
Tácio LorranColunas

O possível retorno de Wellington César Lima e Silva, o ex-ministro da Justiça mais “breve” do Brasil
Provável sucessor de Lewandowski, Wellington César Lima e Silva ficou 11 dias no comando do Ministério da Justiça no governo Dilma
atualizado
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Cotado para substituir Ricardo Lewandowski, Wellington César Lima e Silva é o ex-ministro da Justiça mais “breve” desde a redemocratização, mostra levantamento da coluna. Atual advogado-geral da Petrobras, durou apenas 11 dias à frente da pasta em 2016 no governo de Dilma Rousseff (PT).
Atrás dele, está o ex-ministro da Justiça Milton Seligman – que comandou a pasta por 44 dias em 1997 na gestão de Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Em seguida, Osmar Serraglio ocupou o cargo por 85 dias em 2017, sob a presidência de Michel Temer (MDB).
Já o ministro da Justiça mais longevo foi o advogado José Eduardo Cardozo, antecessor de Wellington César Lima e Silva. A gestão dele durou 5 anos e 2 meses, mais de um mandato de Dilma. Confira o levantamento:
Foi justamente a rapidez com que Wellington César Lima e Silva passou por esse e outros postos – como o de secretário de Assuntos Jurídicos (SAJ) da Casa Civil – que lhe rendeu o apelido de “breve”, revelado pela colunista Milena Teixeira, do Metrópoles. O jurista costuma ser lembrado para atuações pontuais em momentos de crise.
Por que Wellington César Lima e Silva deixou a Ministério da Justiça tão rápido
Dilma o nomeou em 3 de março de 2016. A saída veio após um imbróglio judicial em torno de uma eventual incompatibilidade de cargos: Wellington César Lima e Silva, promotor de Justiça desde 1991, havia assumido o cargo de ministro da Justiça.
A 1ª Vara Federal do Distrito Federal sustou a nomeação dele um dia após a publicação no Diário Oficial da União (DOU). O Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), porém, derrubou a liminar em seguida.
O caso chegou até o Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou, no dia 9 daquele mês, como inconstitucional que um membro do Ministério Público atue no Poder Executivo sem antes pedir exoneração. A Corte deu 20 dias para que o então ministro decidisse qual cargo ocuparia.
Wellington César Lima e Silva saiu da pasta em 16 de março de 2016. Com isso, escolheu ficar no Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA), órgão no qual se aposentou como procurador de Justiça em janeiro de 2023.
A bolsa de apostas da Esplanada dos Ministérios aponta para um possível “repeteco” de Wellington César Lima e Silva no posto. Como “cabos eleitorais”, escalou o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PSD-BA), o ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa (PT), e o ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), Sidônio Palmeira.
Outros cotados
Wellington César Lima e Silva não está sozinho no páreo pela cadeira de Lewandowski, mas viu o próprio nome ganhar tração na última semana. Como mostrou o Metrópoles, o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, o ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Vinícius de Carvalho, e o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) também foram levados em consideração.
Há a possibilidade de que um deles chefie um eventual Ministério da Segurança Pública, caso o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desmembre a atual pasta em duas. Esse é tido como o principal motivo para a saída de Lewandowski, que perderia poder no comando.
Em carta de demissão entregue a Lula pouco antes do evento que marcou os três anos dos atos antidemocráticos de 8 de Janeiro, a justificativa oficial de Lewandowski passou por razões pessoais e familiares:
“Sirvo-me do presente para, respeitosamente, apresentar o meu pedido de exoneração do cargo de Ministro de Estado da Justiça e Segurança Pública, por razões de caráter pessoal e familiar, a partir de 9 de janeiro de 2026“, escreveu o ex-ministro, que atuou no STF de 2006 a 2023.








