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Três ONGs são escolhidas para implementar projetos LGBTQIA+ no DF

No total, 20 entidades foram escolhidas para receber suporte e formar rede de apoio para contrapor falta de políticas públicas no Brasil

atualizado 27/04/2021 17:00

Raphael Carmona / Fecomércio-DF

O Fundo Brasil de Direitos Humanos selecionou, por meio de edital, três organizações não governamentais (ONGs) que atuam no Distrito Federal para implantar projetos destinados para a população LGBTQIA+. A decisão foi anunciada nesta segunda-feira (26/4).

Além da Amigos da Vida, que cuida da população que convive com HIV/Aids, foram vencedoras no DF a Associação Lésbica Feminista Coturno de Vênus e o Instituto de Cultura, Arte e Memória LGBT (Instituto LGBT+). No total, 20 entidades foram escolhidas em todo o país.

Cada instituição receberá um montante de R$ 40 mil pelo período de um ano para apoio institucional e realização de atividades também para a manutenção da própria organização.

“Diante da ascensão de um governo conservador ao poder nos últimos anos, o Brasil vive um aprofundamento da crise de violação de direitos da população LGBTQIA+. Ainda que em 2020 haja um arcabouço legal mínimo de proteção dessa população, não se verifica a efetividade das políticas públicas e instrumentos de prevenção para conter os índices de violência contra as pessoas LGBTQIA+, que crescem ano a ano”, registra o fundo.

Violência

Estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) divulgado em 2020 mostra que, entre os anos de 2015 e 2017, 24.564 notificações de violência contra a população LGBTQIA+ foram registradas em órgãos competentes, o que equivale a dizer que uma pessoa desse grupo é agredida por hora.

“Sabemos, entretanto, que esse número é ainda maior, uma vez que as práticas discriminatórias contra essa população nos estabelecimentos que recebem as queixas são frequentes, o que impede que um número mais próximo do real seja notificado e chegue ao conhecimento da população em geral”, aponta o documento.

Para o presidente da Amigos da Vida, Christiano Ramos (foto em destaque), a inclusão das ONGs é uma vitória para fortalecer a rede de apoio à população. “É um edital nacional e concorrido, e todos os anos tentamos disputar. Agora, pela primeira vez, fomos selecionados. Isso é uma vitória muito importante para manter garantias de direitos para essa população tão ignorada pela política nacional atual”, disse.

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