Acusada de suposta fraude em cotas no concurso da PF se defende

Caso ganhou repercussão nas redes sociais. Concursada rebate acusações: ela se auto-declara negra e diz que pediu exoneração da corporação

Candidata aprovada em concurso público da Polícia Federal é acusada de suposta fraude no sistema de cotas raciais da seleção. A prova ocorreu em 2018 e foi realizada pelo Centro de Seleção e de Promoção de Eventos (Cebraspe), ligado à Universidade de Brasília (UnB).

Diversas fotos de Glaucielle da Silva Dias invadiram as redes. Os internautas questionavam se ela é, de fato, negra. Glaucielle publicou vídeo rebatendo as acusações e alegando que não cometeu fraude na seleção.

“A minha mãe é negra. A minha avó é negra. Eu não fiz nada de errado”, afirmou. Ela diz ter pedido exoneração da PF, para cuidar de projetos pessoais. “Eu sou uma parda negra. E tenho orgulho enorme de ser”, declarou.

Veja o vídeo de defesa de Glaucielle:

Confira imagens que circularam pela internet:

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Mulher é acusada de suposta fraude em cotas raciais no concurso da PF
Glaucielle da Silva Dias nega ter cometido fraude no concurso

A banca organizadora do concurso no qual Glaucielle foi aprovada publicou nota sobre o caso. “Compete ao Cebraspe observar a legalidade dos procedimentos relacionados ao concurso público e garantir as informações e documentos necessários para eventual apuração de crime”, ressaltou.

Segundo a entidade, havendo suspeita de fraude, cabe à instituição encaminhar a documentação do caso para a polícia. “O Cebraspe reforça, ainda, que repudia tentativas de fraudes que maculem o sistema de cotas para negros”, concluiu.

Leia a nota do Cebraspe na íntegra:

“O Cebraspe informa que todos os candidatos do concurso para a Polícia Federal (PF) que concorreram às vagas reservadas aos candidatos negros, que fizeram a autodeclaração no momento da inscrição e que foram aprovados nas provas se submeteram ao procedimento de heteroidentificação complementar à autodeclaração. Esse procedimento consiste basicamente na análise do fenótipo do candidato: a banca avalia se o candidato possui características físicas de uma pessoa negra, por meio da verificação da textura dos cabelos, da cor da pele, entre outras. Esse procedimento é feito por banca composta por cinco membros, todos com experiência em políticas públicas de enfrentamento ao racismo. Para garantir a lisura do procedimento e evitar fraudes, os editais possuem uma regra que traz a possibilidade de eliminação do candidato quando se constata que a autodeclaração feita no momento da inscrição é falsa.

Ainda sobre o caso citado, compete ao Cebraspe observar a legalidade dos procedimentos relacionados ao concurso público e garantir as informações e documentos necessários para eventual apuração de crime. Havendo suspeita ou denúncia de que fraude tenha ocorrido, o que cabe a este Centro é enviar todas as informações necessárias à apuração para a polícia, que procederá com as investigações.

O Cebraspe reforça, ainda, que repudia tentativas de fraudes que maculem o sistema de cotas para negros.”

Em nota, a PF informou que apura as circunstâncias do fato.

Defesa de Glaucielle

Os advogados de defesa de Glaucielle negam que ela tenha realizado qualquer fraude no exame de heteroidentificação no concurso da Polícia Federal de 2018.

“Jamais ‘se pintou’, ‘utilizou maquiagem preta’ ou ‘utilizou peruca’ (muito menos quando da submissão ao exame de heteroidentificação), Considera-se e é, sim, negra, tendo mãe e avó negras”, destacaram os advogados em nota enviada ao Metrópoles.

Os advogados reforçaram a versão apresentada por Glaucielle sobre o desligamento na PF. Ela e o companheiro, que também era integrante dos quadros da corporação, pediram exoneração para morar em João Pessoa (PB) a fim cuidar de outros projetos profissionais.

“Não havia qualquer PAD (procedimento administrativo disciplinar) ou sindicância para apurar qualquer ‘fraude’. Saiu por opção (conveniência pessoal)”, afirmaram os advogados.

A defesa vai apurar a responsabilidade pelo vazamento das fotos retiradas durante o exame de heteroidentificação. E planeja ajuizar ações cíveis e penais para penalizar os culpados e reparar os danos sofridos em razão das informações inverídicas e danosas veiculadas.