No Brasil, existem mais assexuais do que bis, gays e lésbicas juntos

Entenda mais sobre a orientação sexual de quem não tem vontade de transar com outras pessoas, mas se evolve emocionalmente com elas

A cada dia que passa, mais visibilidade as letras menos conhecidas da sigla LGBTQIAPN+ ganham. E, apesar do senso comum, muitas delas são voltadas a comportamentos específicos, e não a questões de atração por determinado gênero.

Bandeira LGBTQIA+

Uma delas é a assexualidade, em que a pessoa não sente vontade de fazer sexo com outras. O que pode ser novidade é que essa orientação sexual é mais comum do que se imagina.

De acordo com pesquisa recente da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em parceria com a Universidade de São Paulo (USP), dos 12% de brasileiros adultos que se identificaram como LGBTQIA+, 5,76% são assexuais, 2,12% bissexuais, 1,37% gays, 0,93% lésbicas, 0,68% trans e 1,18% não-binários. Ou seja, existem mais brasileiros assexuais do que bis, gays e lésbicas. O estudo foi divulgado em outubro deste ano.

Segundo o terapeuta sexual André Almeida, o que não existe em pessoas assexuais é a vontade de transar. Logo, não é uma questão de escolher não fazer sexo. “A assexualidade é inerente ao indivíduo e é muito diferente do celibato, que seria a escolha consciente de não transar. Os assexuais têm pouquíssima ou mesmo nenhuma atração sexual, de uma forma geral”, afirma o especialista.

Vale ressaltar que a orientação também se diferencia da síndrome do desejo sexual hipoativo, que é uma disfunção de saúde em que a libido desaparece por motivos psicológicos ou físicos.

Assexuado?

Outra confusão comum em relação aos aces — como são chamados os assexuais dentro da comunidade — é que muitos ainda se referem a eles como assexuados. Contudo o termo é usado para designar organismos que não têm divisão clara de sexo nos órgãos sexuais ou que se reproduzem de maneiras em que a mistura de material genético não ocorre.

Assexuais na mídia

Apesar de muitas orientações estarem ganhando espaço na mídia, ainda não se vê grandes menções aos assexuais em filmes, séries ou mesmo na literatura. Para mudar isso, a autora Virginia P. Pagliarin traz em Um mundo de cores, sua nova obra literária, a história da ace Camila.

A protagonista é uma jovem brasileira que termina um namoro de longa duração por não se sentir confortável em manter relações sexuais. Contudo, ela sempre deixa claro que não se trata de nenhum problema relacionado ao ex, muito pelo contrário.

Em sua jornada de autoconhecimento, Camila vai fazer novas amizades e iniciar um relacionamento novo e diferente após começar a ter contato com outros assexuais. Vale ressaltar, inclusive, que a restrição dos assexuais é apenas em relação ao sexo, o que significa que eles se envolvem emocionalmente com outras pessoas.