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Luis Miranda escalou equipe com 8 advogados na véspera de depor na CPI

Deputado federal será ouvido na sexta-feira (25/6) pelos integrantes da comissão, e se prepara para ataques de senadores da base governista

atualizado 24/06/2021 20:26

Divulgaçāo Democratas

O deputado federal bolsonarista Luis Miranda (DEM-DF) passou praticamente toda esta quinta-feira (24/6), véspera do depoimento que dará para a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19, com uma equipe escalada de oito advogados e especialistas como forma de se preparar para a oitiva. Por isso, a agenda do parlamentar ficou exclusiva para o encontro com os auxiliares.

O congressista e o irmão dele, Luis Ricardo Miranda – concursado do Ministério da Saúde –, foram convidados como testemunhas para detalhar a denúncia levada ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido), ainda no dia 20 de março, sobre possíveis irregularidades na compra da Covaxin. Os senadores apuram se houve prevaricação do titular do Palácio do Planalto ao não despachar os documentos para a Polícia Federal (PF).

Os irmãos Miranda relataram publicamente uma possível pressão da alta cúpula da pasta para a aquisição dos imunizantes indianos. Ao Metrópoles, o congressista revelou as mensagens encaminhadas de autoridades do Ministério da Saúde cobrando de Luis Ricardo a liberação acelerada para a compra dessas vacinas. Além disso, também comprovou ter visitado Bolsonaro para alertar sobre o “esquema” que, segundo ele, serviria para facilitar a compra bilionária do produto da Índia.

Dossiê

Durante todo o dia, o grupo preparou a dupla para possíveis ataques da base governista no Senado Federal. A decisão ocorreu após o parlamentar tomar conhecimento da existência de um suposto dossiê criado, segundo ele, por integrantes do Palácio do Planalto.

“Após já ter sido ameaçado pelo Palácio do Planalto, agora, pela segunda vez, criam um dossiê para intimidar o deputado. Estou reunido com toda a minha equipe jurídica para nos preparar para esse levantamento que fizeram de minha vida pregressa, minhas votações no Congresso e minha atuação parlamentar”, disse ao Metrópoles, sem detalhar o conteúdo do suposto documento elaborado por governistas.

O congressista também consultou auditores da Receita Federal sobre a participação da Madison Biotech, que tentou receber US$ 45 milhões antecipadamente pela compra da Covaxin. O endereço oficial da companhia, localizado em Cingapura, já foi usado por cerca de 600 firmas de fachada, segundo o vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede-AP).

“É uma empresa localizada em paraíso fiscal e estaria no processo de compras da vacina com chances evidentes de uma evasão de divisas”, disse o parlamentar no caso da concretização da compra.

Luis Miranda também pretende esclarecer as contra-acusações disparadas pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Onyx Lorenzoni, de quem é colega de partido. “Ele agiu como um miliciano achando que iria me intimidar. Só me deu mais força para seguir”, finalizou.

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