Cyberbullying: como pais e escola podem lidar com essa ameaça?

A palavra bullying resume o ato de intimidar ou amedrontar pessoas indefesas. Ela ganhou destaque mundial na última década por representar uma nova forma de violência, especialmente no ambiente escolar. O problema que já era considerado grave, pelo risco de causar danos físicos e psicológicos à vítima, tornou-se gravíssimo com o acréscimo da tecnologia na equação. Levantamento realizado pelo Instituto de Pesquisa Ipsos em 28 países revelou que o Brasil é o segundo em casos de cyberbullying contra crianças e adolescentes.

A advogada Alessandra Borelli, especialista em direito digital, explica que o termo cyberbullying se aplica à intimidações praticadas em ambiente virtual. “Ele não tem fronteiras ou limites. Justamente pelo ambiente que a prática ocorre, na maioria das vezes via redes sociais, rapidamente os agressores se multiplicam, assim como as testemunhas”, detalha.

Segundo a especialista, esse tipo de agressão (seja física, moral e/ou material) é sempre intencional e repetida várias vezes sem uma motivação específica. A vítima, que pode ser qualquer pessoa, não tem descanso e vê sua privacidade invadida. Pelo fato de o agressor se valer de um pseudo anonimato garantido nas redes sociais, não se sabe de início quem é o responsável pelos ataques virtuais e tampouco a razão de sua atitude.

A vitima chega a sentir dificuldade de dimensionar o dano e seus traumas, já que o agressor passa a estar em todos os lugares e a todo instante. Isso faz com que o sofrimento do alvo seja potencialmente maior, com os desdobramentos repercutindo, inclusive, em sua saúde física e também mental

Alessandra Borelli, advogada especializada em direito digital

Como identificar? 
Um dos maiores problemas do cyberbullying é que ele não fica restrito. Um simples desentendimento com colegas de classe, por exemplo, pula da sala de aula para a internet e viraliza em instantes. Assim, os ataques podem acontecer o tempo todo, além de se agravarem com mais rapidez por conta do uso intenso de celular e internet pelos jovens. Por isso, a atenção dos pais devem ser redobrada. A família deve se atualizar sobre o uso das novas tecnologias e estabelecer limites, como tempo máximo, local e forma de uso.

Também é preciso estar alerta para possíveis sinais de que o filho é vítima de bullying, como:

  • queda do rendimento escolar,
  • apatia,
  • tristeza,
  • medo,
  • perda ou aumento de apetite,
  • aversão a atividades antes prazerosas. 

Caso os responsáveis identifiquem o problema, devem agir imediatamente para evitar mais sofrimento à criança ou ao adolescente, procurando gestores da escola e de outras atividades praticadas pelo jovem para discutir o assunto. Juntos, educadores e famílias podem concluir que o caso exige auxílio de um profissional: psicólogo e/ou terapeuta.

O papel da escola
Ainda que esse tipo de violência não se restrinja ao ambiente escolar, as instituições de ensino não devem se omitir. Levantamento do Fundo das Nações Unidas para a Infância, o Unicef, publicado no ano passado, revelou que metade dos adolescentes entre 13 e 15 anos, cerca de 150 milhões de meninos e meninas em todo o mundo, sofre violência corporal ou psicológica por parte dos colegas, dentro e no entorno das unidades de ensino. As vítimas tendem a se tornarem mais isoladas e, consequentemente, não querem ir para a escola.

Em entrevista ao Metrópoles, a professora doutora do Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília (UnB) Angela Uchoa Branco afirma que pais, professores e diretores devem trabalhar em conjunto para combater casos dessa natureza. Enquanto os pais precisam estar atentos ao comportamento do filho em relação à escola, docentes devem ficar de olho na dinâmica da sala de aula, intervir cuidadosamente e ter tolerância zero com o bullying. É papel dos professores conversar, ouvir e argumentar com os alunos sobre cultura de paz. Aos diretores, cabe orientar os educadores e buscar a resolução pacífica de conflitos.

Por fim, os gestores precisam estimular trabalhos em conjunto com orientadores e pedagogos para que o bullying seja coibido. “Em se tratando de crianças e adolescentes, se de um lado a vítima precisa ser ouvida, acolhida e providências serem tempestivamente adotadas para cessar as ofensas, do outro o agressor também precisa conhecer os desdobramentos que sua atitude pode ganhar e dispor da mesma oportunidade para expressar suas motivações”, finaliza a advogada Alessandra Borelli. 

Educação do Amanhã 2019
Lançado em 2018 pelo Metrópoles, o projeto Educação do Amanhã tem o objetivo de discutir novas metodologias e conceitos do processo educativo, além de estimular novas habilidades nos jovens do século 21.

Neste ano, ao longo de duas semanas, o portal publicará uma série de conteúdos relacionados às mudanças na área da educação: o que esperar da escola do futuro, o universo tecnológico e as tendências no processo de aprendizagem. Além, é claro, do novo papel do professor diante deste cenário repleto de desafios.

A iniciativa tem patrocínio da Casa Thomas Jefferson, Colégio Ideal, Colégio Objetivo, AISEC e Colégio Marista João Paulo II.

O encerramento do projeto será marcado com a realização de um seminário no auditório do Edifício Íon, na SQN 212, Asa Norte (DF), que incluirá palestras inspiracionais, impactantes e reflexivas sobre como o processo educacional está em transformação nos dias atuais.

As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pelo Sympla. Confira as palestras:

Educação para o século XXI
Palestrante: Rui Fava

A sala de aula inovadora
Palestrante: Fausto Camargo

Culturas de pensamentos e investigação na escola
Palestrante: Clarissa Bezerra

Paula Filizola

Formada pela PUC-Rio, é especialista em ciências políticas e assessoria parlamentar. Chefiou o atendimento à imprensa do Ministério da Educação por três anos e, em seguida, atuou como assessora do canal público TV Escola. Já foi repórter de Brasil no Correio Braziliense, de entretenimento na Revista Caras e desde 2018 colabora com temas variados no time do Metrópoles.

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