Advogado diz que amigo do acusado de traficar animais apresentou “fatos novos” à PCDF

No entanto, segundo o defensor de Gabriel Ribeiro e a polícia, informações não podem ser divulgadas para não atrapalhar as investigações

atualizado 29/07/2020 20:16

Caso Naja: Gabriel chega à DP para depôrRafaela Felicciano/Metrópoles

O estudante de medicina veterinária Gabriel Ribeiro, 24 anos, prestou o terceiro depoimento à 14ª Delegacia de Polícia (Gama) na tarde desta quarta-feira (29/7).  Ele está preso, acusado de atrapalhar as investigações da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) sobre suposto esquema de tráfico de animais na capital do país. A nova oitiva foi a pedido da defesa do investigado, segundo os representantes de Gabriel Ribeiro.

Conforme contou o advogado Gabriel Freire, o acusado trouxe fatos que contribuem para a investigação. “Não podemos dizer o que é, por ser sigiloso, mas são informações novas”, disse o defensor, ao deixar a delegacia. Os investigadores responsáveis pelo caso tampouco revelaram o teor da oitiva.

De acordo com Freire, essa foi a única razão da presença de Gabriel na DP nesta quarta. Até o momento, a defesa não apresentou pedido de soltura do estudante de medicina veterinária, que estaria “visivelmente ameaçado” ao tentar proteger outros investigados no esquema, como aponta documento da PCDF ao qual o Metrópoles teve acesso.

O terceiro depoimento foi colhido no mesmo dia da prisão de Pedro Henrique Santos Krambeck Lehmkuhl, 22, que sobreviveu à picada da cobra Naja kaouthia criada ilegalmente por ele como animal de estimação. A partir do incidente, a PCDF passou a apurar a entrada irregular do animal no Distrito Federal. A serpente é originária da África e da Ásia, não existindo em qualquer habitat brasileiro. Gabriel teria escondido a Naja após Pedro, seu amigo, ser picado.

Vestido de branco, traje característico de quem está no sistema penitenciário do DF, Gabriel chegou à delegacia no início da tarde, com o rosto coberto por um casaco (foto em destaque). Com uma marmita de isopor nas mãos, o suspeito não falou com a imprensa e entrou na unidade policial de cabeça baixa. Deixou o prédio já à noite, por volta das 19h30, para retornar à carceragem do Departamento de Polícia Especializada (DPE), onde segue detido.

Veja o vídeo que mostra o rapaz chegando à DP:

E da saída de Gabriel da unidade policial:

Ameaçado

Um novo documento que faz parte do inquérito conduzido pela PCDF, ao qual o Metrópoles teve acesso com exclusividade, aponta que Gabriel “encontra-se visivelmente ameaçado”, uma vez que procura proteger o padrasto de Pedro, o coronel da Polícia Militar do DF (PMDF) Clovis Eduardo Condi. Segundo o documento, desde o início das investigações, integrantes do Batalhão de Polícia Militar Ambiental (BPMA) têm atuado na tentativa de desvincular as serpentes localizadas aos investigados.

“Conforme fica evidenciada, inclusive por denúncia anônima, a atuação de policiais daquele Batalhão na tentativa de ocultar os fatos, bem como pelo depoimento de Gabriel no sentido de que foi interrogado por policiais militares no Cetas/Ibama, quando foi realizar a entrega espontânea de duas serpentes, após orientação, e pelo fato de ter o BPMA comparecido à residência de Gabriel no dia anterior ao cumprimento de mandados de busca e apreensão, fato que atrapalhou sobremaneira as investigações”, destacou a PCDF.

Após ser picado por uma Naja, Pedro se tornou suspeito de integrar associação criminosa de tráfico de animais. Durante as apurações, os policiais chegaram até Gabriel Ribeiro, que escondeu a serpente perto do Shopping Pier 21, no Lago Sul. Ele é acusado de crimes de maus-tratos, posse ilegal de animais silvestres e crime contra a saúde pública.

Veja outras imagens do caso: 

 

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Tráfico

Segundo a PCDF, a partir dos elementos colhidos durante as investigações, foi possível verificar, pela grande quantidade de animais apreendidos, que “Pedro Henrique é traficante de animais silvestres e não mero colecionador.”

Com relação ao coronel Clovis Eduardo Condi, da PMDF, embora também ele já tenha negado que tivesse conhecimento das serpentes, há elementos que ligam o militar aos crimes. Os investigadores tiveram acesso a imagens do elevador do condomínio residencial da família e na casa de Gabriel Ribeiro.

As gravações mostram o militar ajudando a esconder cobras clandestinas. Condi, acompanhado por seu filho menor, retirou as serpentes do interior da residência da família, e mandou, juntamente com a mulher e mãe de Pedro, Rose Meire, que Gabriel “desse sumiço” nos animais, os quais foram localizados em um haras de Planaltina. Gabriel contou com o auxílio de uma mulher para ocultar as serpentes.

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