
Manoela AlcântaraColunas

CV: PF detecta falhas em vídeos de operação no RJ enviados ao STF
Perícia aponta arquivos corrompidos, ausência de códigos de verificação e falta de imagens da Polícia Militar
atualizado
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A Polícia Federal (PF) identificou falhas técnicas e lacunas no material encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) sobre megaoperação contra o Comando Vermelho (CV) no Rio de Janeiro, no ano passado.
Em parecer enviado ao ministro Alexandre de Moraes, nesta segunda-feira (6/4), a corporação aponta arquivos com erro de leitura, ausência de códigos de verificação e, sobretudo, falta de imagens da Polícia Militar do Rio.
Segundo a PF, foram entregues cerca de 400 horas de gravação. Ainda assim, diante das inconsistências identificadas, a corporação afirma que não é possível concluir a análise no prazo de 15 dias fixado pelo STF e pede a ampliação para 90 dias. O material recebido, ressalta, é restrito a registros da Polícia Civil do Rio.
“Ademais, verificou-se a incompletude do acervo probatório recebido, o qual refere-se exclusivamente às imagens captadas pelas câmeras corporais dos agentes da CORE/PCERJ, sendo que, até o presente momento, não foi recebido qualquer acervo audiovisual relativo às equipes da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ)”, afirma a PF.
A operação, deflagrada em outubro do ano passado e batizada de Contenção, teve como objetivo o cumprimento de mandados de prisão e de busca e apreensão contra integrantes do Comando Vermelho, incluindo lideranças de outros estados que estariam escondidas na região.
No entanto, a ação terminou com 122 mortes — 117 suspeitos e cinco policiais — e é considerada o confronto policial mais letal da história do país.
Doca
Um dos principais alvos da operação era Edgar Alves de Andrade, o “Doca”, que segue foragido. Ele é apontado como a principal liderança do Comando Vermelho (CV) no Complexo da Penha e em outras comunidades da zona oeste, como Gardênia Azul, César Maia e Juramento — algumas recentemente conquistadas pela milícia.
O criminoso é investigado por mais de 100 assassinatos, incluindo execuções de crianças e desaparecimentos de moradores.
