Colégio Militar: ex-alunos apoiam afastamento de professor que criticou PMs

Docente criticou abordagens policiais em protestos e foi desligado pela direção do Colégio Militar de Brasília

atualizado 06/06/2020 21:43

Ex-alunos do Colégio Militar de Brasília (CMB) publicaram, neste sábado (06/06), uma carta em apoio à decisão da instituição de ensino em afastar o professor de geografia major Cláudio Fernandes.

O docente foi temporariamente desligado após criticar, em aula, o fascismo e tecer comentários negativos sobre uma abordagem policial em protestos realizados ao longo da semana.

No documento, os ex-estudantes afirmam que afastar o educador foi uma “atitude acertada”. “Utilizar-se do espaço de sala de aula para proferir inverdades em relação à instituição da Polícia Militar é desrespeitar claramente o significado patriótico e a representatividade do Pavilhão Nacional”, diz a carta.

Os antigos alunos do CMB classificaram as declarações do professor como “políticas e inflamatórias”. “Induz os jovens alunos à ideia de que as instituições de segurança pública fazem distinção racial para escolher quem deverá defender ou reprimir durante uma manifestação”.

Os ex-alunos não souberam informar quantas pessoas assinaram a carta publicada neste sábado.

O caso

Na quinta-feira (04/06), o CMB reuniu pais de alunos para explicar o afastamento do major Cláudio Fernandes. Conforme apuração do Metrópoles, o educador dava aula nessa quarta-feira (03/06), por meio de uma live, para o 9º ano do ensino fundamental quando proferiu as críticas.

Durante o curso, o major apontou que os policiais trataram de uma maneira pacífica manifestantes pró-Bolsonaro, mas não os que protestavam contra o governo. “Então, dois pesos e duas medidas”, disse.

“No domingo, como vocês devem ter acompanhado, houve dois protestos. Uma senhora branca, falsamente com uma bandeira do Brasil nas costas, patriota de araque que ela é, e com um tremendo de um taco de beisebol: para fazer o que? O policial [disse]: ‘Não, minha senhora, saia daqui, e tal’. Enquanto que os outros manifestantes foram tratados a bomba de gás lacrimogênio”, afirmou.

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Câmara se movimenta

Um dia após o afastamento ser tornado público, a liderança do PSol na Câmara dos Deputados apresentou uma solicitação de esclarecimentos sobre a atitude do comando do colégio.

“O Estado, portanto, não pode censurar um professor que está exercendo a sua atividade de acordo com os princípios constitucionais que devem reger todas as esferas da administração pública, sobretudo em um momento de propagação de ódio e intolerância”, disse.

No ofício, assinado pelo líder do PSol na Câmara, Fernanda Mechionna, e outros nove deputados, o partido defende que o professor exerceu, durante a aula, o seu direito à “livre expressão”.

“O professor, pela sua fala relatada nos tópicos antecedentes, deveria ter sido homenageado, e não punido”, prosseguiu a liderança do PSol, que faz oposição ao atual governo.

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