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Cooperativismo tem ajudado a transformar o mercado de trabalho no DF

Com alta nos índices de desemprego, esse tipo de sistema de trabalho tem apresentado uma série de vantagens para empreendedores

atualizado 20/09/2021 17:50

O rápido avanço da covid-19 registrado em todos os países em 2020 estabeleceu uma série de desafios para a humanidade. Meses atrás, ninguém poderia imaginar que aquele ano seria um período caracterizado por medo, incertezas e impactos socioeconômicos que prejudicariam a milhares de empreendimentos e pessoas.

Uma grande quantidade de empresários precisou fechar as portas dos seus negócios, fazendo com que milhares de pessoas perdessem as principais fontes de renda. Contudo, muitos trabalhadores passaram a enxergar no cooperativismo – modelo de negócios no qual pessoas cooperam em prol de mútuos benefícios sociais, econômicos e culturais –  a solução para se reorganizarem no mercado.

Cooperativas são organizações de pessoas que reúnem os mesmos interesses na realização de alguma atividade econômica, organizadas de forma democrática, com participação e deveres distribuídos igualitariamente. Esse formato permite obter, entre outras coisas, vantagens econômicas a partir da eliminação – ou redução – de intermediários no processo produtivo, além de alavancar poder de negociação junto a fornecedores e facilitar a obtenção de crédito.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que 48% de tudo que é produzido no campo brasileiro passa, de alguma forma, por uma cooperativa. O Distrito Federal faz parte desses números. Mesmo com a pandemia, a capital federal teve uma situação diferenciada em relação a outros estados, com um crescimento de mais de 5% no número de associados a alguma cooperativa.

Atualmente, o Distrito Federal conta com 78 cooperativas registradas na OCDF (Organização das Cooperativas do Distrito Federal), braço da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) na Capital da República. Juntas, elas reúnem mais de 227 mil cooperados e geram 2.252 empregos diretos.

Uma dessas instituições é a CooperSystem, a maior cooperativa do Brasil na área de tecnologia, que registrou um crescimento considerável durante os últimos meses. A diretora Elza Cançado explica que, apesar das adversidades ocorridas em decorrência da pandemia, os cooperados da CooperSystem se adaptaram muito bem ao regime de home office. Segundo ela, a evolução da cooperativa se deu pelo fato de que muitos clientes precisaram passar por uma atualização tecnológica “forçada” nos negócios.

“A pandemia favoreceu as empresas que ofereciam soluções de TI. De repente, todo mundo precisou de uma solução digital e acabou procurando quem oferecesse esses serviços, como a CooperSystem. Estamos muito satisfeitos por cumprir nosso trabalho com êxito. Nosso sistema de home office funcionou tão bem que, mesmo com o fim da pandemia, manteremos um modelo híbrido com nossos cooperados”, explica a diretora.

Além disso, Elza conta que um dos fatores importantes para o bom resultado é que eles nunca perderam a interação com os associados, apesar de precisarem lidar com a distância física. “Claro que nada substitui um abraço, mas intensificamos a realização de eventos virtuais, fazemos brincadeiras, festas e até mandamos para a casa dos cooperados kits com comidas e bebidas. Tudo para que a nossa relação continue fortalecida”, acrescenta Elza.

Outras cooperativas que também evoluíram na pandemia são as que atuam em ramos como os de crédito, agropecuário – principalmente as que reúnem produtores de grãos, como milho e soja – e as de trabalho, sobretudo aquelas que oferecem serviços na área de saúde, já que, por conta da pandemia, houve um considerável aumento nos atendimento em home care. Além disso, muitas organizações adotaram estratégias para não demitir os empregados – algumas, inclusive, conseguiram aumentar o quadro de funcionários.

Presidente da OCDF, Remy Gorga Neto: “Cooperativas têm se profissionalizado, principalmente na gestão”

Na avaliação do presidente do Sistema OCDF, Remy Gorga Neto, apesar da situação atípica, o cooperativismo está conseguindo enfrentar a pandemia. “Mesmo no período da pandemia, as cooperativas tiveram um bom desempenho. Elas estão se profissionalizando, principalmente na gestão. Dessa forma enfrentam o mercado de maneira mais preparada, em qualquer segmento que atuarem. Seja no agronegócio, no crédito, no trabalho ou na produção, as associações buscam melhorar o desempenho e isso acarreta em uma melhor atuação”, observa.

Vale ressaltar que as cooperativas aquecem a economia, geram empregos, renda, trabalho e fazem a máquina girar, promovendo o desenvolvimento de seus cooperados, colaboradores e da comunidade onde estão inseridas. A diferença entre uma cooperativa e uma empresa comum, é que a cooperativa é feita de pessoas para pessoas.

O movimento cooperativista no DF

A Organização das Cooperativas do Distrito Federal foi criada no ano de 1973. De lá para cá, a instituição trabalha para desenvolver e difundir o cooperativismo no Distrito Federal, representando e defendendo os interesses das cooperativas para torná-las mais competitivas, respeitadas e admiradas pelo papel que desempenham na sociedade. Uma das mais recentes conquistas foi a criação da Lei nº 6.617, de 4 de junho de 2020, que institui a Política Distrital do Cooperativismo.

O Distrito Federal também conta com a presença de uma unidade do SESCOOP (Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo), entidade cujo o objetivo é arquitetar ações e soluções em prol do futuro do cooperativismo. Cabe a esse serviço promover a formação profissional, monitoramento e promoção social dos cooperados, seus familiares e trabalhadores das cooperativas do Distrito Federal.

As duas organizações formam, juntas, o Sistema OCDF-SESCOOP/DF e trabalham em prol do desenvolvimento e fortalecimento do cooperativismo no DF, dando suporte e subsídios para que as instituições possam atuar beneficiando a sociedade.

Conheça mais sobre o movimento cooperativista. Acesse o site somoscooperativismo-df.coop.br.

Somos o cooperativismo no Distrito Federal.