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Criadores de conteúdo vivem boom de profissionalização no Brasil

Metade dos creators já vive 100% da profissão e um em cada dois com mais de cinco anos de carreira fatura acima de R$ 10 mil, mostra estudo

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Rafaela Lotto falando no microfone
1 de 1 Rafaela Lotto falando no microfone - Foto: Divulgação

atualizado

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A Creator Economy brasileira chegou à fase adulta. O que antes era visto como um universo experimental de jovens em busca de fama e “publis” virou, de fato, uma profissão estruturada, com planos de carreira, fontes diversificadas de renda e desafios típicos de qualquer mercado maduro.

Essa é a principal conclusão da sexta edição da pesquisa Creators & Negócios, conduzida pela YOUPIX, referência no setor.

O estudo revela um cenário de crescimento de receita, profissionalização e polarização entre quem vive integralmente da criação de conteúdo e quem ainda tenta se firmar.

“A gente já vinha observando uma aceleração da profissionalização dos creators e a pesquisa vem comprovar essa tendência. Ela também é fruto da maturidade do mercado”, destaca Rafaela Lotto, CEO da YOUPIX.

“Pela primeira vez, medimos quanto tempo o criador se dedica à profissão e vimos que 1 em cada 2 deles que criam há mais de cinco anos ganham acima de R$10 mil. Para viver 100 % da criação de conteúdo, o mais comum é ter entre 3 e 7 anos de carreira”, complementa.

Quando influência vira negócio

O levantamento mostra que a influência digital deixou de ser uma “modinha” e passou a ser uma carreira sólida e de longo prazo.

Hoje, metade dos criadores já vive exclusivamente da produção de conteúdo, um salto que reflete não apenas o aumento da demanda das marcas, mas também uma mudança na mentalidade dos próprios creators.

“A receita cresce com o tempo, não tem ‘milagre’, não tem ‘dar certo da noite pro dia’, como em qualquer carreira, é o tempo, a experiência e a resiliência que fazem com que os resultados cheguem.”

Rafaela Lotto, CEO da YOUPIX

“É o tempo, a experiência e a resiliência que fazem com que os resultados cheguem”, reforça Rafaela.

O amadurecimento também é visível entre os que estão chegando agora. Mesmo quem está começando já consegue alguma receita principalmente por meio de UGC (User Generated Content) e programas de afiliados, que permitem monetizar mesmo com poucos seguidores.

Essa tendência mostra o quanto o mercado se expandiu, oferecendo novos caminhos para diferentes perfis de criadores.

“O que separa o criador de conteúdo do empreendedor criativo é a capacidade de sustentar sua relevância, se profissionalizar e entender que influência é um negócio de longo prazo”, completa Rafaela.

Pirâmide da influência

A pesquisa mostra que, em 2025, a pirâmide de renda dos creators ficou mais polarizada. Cresceu a base de quem ganha menos e também o topo de quem fatura alto enquanto o “meio do caminho”, os que ganham entre R$ 2 mil e R$ 10 mil, perdeu espaço.

O levantamento da YOUPIX mostra três movimentos claros:

  1. Base em expansão: novos criadores chegando e ainda monetizando pouco.
  2. Miolo encolhendo: muitos que estavam no meio migraram, alguns se profissionalizaram e subiram, outros não conseguiram se sustentar e caíram.
  3. Topo consolidado: uma nova elite que aprendeu a escalar ganhos com gestão, constância e diversificação.

De acordo com o estudo, os creators que faturam acima de R$ 10 mil mensais representam cerca de 12% da amostra e têm em média mais de cinco anos de experiência, com múltiplas fontes de receita, como publicidade, UGC, produtos próprios e licenciamento.

Já a faixa intermediária, que recebia entre R$ 2 mil e R$ 10 mil e antes era majoritária, caiu para cerca de 35% da base. Por outro lado, os criadores que ganham até R$ 2 mil mensais agora somam mais de 40%, reflexo do aumento da concorrência e da entrada de novos perfis.

A pesquisa também revela que 53% dos criadores ainda precisam manter outro trabalho (CLT ou PJ) para complementar a renda. Esse dado reforça que, apesar da consolidação do mercado, a estabilidade financeira ainda é um desafio real para a maioria.

Monetização além da publi

A publicidade ainda é a principal fonte de receita do criador brasileiro, mas perdeu força.

Em 2025, o estudo mostra crescimento de modelos alternativos, como UGC, afiliados, infoprodutos e licenciamento, sinalizando um ecossistema mais maduro, menos dependente das marcas e mais voltado à autonomia criativa.

Entre os criadores iniciantes, o UGC lidera as formas de monetização. Já a publi tradicional se torna mais rentável a partir do segundo ano de carreira, com pico entre o terceiro e o sexto ano de atuação.

“A maturidade do negócio define quem transforma conteúdo em fonte estável de renda. O que separa os que vivem de influência daqueles que apenas experimentam é a consistência, quem entende o público, mensura resultados e se vê como uma empresa tem mais chances de sustentar o trabalho no longo prazo.”

Rafaela Lotto, CEO da YOUPIX

Ainda assim, 3 em cada 10 creators não monetizam, a maioria deles com menos de um ano de produção de conteúdo, um indicativo de que o processo de consolidação exige tempo e planejamento.

Mais representatividade, mas a desigualdade persiste

Pela primeira vez, a pesquisa mostra uma maioria de criadores negros: 49,8% se autodeclaram pretos ou pardos, superando o percentual de brancos e refletindo uma Creator Economy mais próxima da realidade brasileira.

A presença feminina também continua predominante: 74,9% dos criadores são mulheres, o que reforça o papel das redes como espaço de protagonismo e voz.

No entanto, a equação da visibilidade ainda é desigual. Os creators negros continuam ganhando menos, em média, que os brancos, um sinal de que o desafio agora não é apenas estar presente, mas acessar oportunidades de monetização de forma equitativa.

Menos burnout, mais hate

Depois de anos de alerta sobre saúde mental, a pesquisa mostra uma queda nos casos de burnout entre criadores. O resultado indica uma mudança de comportamento: há mais consciência sobre pausas, limites e autocuidado.

Ainda assim, o impacto emocional segue alto: 74,8% afirmam sofrer algum tipo de discurso de ódio on-line, o que afeta diretamente o engajamento e a motivação para produzir.

Os criadores de baixa renda são os mais vulneráveis emocionalmente, especialmente os que ganham até R$ 2 mil por mês, reforçando a relação entre pressão financeira e saúde mental.

O retrato da nova economia criativa

Mais do que um levantamento de números, a pesquisa Creators & Negócios 2025 retrata um setor em transformação.

De um lado, milhares de novos criadores experimentando as primeiras receitas; de outro, uma elite consolidada que aprendeu a gerir, diversificar e escalar o próprio negócio.

No meio, um grupo que tenta equilibrar sonhos e boletos, em um mercado cada vez mais competitivo e, ao mesmo tempo, mais maduro. A Creator Economy já não é mais sobre likes: é sobre longevidade, relevância e visão empreendedora.

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