Assassino de Giovanna Peters já havia agredido a jovem antes

Leandro de Araújo Marques, 22 anos, teria agredido a jovem, mas a vítima não chegou a registrar ocorrência contra ele

atualizado 03/12/2021 12:52

Homem de blusa cinzaMaterial cedido ao Metrópoles

Antes de degolar a namorada, Giovanna Laura Peters, de 20 anos, Leandro de Araújo Marques, 22, já havia agredido a jovem em outra oportunidade. Segundo a família da vítima, o acusado teria jogado um celular contra a cabeça da moça. No entanto, o fato não teria sido denunciado à polícia. Para os investigadores do caso, o registro da ocorrência poderia ter evitado o feminicídio.

Pai ligou para a PCDF após filho confessar ter matado Giovanna Peters

Segundo o delegado-chefe da 23ª Delegacia de Polícia (Ceilândia), Gustavo Farias Gomes, Leandro apresentava arranhões no pescoço, indicando luta corporal com a vítima. “A denúncia é importante, porque você corta o mal pela raiz”, pontuou o delegado, frisando a importância da denúncia, em casos de violência contra a mulher.

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O chefe da unidade policial disse que Leandro tem um perfil extremamente frio. Segundo o investigador, o suspeito conversou com a família da jovem e prestou depoimento à Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF). Inicialmente, o acusado negou qualquer envolvimento no desaparecimento da jovem e tentou despistar a investigação, antes de confessar o crime.

Leandro contou ao pai que matou a jovem, dentro de casa, em Ceilândia. A confissão aconteceu após os dois chegarem da 23ª DP, onde, na companhia de um advogado, Leandro prestou esclarecimentos aos investigadores. Não convencidos, os policiais aconselharam ao pai de Leandro que conversasse em particular com o filho, pois as informações dadas por ele estavam desencontradas.

Jovem de 20 anos foi degolada e teve corpo ocultado pelo namorado

A confissão de Leandro ao pai aconteceu às 2h desta sexta-feira (3/12). Assim que ouviu do filho que teria matado a namorada, Paulo Cláudio Marques ligou para a delegacia e entregou o rapaz, que se comprometeu a indicar o local exato onde teria desovado o corpo de Giovanna.

O cadáver da jovem estava coberto por pedras, em uma estrada de chão próxima à antiga Academia da Polícia Civil, em Taguatinga. Ela estava desaparecida desde segunda-feira (29/11), quando foi para a casa do namorado, em Ceilândia Sul. A coluna apurou que o jovem degolou a namorada dentro de casa após os dois terem uma briga.

A família de Giovanna registrou boletim de ocorrência, informando do desaparecimento da menina. Ela teria saído de casa na tarde do domingo (28/11) e dito que dormiria na casa do namorado. Porém, no dia seguinte, Leandro disse que Giovanna teria pego um transporte de aplicativo e ido embora. Segundo ele, o carro era um Ônix prata.

A partir desse momento, Giovanna ficou incomunicável. As ligações da família caíam direto na caixa postal e as mensagens de texto sequer eram entregues, sinalizando que o aparelho celular dela estaria desligado. A mãe da moça, Erika Neves Arruda dos Santos, 42 anos, ainda pediu auxílio de Leandro para localizar a filha. Ela acreditava que o jovem poderia ajudar a polícia com mais informações.

Na delegacia, Erika ligou para Leandro, pedindo que ele comparecesse à unidade policial, afim de ajudar nas investigações. Porém, ele teria dito que não conseguiria comparecer ao local, pois estaria trabalhando em uma chácara.

Diante disso, os policiais foram até o local onde o suspeito trabalhava e colheram o depoimento. Inicialmente, ele disse tê-la visto pela última vez somente na segunda-feira pela manhã.

À PCDF, Leandro detalhou que, no fim de semana, passou a noite sozinho com Giovanna. Durante as investigações, os policiais conseguiram identificar pontos divergentes na versão do rapaz, uma vez que nenhum motorista por aplicativo teria sido acionado ao endereço, conforme ele havia informado.

Polícia encontra corpo de jovem de 20 anos desaparecida no DF

Os policiais, então, voltaram à residência do suspeito com o objetivo de localizar o celular da jovem. No local, os investigadores perceberam manchas de sangue em uma cadeira da sala. No imóvel, também tinha uma camiseta branca com manchas, aparentemente, de sangue em um cesto de roupas que estava no banheiro.

Na lavanderia, as equipes encontraram um facão com manchas escuras. Os indícios fizeram com que os policiais acionassem a perícia para o local. Os peritos chegaram ao local de madrugada e confirmaram as manchas de sangue na cadeira e no chão da sala.

Também havia vestígios na porta de um dos quartos. Os investigadores descobriram ainda que, na noite do último domingo (28/11), Leandro teria circulado por Ceilândia, fato também omitido pelo autor.

Confissão

Após indicar o local onde teria escondido o corpo de Giovanna, Leandro recebeu voz de prisão e não reagiu. Ele relatou que havia terminado o relacionamento com a vítima e que retornaram posteriormente. Porém, tomou conhecimento de que ela havia se relacionado com outras pessoas, motivo pelo qual teriam iniciado uma discussão.

Segundo o acusado, a vítima o xingou e o agrediu fisicamente, oportunidade em que ele a segurou por trás e cortou o pescoço com uma faca. Depois, ele pediu o carro de um amigo emprestado e o usou para levar o corpo até a mata. Questionado informalmente sobre o celular da vítima e a faca utilizada no crime, o jovem disse que havia jogado fora.

O caso é investigado como feminicídio e, se condenado, Leandro pode pegar até 30 anos de prisão.

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