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Professor denuncia falta de medidas de controle da Covid-19 em voo Brasília-Porto Alegre

Hamilton Gondim embarcou para a capital gaúcha e não identificou medidas sanitárias para proteger passageiros

atualizado 01/12/2020 19:49

Material cedido ao Metrópoles

Com receio de uma possível segunda onda de infecção pela Covid-19 no Distrito Federal, um professor universitário denunciou os riscos aos quais foi exposto, recentemente, durante um voo realizado de Brasília a Porto Alegre (RS), com conexão em Belo Horizonte (MG). De acordo com Hamilton Gondim, 55 anos, em todos os trechos, o avião da empresa Azul estava lotado e não houve procedimentos de segurança para a prevenção ao novo coronavírus.

“Eu tive que ir a trabalho para a capital gaúcha, num voo bem cedo, com escala na capital mineira. Chegamos às 11h e voltei no outro dia, via Campinas (SP). Nesse percurso todo, eu tive um único contato para aferir a temperatura, aqui em Brasília. Um aeroporto completamente lotado e sem distanciamento no avião”, relatou.

O economista estranhou a falta das medidas protetivas, principalmente pela grande quantidade de pessoas na aeronave. “Foi o meu primeiro voo desde março, no início da pandemia. Confesso que fiquei assustado. Sou professor e as aulas estão ocorrendo de forma remota. Eu e minha esposa, que somos da área de educação, estamos tendo o mesmo cuidado. Com máscara, com gel, mas não vi essa preocupação por parte da empresa aérea”, destacou o educador.

O que diz a Azul?

Procurada pela coluna Janela Indiscreta, do Metrópoles, a Azul afirmou que limitar o embarque de clientes torna a operação insustentável. “Algumas frentes cogitaram adotar a medida de bloquear o assento do meio, mas isso torna a operação absolutamente inviável, além de não ser efetivo criar uma separação de 50cm entre uma pessoa e outra”, admitiu a companhia aérea.

Ainda de acordo com a empresa, há diversas outras medidas mais eficazes, como o uso obrigatório de máscara a bordo, que diminui drasticamente as chances de contágio, principalmente por quem está assintomático. “Além disso, os jatos da Azul são equipados com filtro de ar Hepa, que renovam o ar a cada minuto e são capazes de extrair 99,99% dos vírus existentes dentro do avião”, informou.

A Azul reforça ter adotado uma série de medidas de higiene e “foi a primeira companhia do país a tornar obrigatório o uso de máscaras por tripulantes e clientes, tanto a bordo quanto em solo”. A companhia também orienta a realização do check-in pelo aplicativo e, para aqueles que precisam despachar a bagagem, sugere o uso das bancadas digitais de autoatendimento.

“A bordo das aeronaves, lenços umedecidos estão à disposição para uso dos clientes e tripulantes da Azul e sachês de álcool em gel são distribuídos a todos os viajantes. A companhia também tem utilizado descontaminantes bactericidas que contam com um princípio ativo que elimina vírus e bactérias em 99,99% dos casos”, completou.

A empresa afirma ter reforçado a limpeza dupla nos assentos, mesinhas, bolsões, banheiros, encostos de cabeça, cintos de segurança, janelas, paredes e compartimentos superiores. “A Azul vem atendendo todas as normas de procedimento de limpeza e desinfecção sugeridas pelas autoridades sanitárias”, concluiu a viação aérea.

Certificação de segurança

Também acionado, o Aeroporto de Brasília sublinhou que opera até o momento com apenas 65% do seu tráfego pré-Covid-19 e que a retomada vem sendo feita de forma cautelosa, mês a mês.

“Para receber os passageiros, a concessionária vem tomando diversas medidas sanitárias, respeitando todas as orientações dos órgãos de saúde e atenta contra a disseminação do vírus nas regiões. Por conta dessas ações que vem adotando, a Inframerica foi reconhecida internacionalmente pelo Conselho Internacional de Aeroportos (Airports Council International – ACI), que credenciou o aeroporto brasiliense com a Airport Health Accreditation (AHA), certificação de boas práticas em medidas sanitárias”, destacou.

Ainda conforme a Inframerica, que administra o terminal, câmeras para aferição de temperatura foram instaladas no embarque. Os equipamentos, além de medir a febre, também verifica se o passageiro está usando ou não a máscara de proteção facial. “Já no desembarque, os bombeiros civis do aeródromo fazem a verificação da temperatura de todos os passageiros que chegam na capital federal. Os bombeiros também realizam a triagem na área internacional”, completou.

A empresa pede a colaboração de todos os passageiros no respeito às distâncias físicas entre as pessoas. “Também foram distribuídos pontos de álcool gel em todo o aeroporto”. A limpeza, diz a nota, foi intensificada e todo o terminal recebe uma higienização com produtos altamente desinfetantes, os mesmos usados em UTIs hospitalares.

“Nós tomamos diversas medidas sanitárias para o enfrentamento da doença. Embarcar está diferente, mas queremos que os nossos passageiros se sintam tranquilos ao viajar por Brasília. É comprovado por diversos estudos que o filtro Hepa das cabines dos aviões, realiza a troca de ar de forma eficaz e contínua e elimina 99,99% das bactérias e vírus presentes no ar das aeronaves”, disse o diretor de assuntos corporativos da Inframerica. “Contudo, é necessário que o passageiro também faça a sua parte. Respeite o distanciamento, não forme filas sem necessidade, utilize a máscara corretamente durante todo o período no terminal ou no voo e higienize sempre suas mãos”, recomendou.

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