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Secretário de Meio Ambiente, Sarney Filho diz que chance de “crise hídrica é mínima” no DF

Em entrevista ao Metrópoles, "Zequinha" (PV) diz que medidas tomadas anteriormente colocam o DF em situação confortável

atualizado 09/09/2021 10:00

Marcelo Camargo/Agência Brasil

Secretário do Meio Ambiente do Distrito Federal, José Sarney Filho (PV) disse, ao Metrópoles, que a crise hídrica chega à capital federal de forma amena, graças aos níveis dos reservatórios. A informação foi dada em entrevista exclusiva ao colunista Caio Barbieri.  

“Nós tivemos muita sorte, porque nossos reservatórios estão com uma quantidade de água que nos dão uma tranquilidade de dizer que este ano e o que vem a possibilidade de termos uma crise hídrica é mínima. Mas estamos tomando aqui todas as providências para que as áreas de recarga, para que as nascentes possam continuar prestando esse serviço tão importante”, afirmou o chefe da pasta do Meio Ambiente no DF.

Assista:

Sobre a iniciativa do deputado Delegado Waldir (PSL-GO) de tentar reduzir a área do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, o secretário do DF disse que “não vai prosperar”. O projeto, que tramita na Câmara dos Deputados, segundo Sarney Filho, é absurdo diante dos desafios ambientais da atualidade. 

“Num momento como esse, de crise hídrica, em que o IPCC diz que as mudanças climáticas já vieram para ficar e já estão afetando a qualidade de vida das pessoas, você diminuir uma área de proteção importante como aquela, de recursos hídricos, é um absurdo. Acredito que o deputado autor dessa proposta esteja completamente na contramão da história”, afirmou o gestor, então ministro à época do decreto presidencial que ampliou o parque, em 2017. 

De acordo com o secretário, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), já se posicionou de forma contrária ao projeto. Zequinha destacou, ainda, a redução na área queimada em território candango.

“Nós conseguimos, aqui em Brasília, reduzir o número de queimadas, a área atingida nas Unidades de Conservação. Por quê? Porque tomamos uma série de providências importantes. Pela primeira vez, a gente contratou brigadistas em tempo hábil, fizemos os asseiros, campanhas de educação ambiental, e com isso nós conseguimos reduzir, nas UCs, ao contrário do Brasil”, explicou. 

Às vésperas do Dia Nacional do Cerrado (11/9), iniciativa criada para dar visibilidade à luta pela preservação do bioma, Sarney Filho disse crer que, pela visibilidade global da Floresta Amazônica, o ecossistema no qual se insere o DF seja preterido no debate.

“Numa crise global climática, os olhos ficam mais voltados para a Amazônia. Mas a importância do Cerrado, que é a savana mais biodiversa do mundo, é muito grande na produção de água. Nós estamos vivendo uma crise hídrica no país todo, que está resultando, inclusive, no aumento da conta de luz, e pode resultar, em alguns locais, num racionamento de água, de energia”, ponderou. 

Nível de poluição no rio Melchior

Sobre o rio Melchior, que entrou na pauta pública da capital devido aos níveis de poluição aferidos no curso d’água, Sarney Filho diz que “as dificuldades e as questões ambientais e administrativas são muito mais amplas”. “Não vejo, no momento, condições de modificar aquela situação. O que nós temos orientado aqui, e atentos com o Brasília Ambiental (Ibram), é para que não haja ilegalidades no saneamento, nas águas que vão tratadas para o rio. Eu acredito, respondendo objetivamente, que neste momento não há muito o que fazer a não ser manter as regras atuais com rigor”, respondeu o secretário.

O gestor comentou, ainda, a troca no comando do Ministério do Meio Ambiente (MMA), conduzido desde junho por Joaquim Álvaro Pereira Leite após a queda de Ricardo Salles. De acordo com Sarney Filho, a troca na pasta não significará melhorias na área.

“Política do governo na área ambiental é ditada pelas próprias ideias retrógradas, diria, do presidente Bolsonaro, que tem uma visão completamente distorcida e errada do que é o Meio Ambiente, do que é uma proteção às nossas florestas, aos nossos biomas, do que é uma proteção inclusive aos próprios índios. As terras indígenas têm uma função ambiental muito grande, servem como barreiras ao desmatamento na Amazônia. Então o presidente Bolsonaro não tem noção da importância do Meio Ambiente”, criticou o secretário.

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