Centro de pesquisa oferece tratamento gratuito para doenças crônicas

Instituto busca voluntários para estudos sobre diabetes tipo 2, retocolite ulcerativa, doença de Crohn e Esteatose Hepática Não Alcoólica

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atualizado 16/08/2019 9:00

O Instituto de Pesquisas L2 IP é um dos poucos centros de estudos clínicos do Distrito Federal voltado a investigar o uso de novos medicamentos para o tratamento de diabetes tipo 2, Esteatose Hepática Não Alcoólica (Nash), — enfermidade que provoca o acúmulo de gordura no fígado em pessoas que não têm o hábito de consumir bebida alcoólica —, insuficiência cardíaca, retocolite ulcerativa e doença de Crohn. As duas últimas são inflamações crônicas no sistema gastrointestinal.

Com pouco mais de quatro anos de existência, a instituição é dirigida pelo médico Eduardo Vasconcellos, especialista em endocrinologia e geriatria pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e pela Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. Em agosto, o Instituto L2 IP está recrutando voluntários que se encaixem nos perfis das enfermidades citadas para participar de novos estudos que visam tratar e oferecer mais qualidade de vida aos pacientes.

O instituto brasiliense já participou de mais de 30 investigações de diversas patologias. Dentre elas, mal de Alzheimer, osteoporose e complicações renais do diabetes, como a nefropatia. Um dos estudos conduzidos pelo centro de pesquisa pretende evitar que os doentes necessitem, por exemplo, de diálise.

Segundo o diretor do instituto, a maioria das doenças estudadas tem relação com o estilo de vida moderno dos brasileiros. “Elas dizem muito sobre como a nossa sociedade está vivendo: obesidade, colesterol alto, glicose alta, sedentarismo, dentre outros”, aponta. No entanto, as enfermidades têm algo em comum: são incuráveis.

Geriatra renomado, Eduardo Vasconcellos dirige há quatro anos um dos únicos centros de pesquisas clínicas de Brasília

De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes, a doença afeta cerca de 14 milhões de brasileiros. Já a esteatose não alcoólica (Nash) atinge 2 milhões de pessoas no país, enquanto a retocolite ulcerativa e a doença de Chron registram 150 mil novos casos por ano, números considerados altos pelos órgãos de saúde.

Para ser iniciado, um estudo clínico passa por três fases de aprovação junto aos órgãos regulatórios: os conselhos de Ética local e nacional, ligados ao Ministério da Saúde, e a Anvisa. Alguns dos medicamentos pesquisados são comercializados, como a teriparatida, utilizada para a prevenção de fraturas em pessoas com osteoporose.

Vitália Gomes de Oliveira, de 66 anos, participou de um dos estudos que testaram a eficácia da teriparatida. Há anos, a aposentada sofre com a doença e complicações geradas pela enfermidade, como fibromialgia e artrose. A indicação pelo centro de pesquisas foi feita pela reumatologista que acompanhava o caso da idosa em um hospital da rede privada. “Durante o tratamento, eu senti muita segurança. Os médicos são atenciosos e tomavam o cuidado de explicar tudo que iria acontecer”, conta.

Durante dois anos, ela recebeu o fármaco e foi acompanhada de perto pela equipe do local. “Antes eu sentia muita dor. Depois que passei a usar o remédio sugerido me senti muito bem. A evolução foi constatada, inclusive, por meio de exames específicos”, diz.

Localizado na L2 Norte, o Instituto de Pesquisas L2 IP contabiliza mais de 200 voluntários

O tratamento proposto pela pesquisa foi totalmente custeado pelo orçamento do estudo. De acordo com o diretor da entidade, são cobertos, inclusive, os gastos que o paciente tem com transporte para se deslocar para o tratamento, alimentação nos dias de consulta e de exames, entre outros.

Na avaliação do dr. Eduardo, para o paciente, a maior vantagem é o acesso a um cuidado muito especializado. “Ele recebe um tratamento de ponta sem custo. O paciente recebe um acompanhamento muito rigoroso e que, muitas vezes, inclui exames caros, que sequer são cobertos pelos planos de saúde”, acrescenta.

Para ele, com o desenvolvimento de pesquisas clínicas, Brasília se torna um agente ativo do processo de avanço da medicina. O geriatra também chama atenção para o envolvimento dos médicos da cidade nas pesquisas.

“São as evidências apontadas nesses estudos que embasam os consensos. Se você participa do processo gerador de informações que resultam em consensos, você está participando das decisões médicas que serão tomadas adiante.”

Eduardo Vasconcellos, especialista em Endocrinologia e Geriatria

O diretor ressalta ainda que no Japão e nos Estados Unidos (EUA), a participação em pesquisas clínicas é algo natural, cultural. “As pessoas têm extrema boa vontade em se voluntariar, entendem bem o processo, e os médicos estão constantemente atentos às investigações em curso. Estamos fazendo a nossa parte para reproduzir esse comportamento no Brasil, ajudando a incluir Brasília no mapa dos avanços médicos”.

Instituto de Pesquisas L2 IP
www.l2ip.org
SGAS 613, lote 95, Centro Médico Hospitalar L2, Sala 6, Subsolo. Telefone: (61) 98296 0015 (WhatsApp) e 3445-4300

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