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TV sem plateia: como estão os caravanistas um ano após a pandemia

Ainda que alguns programas tenham voltado a ter público, a situação ainda é bem distante do que era antes

atualizado 01/03/2021 21:47

O entretenimento ainda sofre. Após um ano da pandemia do novo coronavírus, várias atividades seguem sem voltar ao normal, principalmente no mundo do show business. Ainda que diversos programas tenham retomado as gravações, as plateias seguem com vários vazios a serem preenchidos.

E isso não afeta apenas quem assiste de casa. Os caravanistas, homens e mulheres antes responsáveis por levar centenas de pessoas aos programas de auditório da televisão brasileira, viram parte do trabalho ser retomado, mas de forma ainda insípida quando comparado ao período pré-Covid.

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Joseane Davino Silva, de 46 anos, é natural de Guarulhos (SP) e trabalha como caravanista desde o ano de 2007. A profissional lembrou que, durante os primeiros meses de pandemia, seu orçamento caiu em 50%. “No início, as emissoras, respeitando as novas normas da OMS, suspenderam totalmente as gravações com auditórios. Então, foi bem difícil para mim e para vários colegas de profissão. O meu rendimento caiu em 50%. Hoje, as caravanas estão funcionando com a capacidade de lotação pela metade”, contou ela.

A mulher revelou que foi assistida pelo SBT com salários alguns adiantados durante os meses em que não trabalhou. “O SBT deu um grande suporte aos caravanistas. Eles adiantaram 50% do valor das caravanas que nós fazíamos por mês. Como no final de ano as gravações entram em recesso e só retornam em março, a emissora resolveu dar continuidade nesse suporte durante o ano de 2021 também”, contou à coluna.

Ainda assim, ela sente que a tal “normalidade” não será atingida tão cedo. “Enquanto essa pandemia não passar e pelo menos 90% da população estiver vacinada, acredito que os programas não poderão retornar com o seu funcionamento normal”, disse. O que resta são as lembranças. “Sinto falta de todos os programas do SBT, da Globo, Band e da Record, mas em especial sinto muita falta do Programa do Silvio Santos”, completou Joseane.

Nada será como antes

Para Danny Scatena, 34 anos, de Sorocaba (SP) e caravanista há 16 anos, a quarentena também foi um sufoco. Para ele, a situação foi ainda mais desesperadora porque suas duas atividades na área do entretenimento foram suspensas.

“As minhas duas profissões, que são as de coordenador de auditório e a de eventos, pararam 100%. De início, fiquei muito aflito e pensei no que poderia fazer. Sempre pensei que iria passar logo e, com o tempo, só vi as coisas piorando. Muitas colegas de trabalho passaram necessidades e começaram a fazer outras atividades. como vender pães, produtos de beleza e outros. Eu mesmo tive que me reencontrar e, como trabalho com o Instagram também, graças a Deus, não me faltou nada. Mas foi e está sendo uma época muito difícil”, garante.

Ele conta ainda que conseguiu pagar todas as contas com o seu trabalho nas redes sociais, como criador de conteúdo digital, pois não teve ajuda das emissoras as quais presta serviços como caravanista. “Eu sou do interior. Costumo prestar serviço para a Globo, para o Multishow, para Record e a Band. Mas o SBT foi a única emissora que ajudou com verbas mensais, mas eu não pude receber por não poder prestar serviços para eles”, revelou.

Ainda segundo o profissional, esse setor está retornando aos poucos ao normal, porém nada será como antes. “Nós estamos retornando aos poucos. Alguns auditórios estão retornando com apenas 25% da capacidade e seguindo todos protocolos de segurança . Creio que com a vacina, a tendência é melhorar. Sempre existiu programas de auditório. Desde quando nem era nascido ainda. Creio que muita coisa vai mudar, porém os auditórios nas atrações da televisão brasileira jamais irão acabar”, pontuou.

Procurada pela coluna, a assessoria do SBT confirmou que forneceu auxílios aos caravanistas durante os últimos doze meses e que esta assistência será estendida durante o ano de 2021. A emissora de Silvio Santos informou também que o Programa do Ratinho, por exemplo, está atuando com 25 pessoas na plateia; o Casos de Família segue com 12 participantes e as demais atrações seguem com as participações virtuais. Ainda segundo eles, as ordens são a de seguir os protocolos governamentais, ou seja, apenas quando todos estiverem vacinados no país é que as atrações poderão funcionar como antes. A Globo não retornou o nosso contato até o fechamento desta reportagem.

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