Brasil vira alvo para cibercriminosos e celular é a principal entrada

Segundo levantamento da Fortinet, o país é o 4º que mais sofre ataques cibernéticos no planeta, atrás apenas dos EUA, China e Rússia

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atualizado 20/09/2019 16:59

Você se sente protegido no mundo digital? Se a reposta foi “sim”, cuidado! O Brasil é o quarto país que mais sofre ataques cibernéticos do planeta, atrás apenas dos Estados Unidos, China e Rússia. Para se ter uma ideia, apenas no segundo trimestre deste ano, sofremos 15 bilhões de tentativas de ataques digitais, de acordo com estudo da Fortinet, empresa especializada na área. O levantamento também aponta que a principal porta de entrada dos crimes são os smartphones

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Os celulares são a principal porta de entrada para ataques cibernéticos

Os números alarmantes ficam ainda mais claros em outra pesquisa realizada pela Unisys. No total, 85% dos entrevistados já foram vítimas de ao menos um tipo de ameaça cibernética ou conhecem alguém que foi. Eduardo Almeida, presidente da empresa para a América Latina, alerta que, com a evolução dos meios digitais, a vulnerabilidade dos usuários aumentou consideravelmente. “Os ataques estão cada vez mais evoluídos e sofisticados. Por isso, devemos ter como premissa que as tentativas de ataques cibernéticos irão ocorrer e que não existe um ambiente totalmente seguro”, completa.

Ninguém está seguro
Qualquer dispositivo com conexão à internet pode ser invadido. Por isso, a segurança cibernética deixou de ser um elemento complementar para ser uma necessidade também em todos os setores: usuários, empresas e nações.

Recentemente, o assunto ganhou mais atenção e interesse da população. Não é para menos, já que empresas gigantes como Amazon, Google e Facebook e até autoridades brasileiras tiveram dados vazados. Porém, se há alguns anos os crimes virtuais eram mais concentrados em empresas, hoje, os civis são os alvos preferidos dos criminosos, devido aos descuidos cometidos por eles, que ofertam muitas possibilidades de ganhos financeiros para os criminosos.

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Nos últimos anos, foi comum manchetes relacionados ao vazamento de dados em grandes empresas

De acordo com Emílio Simoni, diretor da dfndr lab, laboratório especializado em segurança digital da Psafe, a alta conectividade da população é um processo natural, em função do acesso cada vez mais facilitado à tecnologia. Nesse sentido, ele alerta que é fundamental que as pessoas permaneçam atentas às manobras incomuns e utilizem sistemas de segurança.

Os atacantes (cibercriminosos) são muito criativos e possuem uma grande diversidade de maneiras para atacar. Eles só precisam de uma pequena brecha para invadir e roubar os dados

Emílio Simoni, diretor da dfndr lab, laboratório especializado em segurança digital da Psafe

Simoni também ressalta que as invasões virtuais têm basicamente dois objetivos: roubar dados para efetuar outros golpes, como a extorsão. “Os crimes que estão mais em alta no Brasil são as páginas falsas, a clonagem de mensageiros e  os e-mails. É preciso estar atento a todas as situações”, completa.

Investimentos e tendências
Segundo estudo da Associação Brasileira das Empresas de Software (Abes), o país está na 9ª colocação entre os principais investidores em TI. Só em 2018, foram US$ 47 bilhões destinados ao setor e a expectativa para 2019 é um crescimento de 10,5%.  Já o levantamento da Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom), aponta que até 2024 o setor demandará 420 mil novos empregos e que foi responsável por 7% do PIB de 2018.

“O Brasil está no rumo certo. Temos ótimos profissionais e, sem dúvidas, a nossa mão de obra é uma das melhores do mundo, mas ainda não conseguimos mantê-los no país. Empresas internacionais costumam levá-los, justamente por existirem poucos profissionais especializados no setor”, lamenta Emílio Simoni, diretor da dfndr lab, laboratório especializado em segurança digital da Psafe

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Até 2024, há previsão de aumento em 420 mil empregos no setor de Tecnologia da Informação

No entanto, a evolução tecnológica também pode proporcionar maior segurança aos usuários e a todos os setores. Uma das formas tem sido a aplicação do modelo Zero Trust nos sistemas, que foi considerado, após uma bateria de testes, ser capaz de prever, proteger, isolar e corrigir ameaças. A tendência é de que investimentos e pessoas interessadas no setor aumentem ano após ano, já que a necessidade de proteção se tornou ponto fundamental para proteção de usuários, empresas e nações.

Legislação
Em 2018, foi sancionada a nova Lei Geral de Proteção de Dados (Lei 13.709/18), que dispõe sobre os direitos individuais em relação aos dados e determina quem poderá ter acesso a essas informações e sob quais condições. Eduardo Almeida, presidente da Unisys para a América Latina, ressalta que o assunto “cibersegurança” vem ganhando espaço no Brasil.

“Após oito anos de debates, foi sancionada a Lei Geral de Proteção de Dados do Brasil (LGPD). Essa legislação teve como principal influência o GDPR (General Data Protection Regulation), que regulamenta a questão para os países europeus e se tornou referência para os demais. No Brasil, a lei chega para complementar as estruturas que regulamentam o uso de dados no país hoje”, explica.

A nova lei, que contou com algumas alterações feitas pelo atual governo, entrará em vigor em agosto de 2020 e visa garantir privacidade e segurança dos dados pessoais coletados e tratados no país.

Cuidados básicos
Proteger informações pessoais e estar atento à segurança virtual pode parecer simples, mas muitos acabam cometendo erros e tornam-se alvos fáceis. Reunimos algumas orientações, dadas pelos especialistas, para que os usuários comuns se protejam e fiquem menos vulneráveis. Confira:

  • Senhas: Criar uma senha simples pode facilitar que a descubram. Além disso, não utilize a mesma para todas as suas contas, tente variar. Evite também ao gravar o login e a senha em computadores;
  • Atualizações: Para estar mais seguro e aumentar a proteção de possíveis invasões, sempre deixe os softwares que você utiliza atualizados;
  • Dados: Tome cuidado ao divulgar seus dados: nome completo, endereço, telefone e senhas;
  • Termos: É incomum, mas leia atentamente tudo que está escrito nos termos de uso. Geralmente eles aparecem antes do download de um aplicativo ou para fornecimento de dados; e
  • Downloads: Fique atento quando for baixar qualquer tipo de arquivo. Eles podem estar infectados por vírus ou serem ilegais. Além disso, não autorize plugins de sites desconhecidos, busque sempre sites oficiais e não realize downloads sem saber a procedência.
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Senhas simples podem facilitar o roubo de dados

Tech Talk Cibersegurança
Para colocar ainda mais holofote sobre o assunto, o Metrópoles e a Revista Época promovem o tech talkCibersegurança: usuários, corporações e nações sob ataque”. O evento reúne os maiores especialistas e autoridades do país para debater questões sob três diferentes prismas: internautas, empresas e governos.

O encontro será realizado em 23 de setembro (segunda-feira) no auditório da BioTic, no Parque Tecnológico de Brasília. No total, oito painéis discutirão diferentes tópicos sobre o tema. Os talks serão transmitidos em tempo real pelos sites e redes sociais dos dois veículos. Quem quiser estar presente no local, basta se inscrever gratuitamente e garantir a vaga (sujeitas à lotação).

Tech Talk

Tema: Cibersegurança: usuários, corporações e governo sob ataque
Local: BioTic, Parque Tecnológico de Brasília
Como assistir: Facebook e Youtube do Metrópoles e Época
Inscrições com vagas limitadas e sujeitas à lotação do auditório
Horário: das 8h às 19h

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