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Indefinição reforça diferença ideológica no grupo de Cristovam e Rosso

Pela segunda vez, aliança formada por 12 siglas (entre elas, PPS, PSDB, PSD e PTB) adia anúncio de candidatura ao GDF e expõe dificuldades

atualizado 11/05/2018 22:09

Daniel Ferreira/Metrópoles

Para alguns, frustração. Para outros, prudência. Sem acordo até mesmo para classificar o adiamento do anúncio de quem realmente será o candidato do grupo político formado atualmente por 12 partidos, mais uma vez a diferença de opiniões dos integrantes se sobrepõe à esperada unidade na possível aliança. Essa indefinição pode até trazer benefícios, mas as chances de reflexos negativos existem e movimentaram a cena política local na tarde e na noite de sexta-feira (11/5).

Com três nomes de olho na candidatura ao Palácio do Buriti – Alírio Neto (PTB), Izalci Lucas (PSDB) e Wanderley Tavares (PRB) –, a chapa não alcançou ainda a esperada unidade. E dificilmente chegará a esses termos.

Apesar de a mudança de planos demonstrar uma fragilidade do projeto multipartidário, os protagonistas do processo, como o senador Cristovam Buarque (PPS) e o deputado federal Rogério Rosso (PSD), garantem que a falta de decisão tem um motivo plausível: a possibilidade de atrair ainda mais siglas para a já robusta composição. Alegam, para isso, que outras agremiações acenaram para uma possível adesão nos próximos dias, como PDT, Rede e PCdoB. Tudo a depender das conversas, claro.

“A Rede, o PPL e o PDT entraram em contato conosco e pediram para opinar. Eles não querem mudar os três nomes que temos, mas desejam participar do processo. Além disso, vamos ouvir algumas lideranças”, explicou Cristovam.

Segundo afirmou Rogério Rosso, o grupo está unido em prol da capital federal e vai chegar a um acordo em breve a fim de “melhorar Brasília”. “Precisamos mudar a situação de abandono a qual o DF vive hoje, principalmente em quatro áreas essenciais: saúde, segurança pública, educação e a questão de geração de emprego e renda”, emendou o deputado.

Contudo, é explícito que já há internamente uma dificuldade de se encontrar um consenso, talvez pela pluralidade de convicções. As próprias pesquisas encomendadas pelo grupo confirmam que, para a população, não há diferença sobre quem será o escolhido: todos orbitam na mesma faixa de pontuação, considerada – aliás – abaixo do esperado.

O número do levantamento reflete apenas a atual situação do grupo: sem um nome definido, a população não enxerga em nenhum dos três uma forte possibilidade competitiva para chegar ao Palácio do Buriti. Isso só vai acontecer a partir do momento que o grupo anunciar oficialmente qual será o caminho a ser seguido. Até lá, se os próprios partidos não sabem quem vão escolher, por que então os eleitores ouvidos pelas pesquisas teriam de saber?

JP Rodrigues/Especial para o Metrópoles
Parte dos integrantes da composição decide adiar anúncio de candidatura: outros partidos serão ouvidos

 

Mais legendas
Integrantes da composição preferem se apoiar na expectativa de convencimento de mais outras linhas ideológicas, mesmo sem saber onde abrigá-las numa possível junção. Agarram-se na máxima de que política não se faz com emoção.

Contudo, difícil é não crer que o adiamento do esperado anúncio tenha sido muito mais motivado pelo receio de uma possível ruptura do atual grupo do que pela convicção de que há necessidade de ainda mais legendas.

Em tempo: uma nova data foi marcada para anunciarem, enfim, o nome da chapa que concorrerá ao Buriti: na quarta-feira (16/5). Até lá, garantem, tudo estará devidamente elucidado.

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