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Abrigos de animais perdem renda e veem abandono aumentar na pandemia

Vice-presidente do Abrigo Flora e Fauna alerta a população sobre a importância de ajudar esses locais e expõe dificuldades enfrentadas

atualizado 06/10/2021 10:48

Texto elaborado pelos estudantes de Jornalismo do IDP, Caio Figueiredo Domingos e José Vinícius Albuquerque. Sob supervisão das professoras Bárbara Lins e Isa Stacciarini


Localizada no Núcleo Rural Ponte Alta, no Gama, o Abrigo Flora e Fauna é uma instituição fundada há 16 anos que realiza um conceituado trabalho de proteção dos animais. A instituição possui ampla participação nas mídias sociais. Hoje, eles contam com cerca de 32 mil seguidores no Instagram.

O vice-presidente do Abrigo, Well Fabiano, conta como é a rotina do abrigo e quais são os principais desafios de cuidar de animais abandonados e carentes de afeto. Também fala sobre como a crise sanitária impactou a vida dos animais domésticos e como sobrecarregou os abrigos. “A maior dificuldade que estamos passando hoje é o fato do rendimento ter caído muito e de muitas pessoas deixaram de contribuir com doações”, diz.

Ele ainda explica como as pessoas podem contribuir para diminuir o sofrimento desses seres tão queridos por grande parte da população buscando orientações de como adotar um animalzinho.

Como vocês fazem para manter o abrigo?
O abrigo é mantido por doações de pessoas que gostam do trabalho que fazemos e da ajuda de voluntários que doam seu tempo para o abrigo. É assim que nós conseguimos lidar com as despesas dos animaizinhos.

Como é feito os cuidados com animais que chegam em estado grave de saúde?
Os animais que chegam com a saúde prejudicada são encaminhados para as clínicas parceiras do abrigo. Hoje temos parcerias com duas clínicas, a Vetbaruc e a Animais, que fazem o tratamento dos bichos doentes até que melhorem e voltem para o abrigo quando, então, são colocados à disposição para adoção.

Vocês recebem quais tipos de animais? Já receberam algum animal exótico?
Nunca recebemos, mas já vieram até o abrigo diversos animais exóticos como jabuti, porco espinho, coruja, mas quando nos deparamos com essas situações, indicamos os órgãos competentes para o cuidado correto. Aceitamos apenas cães e gatos.

Qual é o gasto mensal e o custeio médio com cada animal?
O gasto mensal total chega a mais de R$ 30 mil por mês e o custo médio de cada animal varia entre 6 e 7 mil reais por mês porque alguns já chegam necessitando de medicação, veterinário e demais tratamentos como a castração.

Como fazem o controle sanitário do abrigo e qual é a rotina de trabalho diário da equipe?
Diariamente fazemos a limpeza em todos os canis e em todas as áreas do abrigo. Utilizamos água sanitária e produtos mais fortes para a eliminação de vírus e bactérias no ambiente. Hoje contamos com alguns diaristas que fazem a limpeza geral.

Quais as maiores dificuldades do abrigo em meio à pandemia?
A maior dificuldade que até hoje estamos passando é o fato de o rendimento ter caído muito e de muitas pessoas deixaram de contribuir com doações. Tem ocorrido um grande abandono de animais que chegam ao abrigo. Nosso consumo mensal de ração é de 9 toneladas e gastamos cerca de 9 sacos de 25 quilos de ração por dia. Aumentou bastante o número de animais abandonados e diminuiu em muito a entrada de recursos para mantê-los. O que dificulta muito manter a estrutura. Esse ano chegamos a ter o estoque de ração diminuído em 2 vezes ao que tínhamos antes da pandemia. Chegamos quase ao limite. Nossas contas hoje chegam a mais de R$100 mil e isso tem sido algo complexo para ser mantido.

Vocês realizam campanhas de doações de animais junto à comunidade? Como vocês fazem para atrair a atenção de pessoas para adotá-los?
Fazemos feirinhas itinerantes no Park Shopping, no Parque da Cidade, na Império Pets em Taguatinga Sul e também realizamos algumas no próprio abrigo onde as pessoas podem adotar nossos animais. Tentamos chamar atenção do público por meio das redes sociais e lá é o nosso “carro chefe” na divulgação.

Qual é o perfil das pessoas que podem adotar os animais do abrigo e quais são os procedimentos para isso?
O perfil que nós preferimos é de pessoas que queiram realmente adotar de coração e sabendo que vão ter gastos permanentes com os “pets”. Porque o animalzinho quando adotado vai gerar um custo de pelo menos 15 anos e a pessoa tem que ter consciência disso. O adotante precisa ser maior de 21 anos e pedimos comprovante de residência e aplicamos um questionário que deve ser corretamente respondido e que, após isso, liberamos o animal para a doação.

Vocês recebem alguma contribuição ou doação da comunidade ou de empresários?
Nossa ajuda toda é através da comunidade, de nossos voluntários que se doam para a causa dos animais e é assim que nós conseguimos nos manter. Já tivemos empresários que doaram recursos financeiros e mantimentos, mas nada fixo. Não temos uma doação de uma grande empresa e a nossa maior renda vem de pessoas comuns que contribuem com R$1, R$ 5, R$ 50… e assim por diante, sendo essa a forma como conseguimos administrar o abrigo.

Como as pessoas fazem para contribuir?
As pessoas podem nos ajudar indo ao abrigo todo domingo das 12h às 17h para visitar os bichinhos e ajudar dando carinho, alimentando-os ou ajudando a dar banho. Eles são muito carentes e qualquer demonstração de carinho é muito importante para eles. Outra forma das pessoas contribuírem é doando dinheiro para nossa conta bancária, no PicPay , com vaquinhas virtuais, transferências via Pix, com a compra ou envio de ração para o abrigo manter a alimentação dos animais. As pessoas podem deixar as rações na 108 Sul todo sábado de 11h às 14h onde temos o recolhimento dessas doações de alimentos.

Quem quiser doar, pode entrar em contato por e-mail [email protected]