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Por risco de incêndio, vistoria pede desocupação da antiga Rodoferroviária

Estimativa é de R$ 25 milhões para reformar local que abriga setores de pelo menos três órgãos do governo local: Adasa, Sejus e Semob

atualizado 23/11/2020 22:09

AdasaMichael Melo/Metrópoles

Uma vistoria técnica realizada no fim do mês de outubro constatou que o prédio onde funcionou a antiga Rodoferroviária de Brasília corre sérios riscos de incidentes, como curto-circuito e até mesmo incêndio. O documento levantou a discussão sobre a possível desocupação do imóvel para evitar exposição de servidores ao perigo.

O local foi desativado em 2010, com a extinção definitiva do terminal, quando desde então passou a abrigar órgãos públicos da estrutura do Governo do Distrito Federal (GDF). Para se ter ideia, atualmente o endereço acomoda partes de pelo menos três instituições: Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejus), Secretaria de Transporte e Mobilidade (Semob) e também a Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento do Distrito Federal (Adasa).

De acordo com o documento obtido pelo Metrópoles, o maior alerta foi feito pelas péssimas condições atuais das instalações elétricas, grande parte envelhecida pelo tempo e sem a manutenção necessária.

“Após as vistorias realizadas, consideramos a situação grave e preocupante, principalmente nas condições das instalações elétricas (cabos, fiação, quadros de medidores de energia, tomadas, etc). Essas instalações estão em situação de risco de curto-circuito que poderão iniciar um princípio de incêndio. Caso isso ocorra a edificação não possui o seu sistema de detecção e alarme de incêndio em funcionamento e isso poderá provocar a ampliação do incêndio”, pontua trecho do documento.

O alerta também indica problemas com a falta de equipamentos de segurança num eventual incidente com o fogo. “Neste ponto, a edificação não poderá combater o fogo, pois o seu sistema de combate a incêndio (sprinklers, extintores e hidrantes) também está inoperante. Recomendamos acionar a defesa civil para opinar sobre a situação. Nossa sugestão é fazer a desocupação da edificação e providenciar o restabelecimento destes sistemas e instalações conforme as normas técnicas”, emenda o texto.

Os peritos encontraram fios elétricos por cima do forro, que estão em desacordo com os padrões normativos e oferecem riscos de curto circuito. O sistema de impermeabilização na cobertura está bastante degradado. Os técnicos encontraram a rede elétrica instalada em áreas de infiltração, o que torna o cenário ainda mais perigoso.

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Revitalização milionária

No prédio, segundo a vistoria, há muitas fissuras e o sistema de impermebilização não possui mais o desempenho adequado. No subsolo também há problemas de infiltrações. De acordo com o documento, foi observado que a galeria de águas pluviais se encontra obstruída. “O sistema de bombas de recalque tem a previsão para quatro bombas nenhuma delas está em operação e na vistoria foi verificado a instalação de outra bomba fora do projeto original”.

Com problemas encontrados também na estrutura de concreto, na falta de manutenção dos elevadores e necessária revitalização completa do local, a estimativa é que os cofres públicos tenham de desembolsar a cifra de R$ 25.703.619,69. “Entendemos que a edificação hoje utilizada, localizada na antiga Estação Rodoferroviária não possui condições seguras e adequadas para abrigar as unidades que compõem esta secretaria, sendo o valor a ser despendido para uma possível reforma exorbitante”, avaliou um servidor da Semob.

A pasta já trabalha com a possibilidade de abrir um chamamento público para alugar um outro imóvel caso não seja disponibilizado pelo Palácio do Buriti um endereço compatível para a transferência dos setores ainda instalados na antiga Rodoferroviária. A desocupação do prédio está sendo tratada com urgência.

“Formalizamos consulta junto à essa Secretaria Executiva de Planejamento quanto à existência de imóvel de propriedade do GDF em condições de instalar as unidades da Secretaria de Estado de Mobilidade, na zona central  ou imediações, com área aproximada de 4.000 m², rede lógica (acessível GDFNET, necessária para utilização dos sistemas oficiais), com estrutura completa para atendimento aos autorizatários e motoristas de táxi, prestadores do STIP, prepostos dos Operadores do STPC/DF”, sugeriu a pasta como resposta ao relatório de vistoria.

O que dizem os órgãos abrigados na Rodoferroviária?

Em conversa com o Metrópoles, o presidente da Adasa, Raimundo Ribeiro, informou ter tomado conhecimento recentemente do referido relatório e que ainda analisa ponto a ponto para definir um desfecho para o caso. “Faremos tudo com muita responsabilidade, principalmente com os servidores. É um prédio da União e também não podemos simplesmente devolvê-lo. Tenho certeza que encontraremos uma solução adequada para a questão”, disse.

A assessoria de imprensa reforçou que, em 2015, “foi realizada reforma da parte estrutural, elétrica e hidráulica da área ocupada pelo órgão, localizada na Ala Norte do edifício. A Agência mantém contrato administrativo de manutenção predial preventiva e corretiva”.

Da mesma forma acionada, a Secretaria de Justiça registrou já ter iniciado análises para proteger a saúde dos servidores da pasta. “A Sejus tomou conhecimento do laudo e, imediatamente, iniciou tratativas com o intuito de resolver as questões apontadas, com segurança”, frisou.

A coluna Janela Indiscreta também procurou a Secretaria de Transporte e Mobilidade e, por nota, o órgão informou que “já está em tratativas com a Secretaria de Economia para discutir sobre a disponibilidade de local que atenda às necessidades da pasta”. Ainda segundo o texto, a pasta destacou que “aproximadamente 200 servidores trabalham na antiga Rodoferroviária”.

História

Planejada inicialmente em 1956 apenas para servir como estação ferroviária do ramal da Estrada de Ferro Goiás, a Rodoferroviária de Brasília fo inaugurada em 1976 como terminal de trens, mas a baixa demanda fez com que o local fosse reinaugurado em 1981, servindo também como rodoviária interestadual. Em 2010, foi desativada para passageiros e cedeu a estrutura para abrigar órgãos públicos do Distrito Federal.

Planejado por Lúcio Costa, o prédio é propriedade da União e começou a ser construído ainda nos anos 70. Na década seguinte, já era o principal terminal rodoviário para linhas interestaduais no Distrito Federal.

A estação ferroviária atendeu trens de passageiros até o 1991. Atualmente, ainda existe uma linha férrea de cargas para Goiânia e São Paulo, pela antiga Rede Ferroviária Federal (RFFSA). Recentemente, o governo ventilou a criação de um trem regional interligando Brasília ao Entorno do Distrito Federal, mas o projeto não chegou a sair do papel.

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