maior gravidade. Teve alguns dias em que fiquei bem depressiva, com medo do que pudesse piorar e ter que ir para um respirador”, revelou.

“Você vê tanta gente morrendo. Parece que estou viva por milagre. Não é fácil. É uma doença grave. Quando você passa ileso, por ela, é muita sorte”, assinalou.

Solidariedade

A rotina da família passou a seguir os protocolos de segurança. Entregas de alimentos são feitas no portão. De acordo com a neuropediatra, a vizinhança tem pleno conhecimento do caso e torce para a família.

Na quarta-feira, uma amiga deixou um pote de açaí para Suzete no portão da casa: um gesto de carinho.

Suzete sente falta de abraçar o filho e outra neta, de 7 meses. “Ele me liga todo dia. Coloca a bebê no vídeo para a gente ver. Quando isso tudo acabar, vou dar um abraço neles”, desabafou.

É uma doença que mata

Segundo Suzete, o novo coronavírus não é uma doença boba. “É uma doença que mata. Matou milhares de pessoas”, alertou. A doutora lamentou a morte por Covid-19 do médico James Goodric, que orientou a separação das gêmeas siamesas Mel e Lis.

“As pessoas têm que se isolar mesmo. A doença está aí e mata. O isolamento é único caminho. As pessoas não podem se aglomerar, fazer festinhas. Não é tempo de festa. Não é fake. As pessoas estão morrendo”, aconselhou a médica.

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