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Claudia Di Moura sobre Dona Maria: “A mãe preta do Brasil que se despede do filho com medo”

Atriz fala sobre a oportunidade de fazer parte da série médica Sob Pressão e o que esperar da nova personagem

atualizado 16/09/2021 14:59

Dona Maria ( Claudia Di Moura) em Sob PressãoJoão Faissal/Rede Globo/Divulgação

Carolina (Marjorie Estiano) e Evandro (Julio Andrade) se deparam com um rapaz em estado grave, no episódio desta semana de Sob Pressão, previsto para ser exibido nesta quinta-feira, dia 16. O paciente é baleado ao tentar proteger a avó, Dona Maria (Claudia Di Moura), durante um tiroteio. Ela chega ao Edith de Magalhães acompanhando o neto, e é amparada por Décio (Bruno Garcia) enquanto aguarda notícias sobre o estado de saúde do rapaz. Apesar da dificuldade do caso, Carolina e Evandro conseguem estabilizar o paciente, que ainda requer muitos cuidados. Dona Maria, então, decide permanecer no hospital e não perde a fé na recuperação do neto. Segundo o autor Lucas Paraizo, “ela representa a fé e a esperança do povo brasileiro”.

Mais cedo, antes de chegar ao trabalho, a dupla de cirurgiões decide ir à casa de Selma (Grace Passô), amiga de Diana (Ana Flavia Cavalcanti), para tentar obter informações sobre o paradeiro da ex-namorada de Evandro. Mas o que Selma diz não é o suficiente para Carolina, que, sem que Evandro saiba, decide voltar ao local no fim do expediente.

No hospital, Vera (Drica Moraes) atende uma menina que precisa de um cirurgia de emergência no esôfago. A infectologista, então, passa o caso da criança para Carolina e, em seguida, recebe a notícia de que seu filho Leonardo (João Vitor Silva) está a caminho da emergência. Enquanto realizava uma prova, o jovem passou mal devido ao uso irregular de medicamentos. O ocorrido faz com que Adilson (Enrique Diaz), ex-marido de Vera, apareça no Edith de Magalhães.

Abaixo, Claudia Di Moura, que entra na trama como Dona Maria e permanece ao longo da temporada, fala sobre o novo trabalho.

Qual é o sentimento de fazer parte de um projeto como Sob Pressão, que trata de assuntos sociais?
Sinto-me honrada e gratificada pela oportunidade de representar, dentro de um universo tão realista e artisticamente interessante, uma mulher que traduz a essência do povo brasileiro, que se equilibra entre a dor e a batalha.

Você assistia à série? Qual a sua relação com a obra?
Assistia e continuo assistindo. Não foram poucas as vezes em que me enxerguei na tela, não apenas como uma atriz que sempre sonhou em fazer parte de um elenco tão majestoso, mas principalmente como espectadora, que vê na série o drama da vida real magnificamente transposto para a televisão sob a batuta brilhante de Andrucha Waddington.

Como foi a relação com o elenco ao longo das gravações?
Fui acolhida e abraçada como dentro de uma família amorosa e comprometida com o propósito maior de realizar um projeto, cuja essência dialoga tão explicitamente com as agruras sociais do nosso tempo. Além de extremamente talentosos, todos os colegas de elenco sempre se mostraram empáticos, profissionais e sinceramente amistosos. Trago dessa jornada uma experiência incomparável que estará estampada em mim por toda a vida.

Alguma lembrança de bastidor que tenha te marcado?
Não apenas uma, como muitas. Uma delas foi o encontro poético com a genialidade de Julio Andrade, um colega extremamente virtuoso, generoso e gentil, com quem pude crescer absurdamente como atriz e pessoa. Outra foi ter gravado no Dia das Mães a cena mais excruciante e decisiva da personagem, poucos dias depois do abominável massacre do Jacarezinho e na mesma semana da chacina na creche do município de Saudades, em Santa Catarina – um dos maiores desafios da minha carreira.

De que forma você descreve Dona Maria e o que ela representa para a temporada?
Dona Maria é a mãe preta do Brasil, que se despede de seus filhos sempre com medo de que eles sejam tragados pela violência sistêmica que vitima a juventude negra. Ainda assim, a despeito de todos os temores e da tragédia iminente, ela compartilha com quem quer que cruze seu caminho um repositório infinito de fé e de esperança, que contamina a todos, inclusive ao espectador que a acompanha. Firme, doce e combativa, Dona Maria é o coração desta temporada e a tradução mais fiel do que é viver diariamente sob pressão.

Como foi a preparação para dar vida a Dona Maria? Teve inspiração em alguém ou personagem?
A minha preparação para viver esta personagem é ancestral: corre nas veias a herança dolorosa da vulnerabilidade social, do apagamento, da insegurança. Vem também de sentir e observar, porque é claro que tive sim inspiração para dar vida à Dona Maria: inspiração que vem de vivência e sobrevivência, do olhar inconsolável de Mirtes Renata, de Adriana Santana de Araujo, de Tatiana Ribeiro e de tantas outras matriarcas que sequer tiveram o direito a um título de condolência – pois, ao contrário de uma mulher que, ao perder o marido, torna-se viúva, uma mãe que perde um filho torna-se nada.

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