Tácio Lorran

Itaú detona COEs da Ambipar, mas ajudou a empresa a captar R$ 1 bilhão

Debenturistas da Ambipar tentam negociar dívida após empresa entrar em recuperação judicial

atualizado

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O presidente do Itaú Unibanco tem direcionado críticas a concorrentes que ofertaram COEs da Ambipar a investidores. O próprio banco, porém, participou da captação de recursos da empresa de soluções ambientais por meio do seu braço de investimentos.

O Itaú BBA coordenou, em agosto de 2022, uma emissão de R$ 1 bilhão em debêntures da Ambipar. A companhia acumula dívidas bilionárias e entrou em recuperação judicial no fim do ano passado. Logo os papéis perderam valor no mercado secundário, e credores passaram a negociar novas condições para evitar perdas maiores.

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As debêntures pagavam juros de CDI mais 2,85% ao ano e tinham prazo de seis anos, com vencimento previsto para agosto de 2028.

Ao anunciar a operação em publicação no LinkedIn, o Itaú BBA afirmou que, “pela primeira vez, uma companhia poderá utilizar os recursos captados para investir diretamente em projetos e/ou em fusões e aquisições que sejam sustentáveis em sua essência e estejam relacionados a diferentes categorias ligadas à agenda ESG, como geração de energia renovável, economia circular e capacitação profissional”.

Em outubro, um grupo de credores da Ambipar passou a ser representado pelo escritório SOB Advogados para tentar renegociar dívidas. No total, a empresa tem cerca de R$ 2,8 bilhões em debêntures em circulação, distribuídas entre fundos de investimento e instituições financeiras.

Procurado, o Itaú Unibanco afirmou que, “devido à sua rígida curadoria, as operações estruturadas envolvendo Ambipar não foram direcionadas a clientes pessoa física do varejo bancário, mas destinadas exclusivamente a investidores profissionais e institucionais, caracterizados por elevada capacidade técnica, atuação independente e dever fiduciário na alocação de recursos”.

O banco acrescentou que esses investidores “dispõem de estruturas próprias de análise, governança e gestão de risco” e que as emissões passaram por “rigorosos processos de diligência e auditoria externa, conduzidos por assessores jurídicos independentes”.

Na última quinta-feira (5/2), o presidente do Itaú, Milton Maluhy Filho, criticou concorrentes que ofertaram CDBs do Banco Master e COEs da Ambipar. “Nunca distribuímos CDBs do Banco Master, por convicção, nem COE da Ambipar”, afirmou. “Tem um elemento adicional que é a seriedade de construir modelos de negócios sustentáveis, colocando os interesses do sistema e dos clientes na frente dos interesses do banco.”

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