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Por que temos poucas CEO mulheres em tecnologia?

CEO da NeoAssist, Bianchi trata da questão e de como as mulheres ainda sofrem com a exclusão de gênero no mercado de trabalho

atualizado 19/12/2021 16:49

Yan Krukov/Pexels

O caminho para uma mulher alcançar os cargos de liderança dentro de uma empresa ainda é longo e repleto de desafios, especialmente para aquelas que desejam se tornar CEO. Isso, infelizmente, é raro. Embora vários estudos atestem que negócios com lideranças femininas podem impulsionar seus resultados em até 20%, apenas 3,5% das corporações têm mulheres atuando como CEOs, segundo dados de levantamento da BR Rating, agência de rating de governança corporativa do Brasil. Já quando o foco é tecnologia, esse índice sobe para 9%, de acordo com a consultoria Boston Consulting Group.

Porém, esse percentual ainda é muito aquém e contrasta com a representatividade de 39% da força de trabalho mundial entre as mulheres que desempenham funções ligadas às habilidades em STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática, em português).

Para mudar esse cenário rapidamente, todas as organizações de tecnologia precisam urgentemente eliminar a exclusão de gênero desde o início do processo de contratação, criando um ambiente seguro e que apoie suas colaboradoras. Isso é essencial porque mulheres sofrem discriminação no momento do recrutamento, na retenção, em promoções e quando ocupam um cargo de liderança. Em todas as etapas, acabam sendo negligenciadas e limitadas nas áreas de STEM, onde poderiam ser de grande valia para o mundo corporativo.

É importante enfatizar que diversidade em cargos de liderança não se refere apenas às mulheres. Pessoas pertencentes a outros grupos minoritários possuem as mesmas qualificações e inteligência empresarial para fomentar o crescimento nas organizações.

Para as mulheres que conquistam seu espaço como CEO, outra série de obstáculos surgem. Em primeiro lugar, esse cargo é um desafio para qualquer pessoa em qualquer setor. Há outro nível de responsabilidade, já que toda ação impacta alguma área, seja nos negócios, no ambiente de trabalho ou nos próprios colaboradores.

Então, há o peso de ser uma mulher. Minoria no setor tecnológico, mais do que lidar com a pressão diária imposta sobre um líder, quando se é uma mulher, é preciso se provar todos os dias, se impor o tempo todo e lidar com o machismo diário, o que torna a vida de uma CEO bem solitária. Por isso, é imprescindível o acolhimento vindo da equipe, da empresa.

Ainda que em menor número, existem companhias que buscam responsabilidade social e geração de valor trabalhando como promotoras de diversidade e inclusão, a fim não só de educar para transformar, como também contribuir com oportunidades e desenvolvimento para pessoas de grupos minoritários sub-representados na sociedade.

Organizações que colocam seus funcionários como uma de suas prioridades, fornecendo um ambiente saudável, agradável e seguro enxergam menos barreiras para inovar e são seis vezes mais criativas do que os concorrentes, segundo a consultoria Accenture. Portanto, é preciso focar na atração, retenção e desenvolvimento de talentos diversos, para que essas pessoas não apenas passem a ocupar espaços que não ocupavam antes, como também se desenvolverem e crescerem a cada dia.

Mulheres querem se sentir representadas e podem ver isso ser refletido quando lideranças femininas surgem no meio corporativo. Como CEO, se torna possível auxiliar na criação de uma cultura positiva na sociedade e dentro dos negócios, de igualdade e respeito. Além disso, é um papel que pode se tornar um exemplo de representatividade para várias outras mulheres e meninas que querem seguir essa carreira, para que se vejam dessa forma no futuro, que uma empresa diversa e inclusiva possa abrir as portas para que elas evoluam e se sintam desafiadas. A experiência pode e deve ser incrível ao gerar valor para um setor inovador, desafiador e dinâmico.

Bianchi é CEO da NeoAssist, empresa pioneira em tecnologia omnichannel de atendimento ao cliente.

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