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O serviço público ainda é antigo e pesado. Porém, um grupo de concursados não aceita a visão de que trabalhar no governo se resuma à estabilidade e ao salário. Tem como hackear o sistema? Torná-lo mais ágil e flexível?

No contexto de buscar um serviço público capaz de fazer a diferença, e com mais energia e incentivo para transformar o país aos poucos, surgiu em Brasília um curso diferente. O Demos – Serviço Público com Propósito, criado pela Perestroika, quer dar uma injeção de ânimo em quem tem medo de acabar estagnado na máquina pública.

O Metrópoles conversou com Dario Joffily, um dos diretores da escola, sobre a experiência com o serviço público, o Demos e a situação do servidor no mundo atual. O próximo curso começa em novembro e está com as inscrições abertas.

Vivi Morais/DivulgaçãoVocê acha que o perfil do servidor está mudando?
O perfil sempre foi o mesmo. É a nossa percepção que está mudando. Sempre existiram servidores engajados. Temos o histórico de, como país, possuir um Estado muito presente, que tenta fazer a diferença, ainda mais considerando o quão continental e desafiador é o trabalho dos políticos por aqui.

Quando eu digo político, digo o ator político, não a pessoa em quem a gente vota. Isso é importante diferenciar, não falamos dos representantes governamentais, mas dos estatais. Aqueles que trabalham todos os dias com políticas públicas.

O perfil deles sempre foi de pessoas em busca de mudar o país. A gente consegue ver a insatisfação com a visão construída sobre eles. O próprio servidor defende não ser o cara que bate o ponto e não faz nada.

Como é o Demos? Como ele foi criado?
Reunimos os servidores e conversamos: qual é o problema que vocês vivem dentro do serviço público? Como a Perestroika poderia ajudar? Conseguimos entender três caminhos pelos quais elaboramos o curso: cooperação, (mudança) cultural e processos.

A intenção é unir ferramentas, acabar com a cultura da burocracia e promover mudanças processuais na administração pública.

 

O objetivo do curso é dar ferramenta para o servidor mudar ou empoderá-lo?
Temos um discurso de ser uma escola de atividades criativas que trabalha com mercado. A maior parte das relações de trabalho só vai se alterar com uma mudança de mindsetting, de olhar, e não com uma ferramenta. Achamos importante unir as duas coisas. O objetivo do curso, para mim, é empoderar o servidor, dar mais consciência da capacidade dele, dos desafios.

Qual é o perfil do aluno?
Conseguimos distinguir três tipos. O sênior, que desenvolve um papel de liderança e gestão, e precisa de ferramentas para engajar a equipe. O que trabalha com educação e gestão de pessoas dentro do órgão –  tenta levar desenvolvimento pessoal e desenvolvimento profissional.

E também o de perfil mais amplo, que envolve qualquer servidor ciente do desafio pessoal de pensar:  “eu amo isso aqui, mas preciso de mais energia, propósito e ferramentas”. Vamos do diretor de Relações Públicas do Senado Federal ao trainee do GDF.