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Família Pedrosa rompe contratos de R$ 5 milhões por mês com o GDF

Com a decisão, as empresas Dinâmica e Esparta não prestarão serviços ao governo local e a outros estados, o que atingirá 18 mil empregados

atualizado 02/01/2020 20:05

Michael Melo/Metrópoles

Proprietária da Dinâmica Serviços e da Esparta Segurança, a família Pedrosa decidiu, na virada para 2020, cancelar e rescindir todos os contratos com o poder público, a começar com o Governo do Distrito Federal (GDF). O grupo é conhecido por prestar serviços de limpeza e conservação em órgãos oficiais. A informação foi confirmada à coluna pelo empresário Eduardo Pedrosa, um dos herdeiros das empresas.

Segundo ele, apenas com o GDF, atualmente, a terceirizada mantinha dois contratos: um emergencial com a Secretaria de Saúde (SES) e outro com a Polícia Civil do DF (PCDF). O impacto direto sobre as duas rescisões resultará em cerca de R$ 5 milhões por mês a menos na conta do grupo empresarial. Se for para colocar na ponta do lápis, com os contratos de outros estados, esse valor pula para R$ 500 milhões por ano.

A decisão de romper os serviços foi da matriarca, Maria d’Apparecida Pedrosa, após a morte de Alba Pedrosa, filha que administrava todos os negócios. O óbito ocorreu em setembro de 2019 e, desde então, a avaliação de familiares é a de que os lucros obtidos não valem o desgaste político de contratar com o poder público.

A decisão atingirá diretamente 18 mil empregados, pouco mais de mil deles apenas no Distrito Federal. A maior parte será absorvida pelas novas contratadas dos governos, de acordo com a nova Lei da Terceirização. Outros serão reaproveitados internamente para serviços diversos.

Além do ramo empresarial, a família é conhecida em Brasília pela política. Eliana Pedrosa (Pros) foi deputada distrital por vários anos e chegou a concorrer nas últimas eleições como candidata ao Palácio do Buriti. Contudo, o sobrinho dela, Eduardo Pedrosa (PTC), que recebeu o mesmo nome do pai, foi eleito deputado distrital e tem mandato até 2022. Eles não integram a direção das empresas.

Procurado pela reportagem, o GDF confirmou o cancelamento do contrato com a terceirizada. “A Secretaria de Saúde informa que a empresa Dinâmica não presta mais serviços para a pasta por estar saindo do mercado. Outras empresas irão assumir os trabalhos”, resumiu.

Denúncia de fraude

Em julho de 2019, o Metrópoles noticiou que integrantes da Dinâmica denunciaram no Tribunal de Contas do DF (TCDF) uma suposta fraude ocorrida em licitação na área de saúde. A repercussão do caso fez com que o governador Ibaneis Rocha (MDB) cancelasse o certame de R$ 70 milhões e exonerasse um total de 22 servidores da pasta.

 

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