
Lucas PasinColunas

Gugu em Tremembé, Paulo Vilhena define episódio como “circo do horror”
Em entrevista exclusiva, Paulinho Vilhena diz ter ouvido mais de 40 vezes o famoso papo de Gugu com Suzane von Richtofen
atualizado
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Um ator dedicado. É assim que Paulo Vilhena se mostrou em sua preparação para viver Gugu Liberato na série Tremembé, sucesso do Prime Video. Na obra ficcional, baseada em fatos reais, Vilhena encarna o apresentador em uma dos episódios mais controversos da televisão brasileira: a entrevista de 2015 com Suzane von Richthofen, condenada e presa por tramar a morte dos pais.
Em conversa exclusiva com este colunista do Metrópoles, Paulo destacou a importância de equilibrar a fidelidade aos fatos com a liberdade criativa que a ficção permite. Para ele, o desafio foi encontrar o tom certo entre a figura pública de Gugu e o contexto delicado da entrevista, que ganhou grande repercussão à época.
“A preparação foi muito baseada na entrevista. A gente teve três encontros para acertar a questão de texto. Estar junto com a Marina Ruy Barbosa e a Letícia Rodrigues, para a gente se conhecer e estar próximos naquele ambiente. A entrevista, que é real, foi um material de trabalho e imersão”.
E detalha: “Assisti algumas vezes, por volta de oito vezes a entrevista na íntegra. Mas eu ouvi muitas vezes, ouvi mais de 40 vezes, para assimilar bem a questão da fonética, do sotaque e do jeito de falar. E a Vera [Egito, diretora da série] nos deu a liberdade de não sermos uma imitação ou cópia dos personagens. Assim a gente teria a liberdade de criar a nossa versão”.
Paulo comenta ainda sobre o impacto moral e social da entrevista que, para ele, revisitar o episódio trouxe algumas reflexões.
“A entrevista é muito chocante, porque está enaltecendo alguém que fez parte de um crime hediondo. De repente, ser alçada à fama em um programa dominical… Como cidadão, acho um circo do horror, levantar essa personalidade ao público e dar status. Parece que quem faz o mal sempre tem um status a ser admirado. Não concordo, mas a série trata de fatos reais. E essa entrevista aconteceu”.
Verdade e ficção na tela

Paulo Vilhena também aborda o apelo do gênero e o interesse do público por produções baseadas em crimes reais: “Esse gênero true crime traz um interesse do público, é um fato. Não só nessa série, como outras que correm o mundo”.
Sobre o enfoque da série, o ator destaca ainda o cuidado em mostrar o contexto carcerário e a dinâmica dos episódios que inspiraram a trama.
“A série retrata o universo carcerário que criminosos de Tremembé naquele momento viviam. É uma série de um ponto de vista voyeur, como se o público estivesse observando por trás das grades o que acontece com aquelas pessoas e o que fez elas estarem ali. Tem um recorte muito interessante de contar como foram esses crimes, qual a pena que eles tiveram e, de uma forma ficcional, mostrar como eles aconteceram. Acho muito inteligente a série, interessante, eficaz como produto e entretenimento”, finaliza.










