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Era um dia comum quando o jornalista Rinaldo de Oliveira, então com 58 anos, percebeu que a rotina mudaria para sempre. Com histórico familiar — o avô morreu aos 63 anos, vítima de câncer de próstata —, ele sempre manteve os exames em dia. E foi justamente essa vigilância que salvou a vida dele.
Ao recordar o diagnóstico, ele destaca que o PSA — proteína produzida pela próstata e usada como marcador para avaliar a saúde da glândula — estava muito alto e que o tumor não aparecia nem na ressonância magnética.
“O urologista insistiu que havia algo errado e decidiu fazer uma pulsão. Foi aí que descobrimos o câncer em estágio inicial. Três meses depois, fiz a cirurgia robótica e, quatro anos depois, estou completamente bem: sem incontinência, sem disfunção, com vida normal. Ter sido acompanhado por um médico atualizado e atento fez toda a diferença”, relembra Rinaldo.

O caso do jornalista é um exemplo do poder da prevenção e do diagnóstico precoce — temas centrais do Novembro Azul, campanha mundial de conscientização sobre o câncer de próstata.
Saúde do homem
Para o coordenador regional da Linha de Cuidado de Urologia e da Saúde do Homem do Hospital Anchieta, Fernando Croitor, histórias como a de Rinaldo mostram o quanto a informação pode mudar destinos.
“O câncer de próstata segue como o tipo de carcinoma mais frequente entre os homens brasileiros, perdendo apenas para os tumores de pele. A boa notícia é que temos visto um aumento nos diagnósticos precoces, especialmente nas regiões mais desenvolvidas do país. Isso é resultado direto da conscientização e do diálogo aberto sobre saúde masculina”, explica o especialista.

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), são estimados mais de 71 mil novos casos da doença por ano no Brasil no triênio 2023–2025, o que reforça a necessidade de ampliar o acesso a exames preventivos e quebrar o preconceito ainda existente em torno do tema.
Segundo ele, ainda há desafios importantes, principalmente entre pacientes atendidos pelo SUS e em regiões com menor acesso a exames como PSA e ressonância.
A desigualdade regional é um ponto crítico e precisa ser enfrentada com políticas públicas mais amplas.
Quanto antes o câncer for detectado, maiores são as chances de cura e menor é o impacto físico e emocional para o paciente e a família.
“O preconceito, porém, ainda é uma barreira. Muitos homens evitam o exame de toque retal — um procedimento rápido, simples e essencial para o diagnóstico. É um tabu que custa vidas. O toque, aliado ao PSA, permite detectar tumores que não aparecem em exames de imagem. É um ato de cuidado, não de constrangimento”, pontua Fernando Croitor.

Rinaldo de Oliveira sabe bem disso. Desde a cirurgia, ele se tornou um multiplicador da conscientização.
“Depois que contei minha história, recebi mensagens de amigos que também descobriram o câncer e me agradeceram por eu ter falado publicamente sobre o assunto. Muitos me pediram o contato do médico. É por isso que continuo incentivando: fazer o exame não dói, não humilha e pode salvar sua vida”, afirma.
Hoje, o jornalista leva uma vida plena — trabalha, viaja, namora e fala com leveza sobre o que um dia foi uma das notícias mais difíceis da vida. “Tomei um susto, claro. Pedi até para interromper uma conversa com o médico no início, porque não conseguia lidar com a situação. Mas, tudo deu certo. A gente precisa falar disso. Descobrir cedo muda o final da história.”

Neste Novembro Azul, o Hospital Anchieta reforça a importância do cuidado contínuo. Além das campanhas externas, a instituição promove ações internas de busca ativa, com contato direto com pacientes cadastrados para lembrar a importância do check-up anual.
“Nosso papel vai além do tratamento: queremos educar, prevenir e estar ao lado do homem antes que o problema apareça”, acrescenta Fernando Croitor.

Neste mês, o Hospital Anchieta promove uma campanha especial voltada para a saúde do homem. A iniciativa oferece consultas e exames a preço de custo e o exame de PSA gratuito no laboratório da unidade.
O objetivo é estimular o cuidado preventivo e facilitar o acesso da população aos serviços de saúde, reforçando a importância do diagnóstico precoce no combate ao câncer de próstata.

