Mirelle Pinheiro

MP: Pedro Turra age em grupo e transforma agressões em espetáculo

Segundo o MP, as investigações revelaram que Pedro costuma agir acompanhado de um grupo de amigos

atualizado

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Material obtido pelo Metrópoles
Pedro Turra
1 de 1 Pedro Turra - Foto: Material obtido pelo Metrópoles

O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) sustenta que Pedro Arthur Turra Basso, preso nesta sexta-feira (30/1), não atua de forma isolada quando agride vítimas, mas repete um padrão de violência coletiva, cercado por aliados que filmam, incitam e ajudam a construir versões favoráveis após os ataques.

O argumento consta no pedido de prisão preventiva apresentado à Justiça e foi um dos principais fundamentos usados pelo MP para defender que a liberdade do investigado representa risco concreto à ordem pública.

Segundo o MP, as investigações revelaram que Pedro costuma agir acompanhado de um grupo de amigos que, de maneira coordenada, cerca a vítima, registra as agressões em vídeo e divulga as imagens, conferindo às cenas um caráter de espetacularização da violência.

Para a promotoria, esse comportamento se repetiu em ao menos quatro episódios distintos, incluindo o ataque mais recente, ocorrido na madrugada de 23 de janeiro, quando um adolescente foi brutalmente espancado e arremessado contra um veículo, sofrendo traumatismo craniano grave.

Violência filmada

De acordo com o Ministério Público, os registros reunidos no inquérito mostram que Pedro não apenas agride, mas atua como protagonista de um “ritual de violência”, no qual terceiros desempenham papéis definidos, seja impedindo a fuga da vítima, seja gravando as cenas para posterior circulação nas redes sociais.

“O que se observa é a repetição de um modus operandi: agressões praticadas em grupo, com registro em vídeo, transformadas em conteúdo”, aponta o MP.

Em pelo menos três ocorrências anteriores, as agressões teriam sido filmadas por pessoas próximas ao investigado.

Em uma delas, durante um conflito de trânsito, a vítima foi perseguida até o prédio onde morava e atacada. Em outra, uma adolescente teria sido coagida a ingerir bebida alcoólica diretamente da garrafa.

Contumácia e risco de repetição

Para o Ministério Público, o conjunto de episódios demonstra habitualidade criminosa, incompatível com a tese de um ato isolado ou impulsivo.

Mesmo com apenas 19 anos, Pedro acumularia um histórico recente de ataques físicos contra desconhecidos e pessoas do próprio convívio.

O MP destaca que, diferentemente do que a idade poderia sugerir, o investigado demonstra inclinação precoce e reiterada à violência, além de desprezo pelas consequências de seus atos.

Tentativa de controlar a narrativa

Outro ponto levantado pelo MP é a suspeita de interferência nas investigações. Prints de conversas obtidos pela polícia indicam que integrantes do grupo teriam sugerido a combinação de versões, incluindo a tentativa de imputar à vítima a origem do conflito, com alegações de que ela estaria armada.

Para o Ministério Público, esse comportamento reforça a necessidade da prisão preventiva, já que parte das testemunhas é composta por adolescentes, considerados mais vulneráveis à intimidação.

Prisão como única medida eficaz

No pedido encaminhado à Justiça, o MP afirma que a liberdade provisória concedida após o pagamento de fiança não foi suficiente para conter a periculosidade do investigado.

Diante do risco de novas agressões, da possibilidade de obstrução das investigações e da gravidade concreta dos fatos, a Promotoria defende que a prisão preventiva é a única medida capaz de interromper o ciclo de violência.

A decisão judicial que analisou o pedido acolheu esses argumentos e destacou que o comportamento do investigado indica crença na impunidade e desafio à ordem social.

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