Brutal assassinato de mãe e filha no DF completa um mês sem respostas

Familiares temem que a tragédia que chocou a população do DF fique sem solução. PCDF diz que continua investigando em sigilo

atualizado 07/01/2022 23:37

Enterro de Shirlene e Tauane, mãe e filha mortas no DFno DFHugo Barreto/Metrópoles

Quem matou a dona de casa Shirlene Ferreira da Silva, 38 anos, grávida de 4 meses, e a filha dela, Tauane Rebeca da Silva, de 14? Esta pergunta desperta angústia em familiares e amigos. Há um mês, em 9 de dezembro de 2021, elas desapareceram após passeio em um córrego no Sol Nascente.

Os corpos foram encontrados 11 dias depois em uma mata fechada. Estavam cobertos com folhas e com sinais de esfaqueamento. A família pede empenho das autoridades para que a barbárie não fique impune.

Veja imagens do enterro:

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Sem respostas, a irmã de Shirlene, a cabeleireira Shirlei Vieira da Silva, 39, vive dias de tristeza. A sandália de minha sobrinha foi encontrada numa cachoeirinha logo depois do desaparecimento. Mas preferiram acreditar na hipótese de afogamento e na história da fuga. Não teve tromba d’água. Minha irmã não ia fugir. As coisas dela estavam todas em casa. A família alertou, mas não ouviram a gente”, desabafou.

 

Monstro

Para Shirlei, o responsável pelo crime é um monstro. “Está doendo muito. Foram três vidas. Tenho certeza que minha irmã pediu misericórdia. Pediu pela vida da filha e do bebê. Mas esse monstro não teve dó e nem piedade”.

Shirlene faria o teste para saber o sexo neném em dezembro. E a irmã estava ajudando a montar o enxovalzinho da criança. As duas tinham uma ótima relação. “Eu tenho uma filha de 1 ano, a Heloísa. Ela fez aniversário em 24 de dezembro. Não conseguimos nem comemorar”, comentou.

Shirlene vivia em uma casa perto do córrego. A região onde os corpos foram encontrados é a mesma onde Cleonice Marques de Andrade, uma das vítimas de Lázaro Barbosa, foi morta pelo maníaco que aterrorizou o DF e o Entorno, em junho de 2021. O local é conhecido como  “Córrego da Morte”.

Sem chão

A dona de casa deixou o marido, o pintor Antônio Wagner Batista da Silva, de 41, e dois filhos, um rapaz de 21 anos e um garoto de 12.

Antônio não vive mais na casa. A dor impede que ele consiga dormir na residência. Visita o local apenas alguns dias por semana para alimentar os gatos e cachorros de estimação. Mas já procura um novo lar para os animais. “Me sinto no chão. Minha vida era minha família. E alegria da casa era minha filha e minha mulher. Só Deus mesmo para me confortar”, afirmou.

O pintor confia no trabalho de investigação da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF). “Estou esperando as autoridades pegarem quem fez isso. Só assim eu terei paz. Outras famílias nadam naquele córrego, com crianças. Outras pessoas podem morrer se esse maníaco continuar solto. Esse caso precisa ter solução”, alertou.

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Antônio busca forças para reconstruir a vida. “Estou tentando achar um novo chão, mas não está fácil”, resumiu. O pintor está preocupado com o impacto das mortes na vida do filho mais novo. O caçula não assimilou o episódio. Além de dedicar mais atenção para o menino, o pintor avalia buscar a ajuda de um médico.

Investigação em curso

O Metrópoles entrou em contato com a Polícia Civil sobre o caso. Por nota, a instituição afirmou: “A investigação segue em andamento e em sigilo para não haver prejuízo. A PCDF espera, em breve, divulgar o resultado do trabalho de investigação realizado”.

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