atualizado
O último dia do Festival da Consciência Negra reuniu 30 mil pessoas na área externa do Museu Nacional da República, coroando uma edição histórica que ultrapassou 100 mil visitantes ao longo dos três dias de celebrações.

Consolidado como um dos maiores encontros de cultura afro-brasileira da capital, o festival foi promovido pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec-DF), em parceria com o Instituto Janelas da Arte, e contou com apoio da Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejus-DF). Mais uma vez, o evento manteve um ritmo intenso de atividades gratuitas, reunindo formações, apresentações musicais, cortejos, debates, vivências, moda, feira afro e atrações para todas as idades.
“Encerramos esta edição com mais de 100 mil pessoas ocupando os espaços do Museu Nacional da República e celebrando a potência da cultura afro-brasileira no Distrito Federal. Este festival mostra, na prática, que política cultural transforma vidas quando chega ao povo com qualidade, diversidade e respeito à ancestralidade.”
Claudio Abrantes, secretário de Cultura e Economia Criativa do DF
“Ver famílias inteiras circulando, artistas afirmando suas histórias, pensadores debatendo os rumos do país e uma multidão vibrando com nossa música é o maior sinal de que estamos no caminho certo”, enfatizou o secretário. “E seguimos mais fortes e mais comprometidos para garantir que as próximas edições ampliem ainda mais esse legado, valorizem nossa criação negra e mantenham viva a memória que nos trouxe até aqui.”
Desde a abertura das atividades, o público circulou em grande número pela exposição Retratos, que manteve fluxo constante. As crianças lotaram novamente o Espaço Kids, dessa vez com a contação “Os Griôs do Amanhã” e a oficina de instrumentos de percussão, que rapidamente se tornou uma das ações mais disputadas do dia.
A Feira Kitanda reuniu empreendedores negros do DF enquanto o espaço gastronômico Sabores do Quilombo acompanhou o público até o fim da programação.
A Tenda Muntu recebeu dois momentos marcantes. A roda “Ofó Mulher – O poder da palavra feminina” reuniu Cristiane Sobral, Nanda Fer Pimenta e Dandara Suburbana, mediadas por Andressa Marques, em um encontro potente sobre expressão, ancestralidade e protagonismo.
Na sequência, um dos pontos mais celebrados de todo o festival: o painel “História da Consciência Negra e Desafios Contemporâneos”, com o professor Nelson Inocêncio, professora Mariléa de Almeida e Carla Akotirene. Além do debate vibrante – impulsionado pelas provocações de Akotirene -, o momento foi marcado pela emocionante homenagem à pioneira Dona Lydia Garcia, que recebeu no palco uma coroa dourada e foi ovacionada pelo público.

Primeira professora de música da rede pública do DF e figura essencial do Movimento Negro, Dona Lydia emocionou ao relembrar a chegada a Brasília em 1959 e a trajetória múltipla como arte-educadora, militante, musicista e fundadora de coletivos como o Mulheres Negras Baobá.
No fim da tarde, a rampa do Museu se transformou em passarela a céu aberto com o Desfile Amarrações, do estilista e artista visual brasiliense Victor Hugo Soulivier. Referência em upcycling e arte têxtil, reconhecido por acervos como o do Instituto Marielle Franco e por representar o Brasil na Semana de Moda de Camarões em 2024, Soulivier levou uma coleção vibrante, marcada por ancestralidade, força estética e identidade, um dos momentos mais fotografados do evento.
Paralelamente, o Palco Brasilidades pulsou com a energia de artistas do Distrito Federal – espaço que, fiel ao mote Raízes que Conectam o Futuro, revela vozes, trajetórias e caminhos da música preta brasiliense.
A multi-instrumentista Pratanes abriu a noite com frescor e originalidade; em seguida, o Trem das Cores agitou o público com clássicos populares da música brasileira; e Thiago Kallazans encerrou a programação com um show dançante que levantou a plateia.
Na Arena Dona Lydia, a noite começou com Carol Nogueira, seguida da potência de Dhi Ribeiro, veterana respeitada da música do DF. Marcelo Café encantou com um samba elegante, e Benzadeus transformou a arena em uma grande celebração, mantida pelo público até o último minuto da apresentação.

Às 22h30, Carlinhos Brown entrou completamente vestido de branco, saudando Brasília com carisma e entregando uma apresentação repleta de sucessos, de “A Namorada Tem Namorado” e “Água Mineral” às canções dos Tribalistas.
Nem a chuva dispersou a plateia, que cantou, dançou e respondeu às interações do artista. Encerrando a madrugada e todo o festival, o Psirico trouxe uma sequência de hits, incluindo “Lepo Lepo” e “Mulher Brasileira”, fechando a edição em clima de pura celebração.
Com mais de 100 mil pessoas ao longo dos três dias, o Festival da Consciência Negra encerra a edição 2025 reforçando o impacto de políticas culturais afirmativas e a força da cultura afro-brasileira no DF.
A programação completa e conteúdos extras estão disponíveis no Instagram oficial do evento: @consciencianegradf.

