10 perguntas que você sempre quis fazer para uma sugar baby

Nos relacionamentos sugar, as intenções dos envolvidos são claras: eles querem companhia e elas, mimos, viagens e experiências de luxo

De um lado, mulheres jovens, decididas e inteligentes. Do outro, homens mais velhos, ricos e dispostos a proporcionar experiências de luxos às amantes. Se o papo render um match, ambos podem iniciar uma relação de benefícios mútuos, onde todas as intenções são trabalhadas às claras. Essa é a essência dos sugars, um tipo de relacionamento que têm se popularizado em países como Estados Unidos, Canadá e Brasil – e já virou até assunto de novela por aqui.

Em A Dona do Pedaço, o sugar daddy Otávio, interpretado por José de Abreu, financia todos os desejos de sua sugar baby, Sabrina, vivida por Carol Garcia. Mas, diferente do que é apresentado na novela – e que pode sugerir o senso comum – sugar babies não são garotas de programa e dispensam qualquer associação ao rótulo.

“Ao contrário do imaginário popular, 76% das usuárias são universitárias. Sim, são jovens bonitas e atraentes, buscando um provedor que lhes ofereça estabilidade emocional e financeira, numa relação com objetivos alinhados desde o início, bem diferente da situação apresentada na novela e, muitas vezes, sem envolver sexo”, explica Jennifer Lobo, fundadora do site Meu Patrocínio, uma das plataformas mais populares do segmento.

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Fernanda Rizzi, 38, sugar baby: "sugar daddies não querem piriguetes"
Ela fez um curso para conquistar homens milionários
E conquistou um daddy fixo, que lhe dá presentes e paga seu curso de francês
Viagens estão entre os presentes que ela mais gosta
Além de bolsas Chanel e joias
Ela se tornou sugar baby há três anos
DF tem 105,5 mil usuários

Segundo dados da empresa, daddies investem até R$ 1 mil em assinatura para ter acesso aos perfis das babies cadastradas. Eles estão concentrados principalmente nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba e Distrito Federal, estão na faixa dos 40 anos, têm patrimônio médio de R$ 7,7 milhões e renda mensal de R$ 80 mil.

Para ser mimada por um deles, as babies enfrentam uma disputa acirrada e precisam demonstrar que são mais que “um rostinho bonito”.  Na capital do país, há pelo menos 10 mil sugar daddies e 70 mil babies mulheres.

Se invertermos os sexos e os papéis, a concorrência fica ainda maior. Sugars mommies e sugar babies do sexo masculino existem e sua presença em sites de relacionamento têm crescido. Nesses casos, a concorrência entre os interessados, é muito maior.  No DF, são 23 mil jovens à procura de apenas 1,8 mil mulheres mommies cadastradas.

Em A Dona do Pedaço, José de Abreu intepreta um sugar daddy e Carol Garcia, uma sugar baby
Experiência

Depois de várias frustrações amorosas — e um casamento complicado —, a advogada Fernanda Rizzi, de 38, decidiu mergulhar no universo sugar. Ela está há três anos na plataforma, mesmo período em que mantém um um daddy fixo, que mora na França. Eles não se veem com tanta frequência, como um casal de namorados. E quando se encontram, o sexo também não é regra, como costuma ocorrer nas relações em que há remuneração.

A coluna conversou com Fernanda e fez 10 perguntas que todo mundo sempre quis fazer. Tá curioso? Vem ver!

Qual a principal diferença entre sugars e garotas de programa?
Assim como o sexo não é regra, geralmente também não há ‘cobrança’ de valores. Pelo menos, não necessariamente. Do ponto de vista das babies, os daddies representam segurança, a figura de um provedor que garante os estudos, uma estabilidade financeira e a possibilidade de realização de sonhos. “Nunca fiz sexo em troca de pagamento. Ganhei mimos, como viagens, sapatos, bolsas. Hoje meu daddy mora na França e me ajuda com um curso de francês”, explica Fernanda.

Tem envolvimento sentimental?
“Procuro não envolver sentimentos. É claro que estando com meu ‘dad‘ há três anos, eu gosto dele, tenho gratidão por tudo que ele fez por mim. Mas não quero que ele largue a esposa e fique comigo. Sei que um dia ele pode encontrar outra sugar e eu outro ‘amigo’. ”

Mas não rola ciúme?
“Da minha parte não. Sou muito independente e não tenho intenção de ter um relacionamento convencional no momento. Mas já aconteceu. Vários daddies já sentiram ciúmes. É importante jogar às claras e lembrar que o intuito desse tipo de vínculo é justamente ter uma relação sem cobranças.”

Que presente mais te impressionou até hoje?
“Meu daddy me levou duas vezes para Paris. Em um desses passeios comemoramos o meu aniversário. Foi muito especial…”.

É difícil encontrar um daddy? Quando eles aparecem, qual critério para decidir se vai sair com ele?
“Depende do seu perfil. O meu costuma atrair muitos e, por mês, recebo pelo menos mil mensagens no aplicativo. Na plataforma é possível ter acesso a tudo – se o cara é casado, quanto ganha, qual a média patrimonial. É tudo verificado para você poder escolher com segurança. Assim como nos relacionamentos convencionais, tenho minhas preferências: me atraio mais por homens com cara de nerd e gringos”.

E o que um daddy não deve fazer em um encontro?
“Se exibir porque está pagando o passeio. Já saí com um homem que passou a noite toda falando sobre dinheiro, pediu para eu aproveitar o vinho porque a garrafa custava R$ 700… Ninguém gosta disso…”.

E o que eles não curtem?
“Piriguetes… evito, inclusive, postar fotos muito sensuais no Instagram”.

Por que você acha que esse tipo de relacionamento têm ganhado cada vez mais adeptos?
“Tem gente que só quer uma companhia para se divertir, sem as cobranças presentes em um relacionamento longo e convencional. Estão buscando meios de relaxar, de aplicar o dinheiro que conquistaram e que está aí para promover bem-estar. Já saí com caras que falaram para mim que ‘poxa, Fernanda, acho que tem anos que não dou tantas risadas no restaurante’.”

Já sofreu preconceito de pessoas próximas?
“Sim. Até hoje tem gente que fica sabendo e me liga para dizer que acha um absurdo eu estar sendo sustentada por um cara. Eu respondo que a pessoa ‘está sabendo errado’, sugiro que leia a respeito. Não ligo mais.”

Que dica você dá para quem quer se tornar uma baby?
“É preciso saber se portar. Eu fiz a Escola de Elite, que é um programa dos sócios do Meu Patrocínio e que ensina as mulheres a conquistarem milionários. E recomendo muito. Lá ensina tudo: a não parecer uma piriguete, a falar no tom adequado no restaurante; o que usar nos encontros; e até mesmo onde encontrar seu público-alvo. Já morei em Brasília e posso te dizer: quer encontrar um milionário? Se sim, saiba que eles não estarão em um bar em Taguatinga, ou sentado na arquibancada do Mané Garrincha. É preciso ser estratégica”.