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Manoela Alcântara

CV: PF detecta falhas em vídeos de operação no RJ enviados ao STF

Perícia aponta arquivos corrompidos, ausência de códigos de verificação e falta de imagens da Polícia Militar

06/04/2026 10:51, atualizado 06/04/2026 11:35
Tercio Teixeira/Especial Metrópoles
Megaoperação no Rio de Janeiro. Moradores empilham e fazem contagem de corpos após operação da polícia contra o CV no Rio de Janeiro

A Polícia Federal (PF) identificou falhas técnicas e lacunas no material encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) sobre megaoperação contra o Comando Vermelho (CV) no Rio de Janeiro, no ano passado.

Em parecer enviado ao ministro Alexandre de Moraes, nesta segunda-feira (6/4), a corporação aponta arquivos com erro de leitura, ausência de códigos de verificação e, sobretudo, falta de imagens da Polícia Militar do Rio.

Segundo a PF, foram entregues cerca de 400 horas de gravação. Ainda assim, diante das inconsistências identificadas, a corporação afirma que não é possível concluir a análise no prazo de 15 dias fixado pelo STF e pede a ampliação para 90 dias. O material recebido, ressalta, é restrito a registros da Polícia Civil do Rio.

“Ademais, verificou-se a incompletude do acervo probatório recebido, o qual refere-se exclusivamente às imagens captadas pelas câmeras corporais dos agentes da CORE/PCERJ, sendo que, até o presente momento, não foi recebido qualquer acervo audiovisual relativo às equipes da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ)”, afirma a PF.

A operação, deflagrada em outubro do ano passado e batizada de Contenção, teve como objetivo o cumprimento de mandados de prisão e de busca e apreensão contra integrantes do Comando Vermelho, incluindo lideranças de outros estados que estariam escondidas na região.

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No entanto, a ação terminou com 122 mortes — 117 suspeitos e cinco policiais — e é considerada o confronto policial mais letal da história do país.

Doca

Um dos principais alvos da operação era Edgar Alves de Andrade, o “Doca”, que segue foragido. Ele é apontado como a principal liderança do Comando Vermelho (CV) no Complexo da Penha e em outras comunidades da zona oeste, como Gardênia Azul, César Maia e Juramento — algumas recentemente conquistadas pela milícia.

O criminoso é investigado por mais de 100 assassinatos, incluindo execuções de crianças e desaparecimentos de moradores.