Um olhar atento sobre o poder. Notícias exclusivas, bastidores e investigação

Prisões na PF: Cármen Lúcia lava as mãos e decide não decidir

Ministra mandou que autos sejam enviados a "juízo competente". Ela também despachou no inquérito onde há pedido para investigar Bolsonaro

atualizado 28/09/2022 16:52

Foto: Daniel Ferreira/Metrópoles

A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal, se negou a decidir sobre o pedido feito pelo delegado Bruno Calandrini para prender a cúpula da Polícia Federal por suposta interferência na investigação que levou o ex-ministro da Educação Milton Ribeiro para a prisão.

Em decisão assinada nesta terça-feira, Cármen Lúcia ordenou que os autos sejam remetidos ao “juízo competente”. Significa que ela entendeu que não é o Supremo que deve decidir sobre o pedido de prisão. Os autos deverão ser analisados, então, pela Justiça Federal de primeira instância em Brasília.

Ao decidir em dois habeas corpus impetrados por delegados investigados por Bruno Calandrini, também nesta terça, a ministra já havia indicado que a apuração específica sobre a cúpula da PF não seria de competência de seu gabinete. Os delegados pediram habeas corpus porque foram intimados para ser interrogados — os interrogatórios foram marcados para esta tarde.

Ministra também decidiu no inquérito principal, onde há pedido para Bolsonaro ser investigado

A investigação sobre a corrupção no MEC foi remetida para o gabinete de Cármen Lúcia após o Ministério Público Federal de primeira instância solicitar que o presidente Jair Bolsonaro também fosse investigado no caso por interferir nas apurações.

O pedido foi feito após Calandrini apontar indícios de que o presidente Jair Bolsonaro alertou Milton Ribeiro sobre a possibilidade de ele ser alvo de uma operação de busca. Cármen Lúcia terá de decidir, então, se Bolsonaro será ou não investigado.

Também nesta terça, ela tomou uma decisão no inquérito principal, no qual essa questão terá de ser definida, mas como os autos estão sob sigilo ainda não são conhecidos os termos exatos do despacho.

O que se sabe até o momento, a partir do que é visível publicamente no andamento do procedimento, é que ela determinou a “baixa dos autos em diligência”. Normalmente, isso acontece quando o juiz decide enviar o inquérito de volta para a Polícia Federal, para prosseguimento da apuração.

Mais lidas
Últimas notícias