*
 

Fátima Bernardes lançou um questionamento em seu programa: quem um médico deveria atender primeiro? Um policial, levemente ferido, ou um traficante, que corresse risco de morte? A questão ganhou força nas redes sociais e dividiu opiniões. Uma jovem de Brasília* fez um relato em seu Facebook no qual defendeu que “bandido bom é bandido morto”. A publicação conta com mais de 10 mil curtidas e 3.650 compartilhamentos.

A brasiliense escreve como se conversasse com Fátima Bernardes e descreve suas experiências durante aulas práticas de enfermagem no Hospital de Base de Brasília (HBDF). Ela conta histórias que a fizeram desistir do curso e estudar para se tornar policial. No hospital, existe um andar voltado ao atendimento exclusivo a pacientes criminosos, conhecido como “Papudinha”, em referência ao Complexo Penitenciário da Papuda.

A ex-aluna do curso de enfermagem relata o caso de um assaltante que chegou cravejado de balas em todo o corpo, inclusive na boca, e que ainda assim xingava toda a equipe médica, exigindo que salvassem sua vida. Esse episódio em especial fez a jovem refletir e desistir de atuar na área da saúde.

“Não teria SAMU, não teria médico, não teria código de ética algum que salvaria aquele cara. Eu não era obrigada a ser conivente com uma classificação de risco que prioriza o atendimento de alguém que estupra, que mata, que faz o mal, que chega aos pedaços, mas vivo, me xingando, me dizendo que tenho que salvar a vida dele”, argumentou no texto.

A jovem escreveu sobre os riscos que os profissionais do setor enfrentam ao cuidar desses pacientes. “Tentando colaborar com o Sistema Único de Saúde (SUS), ofertando nosso trabalho àquele pessoal algemado nas macas, com balas em todo corpo, se a gente brincasse ‘dava ruim’ pra nós”, escreveu.

Com riqueza de detalhes, a brasiliense narrou outros casos que revoltaram os leitores e geraram comentários em defesa da “morte aos bandidos”.

*Após a publicação da reportagem, a jovem excluiu o post do Facebook. Ela procurou a redação do Metrópoles e pediu que seu nome fosse retirado do texto, por causa da enorme repercussão. 

 

 

COMENTE

polêmicabandidoFátima
comunicar erro à redação

Leia mais: Distrito