
Mirelle PinheiroColunas

Rede criminosa comprou portos, usinas e fazendas, diz Receita
Na frente financeira, a rede de empresas investigadas utilizava instrumentos semelhantes aos aplicados em paraísos fiscais
atualizado
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Durante a coletiva de imprensa que apresentou os resultados das operações Quasar, Tank e Carbono Oculto, a subsecretária de fiscalização da Receita Federal, Andrea Costa Chaves, ressaltou que o crime organizado já não se limita mais a atividades clandestinas e vem ocupando espaços da economia formal com estruturas altamente sofisticadas.
“Nós percebemos, principalmente na operação Carbono, uma invasão do crime organizado na economia real e no mercado financeiro. Além da questão concorrencial, existe uma questão de você não separar o que é legítimo e o que é ilegítimo. Isso é a função do Estado de colocar regras claras”, afirmou Andrea.
Segundo ela, a ação revelou que o esquema criminoso atuava em toda a cadeia do setor de combustíveis — desde a importação, produção, distribuição e comercialização até a revenda ao consumidor final.
Na frente financeira, a rede de empresas investigadas utilizava instrumentos semelhantes aos aplicados em paraísos fiscais para ocultar patrimônio e blindar sócios e beneficiários finais.
“Estamos falando de uma movimentação já estimada em R$ 52 bilhões, envolvendo cerca de mil postos de combustíveis em dez estados, com uso de fintechs que atuavam praticamente como bancos paralelos do crime organizado”, detalhou.
Fundos, usinas e imóveis
A Receita também identificou a utilização de fundos fechados com um único cotista, criados em diversas camadas, para aquisição de ativos estratégicos. Entre os bens já rastreados estão um terminal portuário, quatro usinas produtoras de álcool, participação em outras duas, além de uma frota de 1.600 caminhões.
Foram identificados ainda mais de 100 imóveis, incluindo seis fazendas avaliadas em R$ 31 milhões e uma residência de R$ 13 milhões.
“Esses são espaços que deixam de ser ocupados por empresários legítimos que realmente querem empreender e acabam sendo tomados por estruturas criminosas que se valem do mercado formal para dar aparência de legalidade”, destacou Andrea.
