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Fim dos alagamentos! Obras do Drenar DF já começaram na Asa Norte

Com investimento de R$ 174 milhões e sob gestão da Terracap, 7,68 km de túneis serão escavados para resolver problema de drenagem do bairro

atualizado 23/01/2023 16:28

Enxurradas, alagamentos, estragos. Em época de chuvas, essas ocorrências viram rotina na vida de moradores, comerciantes e motoristas que transitam pelo centro da capital federal, especialmente na área da Asa Norte. Mas esse pesadelo está com os dias contados. Começaram esta semana as obras do Programa de Gestão de Águas e Drenagem Urbana do Distrito Federal (Drenar DF).

A síndica do bloco D da quadra 202 da Asa Norte, Mônica Ferreira, de 52 anos, reside há mais de uma década no local e já passou por diversas dificuldades no período de chuvas, justamente porque não existe um sistema de captação de águas pluviais adequado.

“A garagem do meu bloco, o D, já foi inundada e tivemos perda total de 10 veículos e de objetos guardados na garagem.”

Mônica Ferreira, síndica do bloco D da quadra 202 da Asa Norte

De acordo com Mônica, já tiveram casos em que pessoas chegaram a simular que estavam surfando de tanta água acumulada.

“Quando chove, acontecem mais do que danos materiais. Uma vez, por exemplo, retirei uma criança da enxurrada para evitar que ela fosse carregada pela chuva”, relembra o empresário Leonardo Galvão, 39, que tem comércio na mesma quadra.

Para resolver essa demanda antiga da população, no último dia 10, o Drenar DF, que cruzará a W3 Norte, foi oficializado pela governadora em exercício, Celina Leão, e pelo secretário de governo, José Humberto Pires de Araújo.

Contratos de obras

Com investimento de R$ 174 milhões e sob gestão da Agência de Desenvolvimento do Distrito Federal (Terracap), as obras começaram na semana passada.

Pela extensão da obra, a Terracap entendeu por bem dividi-la em cinco lotes. “Nós já assinamos quatro contratos. O último agora está na fase final da licitação para ser homologado e assinado também, e a obra vai ser feita simultaneamente”, afirma o presidente da Terracap, Izidio Santos.

O que prevê o Drenar DF

Ao todo, serão 7,68 km de túneis para resolver o problema de drenagem das faixas 1 e 2 Norte. A nova rede subterrânea terá entre 6 e 22 m de profundidade.

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De acordo com o presidente da Agência, a obra foi toda concebida em método não destrutivo. O que isso significa? São escavações profundas, em que não é preciso abrir valas, assim como se faz em uma obra de metrô. Dessa maneira, terá danos mínimos ao trânsito e ao dia a dia da população. Em geral, a obra não será vista, mas, sim, sentida.

“A obra não terá desvio de trânsito nem nada do gênero. Ela será, inclusive, pouco vista.”

Izidio Santos, presidente da Terracap

O projeto inclui uma nova tubulação que começará nas imediações da Arena BRB Mané Garrincha e descerá à via L4 Norte, seguindo depois para o Lago Paranoá.

O equipamento seguirá paralelo às quadras 902, 702, 502, 302, 102, 202 e 402, cruzando com o Eixo Rodoviário Norte (Eixão) e com a L2 Norte, até chegar à L4 Norte, próximo ao Setor de Embaixadas Norte.

Planta Drenar GDF - Metrópoles
Planta geral do Drenar DF

Reservatório

Para receber as águas das chuvas das faixas 1 e 2 Norte, ao fim do percurso, será construído um reservatório. Implantado em uma área de 36 mil m², dentro do Parque Urbano Internacional da Paz, no Setor de Embaixadas Norte, o equipamento funcionará como uma lagoa, com volume útil de 70 mil m³ de água. 

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A lagoa será responsável por decantar as impurezas, permitindo a retenção da sujeira carregada pelas águas das chuvas até o Lago Paranoá.

Importância da obra

Prefeito da quadra 402 da Asa Norte, David Silva, 64, reforça a extrema importância da execução do Drenar DF. “Além da quadra 402, muitas outras são afetadas pelas correntezas, que causam alagamentos de garagens e lojas, deixando prejuízos ao moradores e comerciantes que esperam pela conclusão desse projeto há mais de três décadas”, aponta. 

“Além dos prejuízos materiais, ficamos em situação de alerta sobre possíveis tragédias. Afinal de contas, as enchentes põem em risco vidas, além do patrimônio e do sossego da população.”

David Silva, prefeito da quadra 402 da Asa Norte
Alagamento na Asa Norte - Metrópoles
Alagamento nas garagens dos blocos F e G da quadra 402 da Asa Norte, em dezembro de 2014

Aumento da capacidade

O presidente da Terracap, Izidio Santos, explica que, hoje, há uma rede de drenagem de água pluvial que foi executada na época da construção do Plano Piloto. E ela nunca foi aumentada.

O crescimento da cidade com novas vias, prédios e calçadas levou a rede existente além do limite suportado. Por esse motivo é que, quando chove, a água corre por cima da rua ao invés de ser por dentro de uma rede. E isso ocorre, em especial, nas faixas 1 e 2 Norte.

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Vale destacar que todos os trechos serão contemplados juntos pela obra. “No evento de lançamento, utilizamos como local as quadras 200 e 400 por serem o maior ponto de alagamento, mas não há um trecho iniciando sozinho”, indica Santos.

De acordo com o diretor técnico da Terracap, Hamilton Lourenço Filho, a rede existente não está sendo eliminada. O que está ocorrendo é uma duplicação, para aumentar a capacidade do sistema. “Ao contrário do que pensam, a rede existente está em funcionamento, mas ela não é capaz de captar todo o escoamento.”

Apoio

A Terracap recebeu apoio do Brasília Ambiental, do Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF), do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação (Seduh) e da Secretaria de Obras.

Na visão do presidente, a aprovação da obra só foi possível graças a essa integração entre os órgãos. “Por quase duas décadas, essa obra não foi executada porque não havia aprovação das lagoas a céu aberto para uso de reservatório. Após a união dos setores, a implementação do projeto foi possível”, salienta.

Acompanhamento da obra

Para que todos acompanhem o andamento da obra, a Terracap promoverá, em breve, visitas semanais a pontos específicos do projeto, como o Parque Internacional da Paz. “Queremos levar a sociedade civil, universitários, estudantes, moradores, comerciantes e até o próprio governo para conhecer, de perto, o que está sendo feito na capital”, antecipa Hamilton Lourenço Filho.

O projeto Drenar DF está iniciando a primeira etapa pelas quadras com finais 1/2. Ainda na Asa Norte, haverá uma segunda etapa para as quadras 10/11, que já está com o projeto em aprovação.

“Também vai ser realizada uma faixa na Asa Sul, nas quadras 12/13, em fase de levantamentos. E, por fim, uma etapa em Taguatinga, que está em revisão de projetos”, revela o diretor técnico da Terracap.