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Partido nega legenda a jovem de 21 anos que explora pauta reacionária

Republicanos afirmou ao Metrópoles que universitário Victor Jansen não figura na lista dos pré-candidatos aprovados pela sigla

atualizado 05/07/2022 18:53

Victor Jansen, universitário do DF que defende pautas reacionáriasArquivo Pessoal

O diretório do Republicanos no Distrito Federal afirmou, nesta terça-feira (5/7), que o estudante universitário Victor Jansen, 21 anos, não figura na lista de pré-candidatos à Câmara Legislativa (CLDF) para as eleições deste ano.

A declaração ocorre após o Metrópoles publicar um perfil sobre o evangélico, que divulga ser postulante a uma das 24 cadeiras do Poder Legislativo local em outubro.

Autodenominado “pré-candidato mais jovem” do Distrito Federal, Victor Jansen confirmou à reportagem que investe nas pautas polêmicas para tenta fisgar a atenção de conservadores extremistas.

Pelas redes sociais, o estudante de direito de 21 anos mira discursos contra a população LGBTQIA+ –, mas com enfoque também em outras agendas de costumes, como a proibição do aborto e o não reconhecimento da transexualidade (leia a entrevista abaixo).

Mesmo sem o aval do Republicanos, partido onde milita atualmente, Jansem trabalha para conquistar uma vaga para disputar a CLDF.

Apesar disso, Victor Jansen segue a rotina de levantar temas reacionários – se não pelos votos, que seja pelos likes que pretende arrebanhar da extrema direita.

Um dos mais recentes foi festejar a decisão já revista da juíza que proibiu o impedimento da gestação de uma menina estuprada aos 11 anos.

“Totalmente correta. É bom a gente entender que estamos falando de duas pessoas: da criança e do bebê que está naquela barriga. Matar um inocente não vai diminuir o trauma daquela menina”, disparou. Esse vídeo conquistou mais de 400 curtidas no TikTok.

Victor Jansen também dedica o tempo para mirar contra a pauta do empoderamento feminino, além de criticar avanços na legislação que beneficiam a diversidade, como o uso do nome social em documentos e da conscientização contra o preconceito.

Numa das postagem, ataca a decisão do Supremo Tribunal Federal que considera crime qualquer tipo de preconceito contra a comunidade LGBTQIA+ e diz que “feminismo mata”, ao mencionar o caso do menino Juan, esquartejado pela própria mãe que vivia uma relação com outra mulher.

“A Esplanada inteira está sendo pintada com as cores da bandeira LGBT, desde quando patrimônio público serve pra divulgação da ideologia de uma minoria [sic]? Essa semana vou atrás de quem for necessário pra gente pintar esses negócios de outra cor. Brasília não é cidade de palhaço”, escreveu no Twitter na véspera da Parada do Orgulho, que ocorreu no domingo (3/7), em Brasília.

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Pauta LGBTQIA+

Antes, Jansen já havia criticado o deputado distrital Fábio Felix (PSol), primeiro homossexual assumido a ocupar uma cadeira na Câmara Legislativa, pela bandeira em favor das políticas públicas pela diversidade.

“É inaceitável que o dinheiro público dos brasilienses seja destinado para causas do ativismo LGBT, como tem sido feito por um determinado deputado distrital. Essa farra irá acabar, só digo isso!”, ameaçou.

Pelos perfis, Victor Jansen ostenta fotos com o presidente Jair Bolsonaro, mas também compartilha posicionamentos de aliados do atual governo, como o secretário Nacional de Cultura, Mário Frias, e as deputadas federais Carla Zambelli (PL-SP) e Bia Kicis (PL-DF).

O que diz o ativista?

Procurado pela reportagem, Victor Jansen confirmou que defende a pauta de costumes. Evangélico, o estudante de direito defende que, “numa democracia, o que tem que prevalecer é a vontade de uma maioria”.

“Meu discurso fala muito com o público conservador e cristão. Nunca pregamos ódio contra homossexual, nunca incentivamos a violência contra esse público. Eu fui atacado por um grupo de feministas na Esplanada dos Ministérios e ninguém fala sobre isso”, alega.

Sobre as pinturas temporárias no centro de Brasília para conscientizar a população contra os números alarmantes contra a população LGBTQIA+, Victor Jansen minimiza a causa.

“Quando você coloca um verde e amarelo, representa todo mundo. Por que a maioria tem que se curvar a uma minoria e todo mundo aceitar isso? Por que existir um banheiro para os dois gêneros? Por que a gente tem que ser a favor disso? Eu sou contra. Isso tudo é um absurdo”, continuou.

O jovem universitário também disse estar tranquilo acerca da possibilidade de não conquistar uma legenda para disputar a Câmara Legislativa em outubro deste ano e que seguirá com as publicações nas redes sociais.

“Na verdade, a gente já está trabalhando. O fato é a gente criar um movimento, que já existe, de falar o que está realmente no coração das pessoas. Se tiver candidatura ou não, não tem problema. Nosso objetivo é deixar levantada essa bandeira conservadora”, reafirmou.

“Existe uma minoria que quer que uma maioria se curve a eles e isso é inadmissível. Eles querem privilégios e não os direitos iguais. Numa democracia, o que vale é maioria e, hoje, em Brasília, a maioria é conservadora. Não estou falando perda de direitos ao público LGBT, estou falando do espaço que eles realmente têm”.

Também procurado, por aparecer em fotos ao lado do universitário, o deputado federal Júlio César Ribeiro afirmou que o registro ocorreu durante “uma visita apenas” ao gabinete do parlamentar.

 

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