
Mirelle PinheiroColunas

Polícia mira grupo ligado a facção e acha mala recheada de dinheiro. Veja vídeo
A rede especializada em estelionatos digitais chegou a movimentar mais de R$ 200 mil em um único mês
atualizado
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Após investigação identificar a existência de um grupo criminoso estruturado, com vínculos com uma facção criminosa e atuação simultânea nos crimes de tráfico de drogas, estelionatos digitais por meio de plataformas de compra e venda on-line e lavagem do produto das atividades ilícitas, a Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, nesta quinta-feira (23/4), a Operação Gerente Fantasma e apreendeu uma mala recheada de dinheiro.
O grupo criminoso, com atuação na capital mato-grossense, tinha como líder um homem que, mesmo recolhido em unidade prisional, atuava como gestor financeiro da engrenagem criminosa, coordenando semanalmente a arrecadação e a distribuição dos lucros entre os integrantes.
Equipes da Delegacia Especializada em Repressão a Narcóticos (Denarc) cumprem 27 ordens judiciais em Cuiabá e Várzea Grande: nove mandados de prisão preventiva, 10 mandados de busca e apreensão domiciliar com caráter itinerante e oito bloqueios de ativos financeiros, no montante de R$ 200 mil.
A empreitada
Apenas na primeira semana de novembro de 2023, o lucro apurado com os golpes digitais alcançou R$ 105,9 mil. A investigação revelou ainda o comércio de diversas substâncias entorpecentes, incluindo pasta base de cocaína, skunk (conhecido como “supermaconha”) e cocaína refinada, além do controle territorial sobre pontos de venda em vários bairros de Cuiabá.
“Para dissimular a origem ilícita dos valores, o grupo empregava técnicas sofisticadas de ocultação patrimonial, fragmentação de transferências entre múltiplas contas bancárias, utilização de contas de terceiros como pessoas interpostas e uso de empresas registradas em nome de familiares dos principais investigados”, afirmou o delegado Eduardo Ribeiro, responsável pela investigação.
Foram identificadas transações financeiras expressivas em contas de integrantes do grupo. Somente em novembro de 2023, a organização movimentou mais de R$ 200 mil, valores incompatíveis com qualquer atividade econômica lícita declarada.
As investigações apontaram, ainda, que o grupo criminoso promovia a distribuição de cestas básicas à comunidade e organizava eventos esportivos, extraindo lucros adicionais com a comercialização de bebidas alcoólicas nesses eventos. Esses mecanismos eram utilizados para construir influência local e dificultar denúncias.
Operação Pharus
A Operação Gerente Fantasma integra a Operação Pharus, iniciativa que faz parte do programa Tolerância Zero, voltado ao enfrentamento de facções criminosas em Mato Grosso.
O nome “Pharus” faz referência ao termo latino para “farol”, estrutura associada à emissão contínua de luz e à orientação em meio à escuridão. A escolha busca simbolizar a atuação do Estado na identificação e no enfrentamento de práticas criminosas.
A operação também integra as ações da Rede Nacional de Unidades Especializadas de Enfrentamento das Organizações Criminosas (Renorcrim). A rede reúne delegados titulares das unidades especializadas e promotores públicos dos 26 estados e do Distrito Federal e é coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio da Diretoria de Inteligência e Operações Integradas (DIOPI), da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), para traçar estratégias de combate à criminalidade de forma duradoura.
