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Menos casual, mais consciente: descubra o que a gen Z gosta no sexo
Estudo revela queda no sexo com álcool, busca por conexão real e uso crescente de IA para tirar dúvidas íntimas
atualizado
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A forma como as pessoas encaram o sexo já dá sinais claros de transformação há alguns anos. Ainda embalados pelas resoluções de Ano-Novo, muitos seguem tentando redefinir sua relação com a intimidade apostando no celibato, buscando relações mais conscientes, explorando o próprio prazer com mais profundidade ou simplesmente se permitindo viver novas experiências com menos culpa e mais abertura.
Um levantamento recente da empresa de sex toys Lovehoney mostra que essas mudanças não são apenas pontuais, mas refletem um movimento cultural mais amplo. Segundo o relatório, a combinação entre a experimentação da geração Z com o celibato e o impacto da crise do custo de vida tem levado a uma reconfiguração das prioridades afetivas e sexuais.
Em vez de encontros casuais impulsivos, cresce o interesse por conexões mais significativas, baseadas em diálogo, consentimento e disponibilidade emocional. Entre jovens de 18 a 24 anos, essa mudança aparece de forma ainda mais evidente.
O estudo indica uma redução no sexo associado ao consumo de álcool — prática historicamente comum em contextos de socialização. Apenas 17% afirmam ter relações sob efeito de bebida com frequência, enquanto 46% dizem nunca ter feito sexo nessas condições. O dado sugere uma geração mais atenta aos próprios limites e mais preocupada com a qualidade das experiências do que com a quantidade.
Outro aspecto que chama atenção é o avanço das chamadas “informações digitais” no campo da sexualidade. Diante de filas de espera para atendimento psicológico e do alto custo de sessões particulares, parte da população tem recorrido a ferramentas de inteligência artificial para esclarecer dúvidas íntimas. Temas como masturbação, fetiches, fantasias, desempenho sexual, ISTs e disfunção erétil estão entre os mais buscados.

Apesar disso, o contato humano ainda é visto como insubstituível por muitos. O levantamento mostra que 43% das pessoas preferem conversar diretamente com alguém — seja um profissional ou parceiro — quando o assunto envolve sexualidade.
Ainda assim, plataformas como o ChatGPT aparecem com frequência como alternativa rápida e acessível para orientações iniciais, especialmente entre os mais jovens.
A IA pode impactar a forma como a gen Z faz sexo?
Especialistas, no entanto, fazem ressalvas importantes sobre esse comportamento. A neuropsicóloga Leninha Wagner destaca que, embora a inteligência artificial possa oferecer respostas organizadas e até empáticas, existe uma limitação estrutural difícil de contornar. “Não há sujeito do outro lado. Não há transferência genuína, não há um olhar que se sustente, nem o silêncio vivo que acolhe”, explica. Segundo ela, a psicoterapia — em abordagens cognitivas, humanistas ou psicanalíticas — depende da construção de um vínculo real, algo que a tecnologia não consegue reproduzir plenamente.
A especialista compara essa substituição a uma analogia simples: “É como tentar trocar o calor do sol por uma lâmpada. Pode iluminar, mas não aquece”. A fala reforça um ponto central do debate atual: até que ponto a praticidade digital pode substituir experiências humanas profundas, especialmente quando se trata de desejo, afeto e vulnerabilidade.
Paralelamente, o estudo também aponta para uma tendência crescente de integrar a sexualidade às práticas de bem-estar. Cada vez mais, sexo e masturbação deixam de ser vistos apenas como fontes de prazer momentâneo e passam a ocupar um espaço dentro das rotinas de autocuidado. A relação com o próprio corpo ganha uma dimensão mais consciente e funcional, ligada à saúde mental e ao equilíbrio emocional.
Os números reforçam essa percepção: 61% das pessoas afirmam recorrer à masturbação como forma de aliviar o estresse, enquanto 42% a utilizam como estratégia para melhorar o sono.
Em um cenário marcado por ansiedade, sobrecarga e instabilidade econômica, o prazer individual surge como uma ferramenta acessível de regulação emocional.
No fim das contas, o que os dados revelam é uma mudança de mentalidade. Menos impulsividade, mais intenção. Menos excesso, mais qualidade. Em meio a transformações sociais, tecnológicas e econômicas, o sexo deixa de ser apenas um ato físico e passa a refletir, cada vez mais, escolhas conscientes sobre como — e com quem — se quer viver a intimidade.
























