Máfia dos Concursos: Polícia Civil indicia Hélio Ortiz e mais três

A organização criminosa foi desarticulada pela Divisão Especial de Combate ao Crime Organizado (Deco)

Uma semana após a deflagração da operação Panoptes, a Polícia Civil do Distrito Federal indiciou, nesta quarta-feira (30/8), quatro pessoas acusadas de integrar a Máfia dos Concursos. O grupo foi desarticulado pela Divisão Especial de Combate ao Crime Organizado (Deco). Hélio Ortiz, o filho dele Bruno Ortiz, Rafael Rodrigues da Silva e Johann Gutemberg dos Santos foram indiciados por organização criminosa e falsificação de documento público.

Os criminosos, de acordo com os investigadores, cobravam dinheiro de alunos de cursinhos prometendo garantir vagas em concursos públicos e até mesmo em vestibulares concorridos em universidades federais. A suspeita é de que pelo menos 100 pessoas tenham sido beneficiadas com o esquema.

Segundo as apurações, os candidatos chegavam a pagar R$ 200 mil para conseguir a aprovação. Era dado um sinal entre R$ 5 mil e R$ 10 mil. Se o nome constasse entre as primeiras colocações na divulgação do resultado, os aprovados desembolsavam até 20 vezes mais para concretizar o negócio.

O indiciamento está baseado nas oitivas de 19 pessoas que foram conduzidas à Deco para prestar esclarecimentos, testemunhos de pessoas abordadas pela organização criminosa, denúncias anônimas e na listagem dos objetos apreendidos durante a operação Panoptes.

O grupo agia sob a liderança do ex-servidor do Tribunal de Justiça do DF e Territórios (TJDFT) Hélio Ortiz. E envolvia funcionários de bancas organizadoras e até o dono de uma faculdade que fornecia diplomas de curso superior aos candidatos. Ortiz foi preso em 2006. Julgado e condenado, acabou solto por não ter, à época, a tipificação do crime de fraudes em concursos públicos.

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Adriano Valente, delegado-adjunto da Deco
Coletiva dos delegados da Deco sobre a Máfia dos Concursos em agosto deste ano
Bruno Ortiz, filho de Helio, preso no dia 21 de agosto
Operação para deter a Máfia dos Concursos
Helio Ortiz é um velho conhecido da polícia. Ele foi preso em 2005 e em 2009
Ortiz foi preso em casa, na QE 15 do Guará II
Dez escrivães, 25 delegados e 150 agentes, incluindo grupo de operações especiais e helicóptero, participaram da operação
Equipes da PCDF chegam ao Cebraspe/Cespe, onde foi cumprido mandado de busca e apreensão
Movimento intenso no Cebraspe/Cespe
São investigados concursos realizados nos últimos cinco anos

 

Segundo a Polícia Civil, morador de Águas Claras, Bruno era o executor do esquema e aliciava os candidatos; Rafael trabalhava sempre ao seu lado, auxiliando nas atividades ilícitas; e Johann viabilizava diplomas falsos de graduação e pós a quem precisasse e pagasse bem.

Bruno Ortiz, filho do Hélio, passou num concurso de oficial de Justiça do Pará em 2003 e foi afastado do cargo em 2006, com a prisão do pai. Hélio Ortiz já é conhecido da polícia, pois foi preso há 11 anos acusado de liderar a Máfia dos Concursos.

Johann Gutemberg é dono do Instituto Nacional de Ensino Especial, faculdade que funciona em Taguatinga. A suspeita é de que a instituição providenciava diplomas para os candidatos que não cumpriam a exigência do concurso.

“A organização criminosa não deixou de atuar desde aquela época. Estão aí há pelo menos uma década participando de fraudes em concursos públicos”, disse o delegado-adjunto da Deco, Adriano Valente, na segunda (21), dia em que a ação foi deflagrada.

Já se sabe que há indícios de fraudes em concursos da Terracap, do Corpo de Bombeiros do DF e das secretarias de Saúde e Educação, além dos exames da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). De acordo com os investigadores, o próximo certame na mira da quadrilha era o da Câmara Legislativa.

 

De acordo com a polícia, a organização criminosa atuava nas portas das faculdades e cursinhos preparatórios angariando possíveis interessados em comprar uma vaga. E vendia o pacote completo, incluindo diplomas de graduação e pós-graduação, se fosse necessário.

A quadrilha, segundo a PCDF, agia de quatro formas: repassando informações por meio de ponto eletrônico, com celular escondido no local de prova, uso de documentos falsos por parte dos candidatos e envolvimento de pessoas que trabalham nas bancas organizadoras.

O Metrópoles não conseguiu contato com as defesas dos indiciados até a publicação desta reportagem.