Caesb tem que avisar 24 horas antes falta de água por desabastecimento

Resolução determina, ainda, que suspensão no fornecimento não pode ser superior a 24 horas. Medidas valem para sistemas isolados

Rafaela Felicciano/Metrópoles

atualizado 30/09/2019 17:49

A Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico (Adasa) anunciou, nesta segunda-feira (30/09/2019), medidas que a Companhia de Saneamento Ambiental (Caesb) terá que adotar em situações de interrupção de fornecimento em sistemas isolados sob regime de alocação negociada no caso da bacia do Pipiripau, que abastece Sobradinho, Planaltina e Fercal. Resolução será publicada no Diário Oficial do DF, nesta terça-feira (01/10/2019), determinando que a Caesb informe aos consumidores, com 24 horas de antecedência, a falta de água. Além disso, a interrupção não deverá ultrapassar o período de 24 horas.

A resolução estabelece que a Caesb apresente antecipadamente um plano com medidas pontuais de abastecimento de água nesses locais, que são submetidos à alocação negociada, com o compartilhamento de água com outros usuários, como agricultores.

“Será publicado um calendário e em cada zona estará previsto o dia em que, caso seja necessário, será feito a interrupção. Isso dá tranquilidade para as pessoas, porque elas saberão com antecipação quando pode acontecer a interrupção do fornecimento”, afirma Paulo Salles, diretor-presidente da Adasa.

Paulo Salles descarta qualquer possibilidade de racionamento nas regiões do DF que são abastecidas pelos reservatórios do Descoberto, Santa Maria e pelo Lago Paranoá. Segundo ele, os casos são pontuais e estão relacionados à problemas que a Caesb vem enfrentando, como falta de energia e quebra de adutora.

Salles aponta apenas que os pontos mais preocupantes são os abastecidos por poços e córregos que, pela longa estiagem, estão mais vulneráveis. Esses locais ainda dividem o abastecimento com agricultores, como é o caso de Sobradinho e Planaltina: “Nós estamos passando por um tempo difícil. Esses ribeirões e córregos que a Caesb capta estão com a vazão muito baixa. Enquanto perdurar essa situação, existe o risco de acontecerem as interrupções pontuais.”

De acordo com a Adasa, os reservatórios do Descoberto e de Santa Maria, que abastecem 85% do DF estão em níveis satisfatórios.

Iana Caramori/Esp. Metrópoles
Juciene é dona de um salão de beleza no Lago Sul e sofre com a falta d’água
Transtornos no comércio

Na semana passada, o Metrópoles mostrou o problema de consumidores de seis regiões do DF. Apesar de não constar na lista da Adasa, os moradores e comerciantes do Lago Sul também se queixam. Juciene Nunes, 49 anos, é dona de um salão no comércio da QI 29. Ela conta que os cortes são comuns e prejudicam o negócio. Para não deixar clientes na mão, ela passa parte do dia enchendo baldes no hidrante, uma vez que o imóvel não tem caixa d’água.

“Tem dois meses que está assim. Falta, pelo menos, duas vezes na semana. Imagine ter de ficar esses dias sem trabalhar”, explica. Para piorar, o desabastecimento costuma ocorrer em dias de grande movimento, como às sextas e sábados. Segundo a Caesb, os transtornos têm sido causados porque a rede está em manutenção.

Já acostumada aos cortes sem aviso prévio, Rosa Almeida, 40, sempre tenta manter reserva de água. “Me antecipo e limpo o salão, porque deve faltar água. Já aproveito e encho baldes também”. A proprietária de um salão no mesmo prédio conta ter perdido sete clientes em um mesmo dia por da supressão. “Sábado passado ficamos o dia inteiro sem água”, diz.O mesmo acontece no Condomínio Vilages Alvorada, próximo à Ermida Dom Bosco. Francisca Caravellas, 66, depende da água não só para o uso pessoal, mas também para trabalhar. Conservadora de bens materiais, ela se prepara um dia antes após quase um mês de cortes constantes.

“Estamos lavando papel para restauração. Precisei guardar água porque se faltasse, eu não ia conseguir trabalhar”, conta. Ela explica ainda que alguns hábitos mudaram em casa: “Tomamos banho rápido, lavamos a louça rápido, e não posso molhar o jardim, que é uma das coisas que eu mais gosto de fazer.”

A conservadora afirma que se não tivesse trocado a caixa d’água para uma maior, os problemas seriam maiores.

Caesb

A Caesb explica os motivos e o que está fazendo para reverter o quadro. A estatal destaca que, no caso de Sobradinho e Planaltina, foi necessário contingenciar o abastecimento devido à repentina redução da disponibilidade de água no Ribeirão Pipiripau, principal manancial dessas localidades. “A Adasa, responsável pelo gerenciamento dos recursos hídricos, atuou no sentido de alocar mais água para as cidades e, no último final de semana, foi possível restabelecer o abastecimento na região. Entretanto, as negociações com os usuários da bacia continuam”, informou a companhia.

Já São Sebastião, Jardim Botânico, Setor de Mansões Dom Bosco e parte do Lago Sul (QIs 26 a 29) enfrentam situação semelhante, mas por outros motivos. “Essas localidades são abastecidas por transferência do Sistema Torto-Santa Maria, pelo Córrego Cabeça de Veado e por poços profundos. Alguns desses poços sofreram paradas bruscas de funcionamento, seja por interrupção no fornecimento elétrico, seja por panes elétricas ou mecânicas, obrigando o acionamento imediato de equipes de manutenção para a correção dos problemas”, assinalou.

De acordo com a empresa, devido ao alto consumo, precisou fazer interrupções emergenciais no abastecimento. “As populações que moram em regiões mais altas, como a Vila do Boa em São Sebastião, sentiram o problema por mais tempo, exatamente pela demora no restabelecimento das pressões normais de abastecimento”, afirmou.

A Caesb diz que, graças a ajustes no sistema, houve acréscimo significativo na transferência de água para esse sistema, com aumento na vazão em 24 litros por segundo, o que tem colaborado na normalização do abastecimento dessa região.

A empresa informa que houve rompimento na adutora de água tratada do Taquari, provocado pelas obras do Trevo de Triagem Norte. “Por essa razão, houve interrupção do abastecimento para os condomínios Taquari, RK, Centauros, Condomínios de Sobradinho, na DF-150, e Minichácaras. O reparo já foi feito e o sistema voltará ao normal gradativamente. Mais um caso de manutenção emergencial, desta vez causado por obras de terceiros”, apontou a estatal.

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