Carro usado em golpe do seguro ficou submerso em enchente na Asa Sul

Durante a operação Total Loss, investigadores descobriram que um Honda Civic foi usado pelo grupo criminoso para fraudar a seguradora

atualizado 29/09/2020 21:08

Carro batidoReprodução/PCDF

A associação criminosa especializada em forjar acidentes de trânsito, sempre com perda total do veículo e, assim receber o dinheiro da seguradoras, usavam carros nas piores condições possíveis para aumentar o lucro com as fraudes. O grupo desarticulado pela Polícia Civil durante a operação Total Loss identificou que um dos automóveis usados pelos fraudadores havia ficado submerso durante uma enchente na Asa Sul.

Segundo as investigações conduzidas pelas Divisão de Repressão a Roubos e Furtos (DRF), um Honda Civic preto usado pela quadrilha para receber mais de R$ 60 mil após sofrer perda total em um acidente forjado já havia sido invadido pelas águas durante um forte temporal que caiu sobre o DF em dezembro de 2017. O carro ficou com as partes mecânica e elétrica comprometidas.

O fato foi descoberto pelos investigadores quando a antiga dona registrou a ocorrência na delegacia eletrônica. Procurada, ela explicou aos policiais que o Honda foi consertado, mas que decidiu vendê-lo logo depois. O veículo foi comprado, abaixo do preço de mercado, por um dos suspeitos alvos da operação. Em seguida, o bando fez um seguro levando como base os valores da tabela da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), usada para nortear os valores praticados pelo mercado de compra e venda de veículos no país.

Veja fotos dos carros destruídos:

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Sem qualquer indício aparente de fraude, a seguradora liquidou o prêmio e indenizou um dos criminosos com o valor completo da Tabela Fipe do veículo, acrescido de algumas despesas extras. “Um veículo alagado dificilmente retoma sua condição plena. Com isso, o grupo recebeu R$ 63,5 mil, valor acrescido de algumas despesas extras”, explicou o diretor da DRF, delegado Fernando Cocito.

Durante a operação, foram cumpridos 10 mandados de busca e apreensão e o prejuízo provocado pelo bando ultrapassa os R$ 100 mil. Foram apreendidos R$ 10 mil na casa de um dos alvo, no Guará, e quatro carros. De acordo com as apurações, o grupo adquiria veículos por valores irrisórios, em leilões ou então batidos. Depois, recuperavam os carros em oficinas que pertencem a outros integrantes da quadrilha. Em geral, os estabelecimentos são especializados em lanternagem, funilaria e pintura de veículos.

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Detalhistas, os criminosos deixavam os carros com aspecto de novos para enganar as seguradoras no momento de assinatura das apólices de seguros. Semanas depois, o veículo segurado se envolvia em acidente onde sofria perda total. Quase sempre, as colisões ensaiadas atingiam sempre o mesmo local, as colunas centrais dos carros. O ponto, quando atingido com violência, provoca a perda total do veículo.

Os investigadores da DRF identificaram que pelo menos 10 pessoas se revezavam nos golpes. Os suspeitos figuravam, em várias oportunidades, na condição de condutor, segurado, recebedor do prêmio (pagamento do sinistro) e terceiro envolvido. Apenas um dos alvo da operação teria comprado seis carros, sendo que três deles já teriam sido destruídos em acidentes propositais.

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