Comerciantes pedem que revitalização da W3 se estenda por toda avenida

Até o momento, segundo a Secretaria de Infraestrutura do DF, 90% dos serviços nas quadras 511 e 512 Sul foram concluídos

atualizado 18/08/2019 6:59

Allane Moraes/Especial para o Metrópoles

As obras de revitalização de duas quadras da W3 Sul completaram quatro meses. As intervenções agradam, mas comerciantes e moradores pedem que as melhorias alcancem os 12km da icônica avenida. Segundo a Secretaria de Infraestrutura do Distrito Federal, 90% dos serviços estão concluídos, mas as benfeitorias só serão finalizadas em setembro, com dois meses de atraso do cronograma inicial.

Segundo informações da pasta, as chuvas que se estenderam até o fim de maio retardaram o calendário. Com o início da estiagem, o ritmo foi retomado e novo prazo estabelecido.

Demanda antiga da população, a recuperação nas duas quadras de uma das mais tradicionais vias da capital do país é considerada um projeto piloto a ser replicado em toda a extensão das W3 Sul e Norte. O custo da obra é de R$ 1,78 milhão. A empresa vencedora da concorrência pública foi a Vital Engenharia, que apresentou proposta mais econômica.

Na quinta-feira (15/08/2019), Metrópoles visitou o canteiro de obras. No caminho, cones de sinalização isolam parte da pista. Também há aberturas na calçada, além de entulhos e poeira.

“Todo o transtorno que estamos passando agora é válido. Demorou muito tempo para começar uma intervenção nesta avenida que já foi a mais importante da capital da República. Nós, comerciantes, já estávamos acostumados a chamar isso aqui de lixão. Agora, acreditamos que vai melhorar”, disse o comerciante Romeu Soares, 62 anos, que trabalha em um sebo de livros na 512 Sul há quase duas décadas.

 O alfaiate José Geraldo Gomes, 65, proprietário de uma banca de costura há 25 anos no comércio da W3, admite ter cansado de ouvir do GDF a promessa de revitalização da avenida.

“Outras gestões fizeram pouco caso e nada cumpriram. Ouvíamos as promessas, mas nunca teve ação. Agora, estamos neste ensaio de revitalização. Acredito que ainda há muito para ser feito. Necessitamos de um trabalho nas 30 quadras desta avenida, que contemple os lados Sul e Norte. Por enquanto, estão mexendo apenas em duas. Os lojistas estão muito esperançosos: tomara que o trabalho realmente seja feito nos outros endereços”, afirmou.

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No ano passado, o Metrópoles mostrou os problemas na região, como os inúmeros obstáculos e a falta de acessibilidade nas calçadas. O abandono e a decadência da via mais icônica que liga as asas Sul e Norte ao longo de 12 km de extensão já fez muito comerciante fechar as portas.

O pedreiro Valdivino da Conceição Gonçalves, 63, se recorda bem do tempo em que o local era ponto de encontro da população brasiliense. “Frequentei muito na minha adolescência. Está longe de ser o que era. É um local que se acabou com os anos. Chegou à decadência e não acredito que as mudanças sejam perceptíveis. Vamos aguardar os próximos passos”, ponderou.

Na opinião do empresário Juarez da Silva Queiroz, 70, a tendência depois da revitalização é a de que a área volte a ter movimento. “Acredito que esse serviço vai atrair pessoas para frequentar a W3 e impulsionar a atividade financeira , facilitando a abertura de novas lojas e geração de emprego e renda”.

Benfeitorias

O assentamento das placas 40×40, assim como os serviços de colocação de pedras portuguesas estão praticamente concluídos. A troca do piso dos becos entre os blocos, a colocação de calçada intertravada e dos meios-fios na W2 Sul já foram finalizados.

A repaginação inclui acessos para pedestres mais alargados e pintura de sinalização horizontal. Serão refeitos estacionamentos e reproduzidos projetos de paisagismo e arborização. A iluminação de led já foi instalada.

O projeto de revitalização da W3 Sul é uma parceria entre o GDF e da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL). O presidente da entidade, José Carlos Magalhães Pinto, ressalta que o governo está arcando com a melhoria dos espaços públicos, em contrapartida, os lojistas estão reformando as fachadas das lojas.

“Em relação à fiscalização do DF Legal nas marquises dos prédios, que também precisam ser revitalizadas, todos os empresários cobrados por isso estão tomando as suas providências”, completou.

Abaixo-assinado

Empresários, trabalhadores e a comunidade que utilizam a W2 e a W3 Sul também se uniram em prol dos espaços. Por meio da Associação Brasileira de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Abrae), representantes criaram um abaixo-assinado para reivindicar a reforma da avenida por inteiro, no trecho das quadras 500. Eles pretendem colher 10 mil assinaturas e entregar o documento ao governo e à Câmara Legislativa do DF (CLDF).

“Estamos chegando quase na metade desse número. Já começou a revitalização de duas quadras, mas ainda precisamos de uma resposta precisa sobre essa requalificação. Também achamos que, neste momento, não é o caso de mexer no canteiro central. Isso fará parte da segunda etapa do processo com a execução do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), que é fundamental para a modernização do espaço”, afirmou o representante da entidade, Paulo Roberto Melo.

Em nota, a Secretaria de Obras esclareceu que a meta do GDF é revitalizar as vias W3 Sul e W3 Norte em sua integralidade. A pasta informou já está com a elaboração do projeto para revitalização das quadras 509/510 Sul e 513/514 Sul.

“Por causa do orçamento limitado, não é possível revitalizar toda a via W3 de uma vez. Por isso, o processo está ocorrendo em blocos. Além disso, cada quadra possui suas peculiaridades, razão pela qual o projeto de revitalização é individualizado”, respondeu.

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